Sufoco é escolher o tema da monografia

* Matéria elaborada por aluno da Oficina de Jornalismo – Ciberjornalismo.

Foto: Divulgação

O primeiro ano de faculdade é geralmente marcado pelo entusiasmo, pela ansiedade e pela vontade de conhecer mais sobre a futura profissão. Muitos estudantes entram nas universidades cheios de projetos e expectativas sobre o novo mundo que está se mostrando e, no decorrer da faculdade, adquirem novos pensamentos e ideias ao experimentarem os diferentes caminhos de estudo, o que dificulta ainda mais a importante decisão que os alunos devem fazer no último ano do curso: a escolha do tema da monografia, ou seja, o estudo que permitirá a conquista do tão sonhado diploma.

Sobre o que escrever, qual linha de raciocínio seguir, qual área da profissão focar para apresentar a pesquisa científica é o grande dilema da maioria dos alunos que estão prestes a se graduar. A estudante do 8° semestre do curso de Jornalismo, Camila Silveira, conta que a sua principal dúvida foi entre escolher um tema que pudesse permitir um estudo mais aprofundado após a graduação. “No início, eu estava preocupada em encontrar algum tema que pudesse servir para uma pós-graduação ou mestrado. Mas, depois, percebi que era mais importante estudar algo que eu realmente gastasse e tivesse interesse em estudar”, relembra a estudante.

Escrever sobre a sua área de estudo específica ou apostar em outras opções. A escolha não é fácil. Segundo a coordenadora da disciplina de TCC (Trabalho de Conclusão do Curso) do curso de Comunicação, Solange Maria Morais, a maioria dos alunos sente uma grande dificuldade na hora de escolher o assunto. “Muitos alunos do jornalismo, por exemplo, ficam confusos porque se interessam por temas da publicidade e acham que estão fugindo um pouco da área em que eles estão prestes a se graduar. O que eles precisam entender é que tanto a área do Jornalismo como da Publicidade, ambas são da comunicação”.

Difícil ou não, a decisão deve ser feita e o estudo realizado nos mínimos detalhes para ter a certeza de que a nota positiva será possível e o curso concluído com muito sucesso, depois de 4 ou 5 anos de muita dedicação. A recém-formada em Fisioterapia, Êza Rafaella, lembra como foi complicado para ela escolher o tema do TCC, “eu lembro bem que todos nós da turma estávamos muito apreensivos e também ansiosos para receber as primeiras orientações. É tensa a escolha, pois queremos um tema interessante e que, ao mesmo tempo, nos dá prazer em estudar. Eu escolhi um tema novo, porque achei que seria interessante discutir algo recente e, felizmente, me apaixonei pelo tema e consegui ter o sucesso que esperava”.

O gosto pelo assunto, como vimos, pode ser a solução para que o trabalho seja realizado de forma prazerosa e eficiente. Camila Silveira conta que, depois de muitas pesquisas, finalmente ela encontrou algo que pudesse agradá-la. “Eu resolvi escolher o tema da minha monografia baseada naquilo que gosto e no que acho mais interessante. Por exemplo, se eu gosto de entretenimento então vou estudar sobre algo que tenha relação com isso. Foi assim que fiz e assim que consegui chegar à decisão final”, afirma a estudante.

Solange compartilha da mesma ideia ao dizer que o tema pode não ser perfeito, mas que é preciso gostar do assunto, pois escrever sobre o que gosta já é difícil, imagina escrever sobre o que não gosta. Além disso, a coordenadora tem outra dica que é fundamental para o sucesso na realização do estudo e no desenvolvimento do tema. “Depois de escolher o tema, é preciso que o aluno organize as ideias. A melhor forma de fazer isso é com um provável sumário do que dentro daquele tema o aluno poderá desenvolver. Isso facilita, pois depois de fazer o sumário, o aluno poderá determinar tópicos de estudos e, assim, escrever por etapas”.

Texto: Kamyla Lima

O Ciberdebates é amanhã

O ciclo de debates da disciplina Oficina em Jornalismo promove o 2º Ciberdebates, amanhã, 27 de setembro. De 08 às 11h, quatro palestrantes vão discutir o tema “Comunicação integrada e redes sociais”. Eles são Paulo Santiago, da AVANZ, Apolônio Aguiar, da AD2M, Lucas Mororó, da agência HD mais, e Gabriel Ramalho, organizador do “Papos em rede”.

O evento, que dá direito a certificado, é aberto a todos os interessados.

Acompanhe o Ciberdebates no Facebook, no Twitter  e leia mais no blog.

Texto: Marília Pedroza
(mariliapedroza2@gmail.com)

Orientação: Profa. Adriana Santiago

Ciberjornalismo cultural não se faz só na Web

Palestrante Júlia Lopes destaca a importância de buscar novas pautas na rua. À esquerda, Dellano Rios, à direita, Diego Benevides. / Fotos: Thalyta Martins

Não se prender à redação é a palavra de ordem. Foi o alerta dado pelos palestrantes ao público que lotou o auditório da biblioteca da Universidade de Fortaleza (Unifor) nesta manhã, 30. Com o tema “Jornalismo cultural na internet: possibilidades”, o encontro fez parte do ciclo de palestras do Ciberdebates desse semestre.

Júlia Lopes, repórter do caderno cultural do jornal O povo, Vida & Arte, e co-autora do site “A preço de banana”, destacou a importância de sair da redação em busca de novas pautas. “Tem muita coisa que a gente dá uma voltinha no Centro e encontra”. Dellano Rios, editor do Caderno 3, caderno cultural do Diário do Nordeste, também ressaltou a questão e ainda apontou-a como essencial para não cair no que ele chama de círculo vicioso da web. “Parece que a internet é a matéria-prima dela mesma. É o mesmo discurso”. Para combater esse aspecto o palestrante defendeu que “se eu sou jornalista, eu sou jornalista independente do meio”.

