Mulher de 91 anos aprende a ler e escrever

Dona Mocinha é a aluna mais velha do ensino público de Fortaleza / Foto: Ana Lorena Magalhães

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o Brasil possui cerca de14 milhões de analfabetos. São jovens, adultos e idosos que registram-se através de suas impressões digitais. Em Fortaleza, na escola municipal Catulo da Paixão Cearense, estuda Dona Maria das Dores de Sousa, uma senhora de 91 anos, que há um ano descobriu na educação um novo sentido para a vida.

Dona Mocinha, como é mais conhecida pela comunidade escolar, estuda no Ensino de Jovens e Adultos (EJA) da escola desde abril de 2011 e é a aluna mais velha do ensino público de Fortaleza. O sonho de aprender a ler e escrever só pode ser concretizado após o estímulo de uma vizinha, que também estuda na escola. “Meu sonho sempre foi aprender a ler e escrever. Nunca tive a oportunidade de ir à uma escola porque tinha que trabalhar e ajudar no sustento da casa. Depois de velha foi que eu tive essa chance, e aqui estou”.

A senhora de olhar atento não poupa as palavras estampadas nas propagandas que vê no caminho de casa à escola. Ela afirma que essa prática a ajudou bastante para o aperfeiçoamento da leitura, que adquiriu tão rápido. Dona Mocinha estuda diariamente em casa depois dos afazeres doméstico. Para ela, exercitar a ortografia todos dias faz com que aprenda mais rápido e seja mais bem vista pela sua dedicação.

Seguindo em frente na linha do lápis

A leitura e escrita básicas ajudaram a senhora a entender mais sobre os seus direitos. Agora, Dona Mocinha, reivindica com mais segurança sobre os seus benefícios financeiros, problemas relacionados ao seu cartão de aposentadoria e INSS. Já pode até fazer compras assinando o próprio nome, sem a necessidade de usar a impressão digital.

Uma de suas maiores realizações foi poder ter dado o estudo ao único filho. Hoje ele mora no interior do estado, e é formado em engenharia. Dona Mocinha mora só, mas fala com frequência com o filho e as netas. “Eu me sinto muito realizada em poder ter dado uma boa educação ao meu filho. Foi a coisa que eu mais me preocupei quando ele começou a crescer. Hoje ele e minhas três netas têm estudo e são cidadãos com conhecimento. Isso me deixa orgulhosa”

Sua força de vontade é admirada por todos na escola. O acolhimento presente na sala de aula, no pátio ou na secretaria é bem visto por Dona Mocinha. Para a professora da turma, Karla Paiva de Lima, o andamento da leitura e escrita da senhora está sendo muito positivo e rápido. “A Dona das Dores é um exemplo que eu sempre uso para os meus alunos mais novos. Porque diferente da maioria, que estão aqui para crescer profissionalmente, ela só quer aprender a ler e escrever para uma realização pessoal. Essa vontade é muito admirável. Ela é uma das que está tendo mais aquisição da leitura em tão pouco tempo”.

A senhora estudante tem muito a dizer, principalmente quando se trata de jovens que não valorizam a escola. Ela mostra-se indignada com alunos que fogem do colégio ou faltam aula sem necessidade. “Eu acho uma pena que esses jovens de hoje não valorizem o que têm. Eles nem imaginam o quanto estão sendo prejudicados. Quem dera eu tivesse tido essa educação tão cedo.”

Assim como não economiza a soletração das palavras na rua, Dona Mocinha não poupa sonhos. Sempre com um olhar à frente, ela não quer parar de trabalhar, mesmo aposentada, e muito menos de estudar. O seu maior objetivo agora é ter domínio completo da escrita e leitura. “Agora que comecei, não vou mais parar. Eu sei que estou indo pelo caminho certo. Sempre que eu leio uma palavra, e pergunto a minha professora se eu acertei, e ela diz “sim”, isso me deixa muito feliz, e com ânimo pra continuar”.

Texto: João Paulo de Freitas 

Festival das Juventudes promoverá cidadania e arte

A partir de sábado, acontecerá o II Festival Latino-Americano das Juventudes em Fortaleza, na Praia do Cofeco (Abreulândia), no local batizado como a Cidade das Juventudes. O evento terá como tema o canto de um novo mundo. Os organizadores do evento definem que o Festival será o canto onde é possível cantar, um lugar que ao invés de ter o silêncio dos dias atuais, do capital que espolia os povos e coíbe a nossa capacidade inventiva, prevalecerá o canto das juventudes.

Ciclo de debates do I Festival Latino-americano das juventudes em Fortaleza/Foto: Internet

Continue lendo “Festival das Juventudes promoverá cidadania e arte”

Labecos: Educação, comunicação e cidadania

amigos

O Laboratório de Comunicação, Educação e Sociabilidade (Labecos) é um novo projeto formulado para a participação dos alunos de Humanas.  Ele enfatiza o tema da formação de cidadãos livres, tolerantes com as diferenças sociais, respeitadores dos direitos humanos e do meio ambiente. O Laboratório é formado e coordenado pelos professores e pesquisadores Mônica Tassigny, da área de Educação, Kalu Chaves, da área de Comunicação Social e Lúcio Flávio, da área de Psicologia.

O Labecos tem como objetivo abrir espaços para a comunicação e as sociabilidades entre a universidade e o campo social, desenvolver mídias comunitárias (rádio, tv, jornal, vídeos e games) e viabilizar a democratização ao acesso à informação e às suas novas tecnologias.

Outro atributo do Labecos é organizar a produção científica no campo acadêmico e estimular aos alunos a trabalharem sob esses parâmetros. “Para os alunos, é indispensável produzir informação científica com padrões acadêmicos, isso será útil em trabalhos futuros que exijam essas regras”, afirma a professora Mônica Tassigny.

O plano de estudo do laboratório ainda está em construção. Os interessados devem procurar os professores coordenadores para participar dos encontros dos grupos de pesquisa que cada um está gerenciando, cujos temas servirão de base para os estudos do Labecos.

Para mais informações procure a coordenação de seu curso ou um dos professores responsáveis.

*texto de Lucas Abreu