Diego Benevides responde à pergunta sobre crítica cultural

A discussão seguiu em clima descontraído com a apresentação de Diego Benevides, editor chefe do “Cinema com rapadura”, um dos portais nacionais de referência em cinema. Ele declarou que, na web, o bom texto dificilmente recebe comentários. Enquanto o contrário se dá de forma massiva. “Eu escrevo alguns textos e sei que vou ser trolado (que vão falar mal)”. Na opinião dele “a gente não pode alienar”, não pode continuar reproduzindo na internet o que já foi divulgado na própria. Por isso “a equipe deve estar preparada para decifrar os sites”.

Após as falas dos três palestrantes, a mediadora abriu para perguntas da plateia e recebeu questões enviadas pelo Twitter. Além de acompanhar o debate por essa rede social, também foi possível fazer isso ao vivo pelo Ustream. Além disso, os slides utilizados por Diego já estão disponíveis aqui. O Ciberdebates também está no Twitter, no Facebook e no Blogspot, onde novas postagens serão feitas sobre a cobertura do evento.

Texto de Marília Pedroza

Quer ver sua matéria no blog do Labjor?

Aqueles que pretendem ter um diferencial em sua carreira como jornalistas, sabem a importância que é passar pela experiência de uma redação de jornal. E melhor ainda é ter esse contato com a realidade de sua profissão, num espaço onde um erro torna-se aprendizado.

O Laboratório de Jornalismo da Unifor (Labjor) é conhecido por seus diversos produtos desenvolvidos pelos próprios alunos do curso. É neste ambiente que você pode escrever suas matérias e reportagens, ser reconhecido pelo seu trabalho e ter a possibilidade de fazer o seu nome, com orientação diária dos professores.

Interessado? O Labjor se disponibiliza a oferecer todos os meios para que você possa produzir material de conteúdo jornalístico e espaço para divulgá-lo.

Para mais informações envie seu texto ao e-mail: blogdolabjor@gmail.com, ou dê uma passadinha na sala Q-25, próximo ao bloco T.

Texto de Luiz Carlos Bomfim 

A indústria do São João

 

Foto: Grapel – Associação Cultural Rita Costa

Foi numa noite igual a esta, que tu me deste o teu coração, o céu estava em festa, por que era noite de São João. Todos os anos o Ceará se transforma no estado da Festa Junina. A paixão, o desejo a tradição é o que move o povo nesse período junino. Mas por trás de tanta beleza, criatividade e animação das apresentações existem toda uma indústria que organiza todos os detalhes para que a cada ano o São João seja mais bonito.

O trabalho dos bastidores começa bem antes das luzes brilharem nos palcos. Em meados de fevereiro é onde começa toda a organização, reuniões para decidir desde o tema a ser homenageado, ao figurino, os músicos que irão tocar nas apresentações e os festivais que pretendem participar.

A ex brincante e coordenadora do escritório de cultura popular, Marcela Sampaio, disse que o Ceará é o estado que mais produz quadrilhas e festivais no Brasil. “Pra se ter uma idéia, 70% dos bairros de Fortaleza possuem quadrilhas e festivais. E em todo o estado é contabilizada uma média de um pouco mais de 450 grupos juninos” diz com muita satisfação.

A quadrilha Arraia da Liberdade, da cidade de Redenção, tem sem grupo composto por 20 casais. O grupo já se apresenta há 10 anos por todo o estado do Ceará, espalhando alegria e enriquecendo a cultura junina no estado.

O organizador, João Victor disse que é muito trabalhoso colocar uma quadrilha pra dançar. “Alem do cansaço, tem também a dificuldade em conseguir apoio financeiro”. Victor completo dizendo que apesar de todas as dificuldades, é recompensador vê as pessoas dançando com amor. “Eu não me vejo sem esse grupo, já fazem parte da minha vida” disse com muita satisfação.

O cenário dos grupos juninos no estado tem se transformado bastante. A principal mudança foi nas roupas, que antes custavam bem barato, em torno de 50 reais se tinha uma roupa de quadrilha, hoje é preciso desembolsar bem mais. O vestido das brincantes que não são destaque sai em média de 350 reais, e tudo isso custeado pelo próprio brincante. Os vestidos se elitizaram e passaram da chita, para o cetim, seda, e muito brilho. Uma noiva de quadrilha, gasta em um vestido que se aproxima do vestido de uma noiva da vida real, em torno de 4 mil reais. “Várias quadrilhas buscaram inspirações de vestidos luxuosos em outras regiões. Mas essas quadrilhas elitizadas, são muito mecânicas, tudo muito na hora certa” diz Gilberto.

Algumas quadrilhas chegam à gastar 200 mil reais ou mais durante todo o período junino. “Quadrilhas que chegam a esse patamar, não se sustentam por muito tempo, pois fica difícil conseguir apoio” afirma Gilberto, ex-presidente de um dos festivais mais importantes do estado, o Ceará Junino.

Apesar de tantas mudanças, o tradicional ainda possui força. Diferente da mecanização do moderno, a quadrilha temática/tradicional é caracterizada pela emoção que os brincantes passam, sem esquecer das roupas simples de chita e o chapéu de couro.

Tradicional, elitisado, não importa as mudanças que façam no estilo, o que vale é curtir o momento com amor, e celebrar a cultura.

Texto de Tainá Nobre, Jorge Pedro e Carlos Augusto

*Esta reportagem foi produzida pelos alunos da disciplina Oficina em Jornalismo/Ciberjornalismo do semestre 2011.1