[Série] (In) segurança nos estádios

Matéria produzida pelos alunos da oficina de jornalismo 2012.1

Os comentários sobre a clássica disputa do Fortaleza contra o Ceará nos campos foram deixados de escanteio na final do Campeonato Cearense de Futebol 2012. A rivalidade entre jogadores foi distoada pela confusão na torcida, que deixou muito a desejar em comportamento no estádio Presidente Vargas (PV). Xingamentos e gritarias entre torcedores que vestiam a mesma camisa e de times diferentes foi o mínimo que aconteceu após declarado o título do Ceará Sporting Club. Diante desse infeliz fato, vem a questão: como será o plano de segurança dentro e nos arredoros do estádio?

As cadeiras foram os principais alvos dos torcedores que deram um show de vandalismo, destruindo, ao todo, 72. Dentre estas, 57 sofreram a fúria dos adversários, nem o lado vencedor ficou ileso de tais atos, tendo 15 destruídas em seu setor. Foram arrancadas, quebradas ou, então, deslocadas de sua estrutura, causando um prejuízo, segundo a Secretaria de Esportes e Lazer do Município (Secel), de R$ 18.360,00, já que cada uma custa em torno de R$ 250,00.

Dessa vez, a conta vai para o time. Mas, em período de Copa, quem paga pelos danos? Segundo a assessoria da Secretaria Especial da Copa (Secopa), a FIFA é responsável pelo o que ocorre dentro do estádio. “Porém, no caso de haver algo que cause dano ou prejuízo, quem irá arcar é o país-sede. O país entra com todas as condições necessárias para que haja organização e segurança durante o evento, mas quem planeja, articula e controla as ações dentro do estádio é a FIFA”, reforça.

Dentro e fora

No Clássico-Rei, o entorno não destoou da situação ocorrida dentro do estádio, o que mudaram apenas foram os objetos depredados. Os carros particulares foram os maiores alvos. Segundo a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), 30 ficaram danificados, com uma despesa de R$ 17.430,00. De acordo com o Juizado Especial do Torcedor, no total, foram 15 Boletins de Ocorrência (BO) e quatro Termos Circuntancial de Ocorrência (TCO).

Para o Mundial, há planos para uma maior proteção ao redor do Castelão. Será, em média, uma área de de 500 a 2.000 com reforço policial requisitado também pela Fifa. De acordo com a Secopa, está previsto um investimento total de R$ 248,7 milhões para garantir a segurança durante os jogos.

“Dentro desse plano, alguns projetos já estão sendo executados, como o recém-inaugurado Circuito Fechado de TV (CFTV), que possui 86 câmeras de segurança instaladas em pontos estratégicos da Capital e a Central de Monitoramento das Imagens. Nessa lista, também estão em andamento a expansão e o redimensionamento da Perícia Forense (PEFOCE); a reforma e construção de delegacias da Capital e Região Metropolitana; a construção da nova sede da Delegacia do Turismo e a implantação da Divisão de Narcóticos”. [Secopa]

Além desses itens já encaminhados, há outros quesitos por serem postos em prática, como as ações aliadas a investimentos da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), como:

  • Criação da Divisão de Homicídios;
  • Realização de concurso para delegados e escrivães e inspetores de Polícia Civil, soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, oficiais da PM e peritos e auxiliares de Perícia da PEFOCE;
  • Implantação do Programa Ronda do Quarteirão e sua ampliação para mais 42 municípios do Estado;
  • Realização da Academia Estadual de Segurança Pública.

Até 2014, a lista de projetos voltados para a Copa ainda inclui a melhoria da estrutura de alguns órgãos de segurança. ”Serão implementados a reforma da Coordenadoria da Tecnologia da Informação e da Comunicação da SSPDS; a construção de sala de situação (coordenação) e reforma das demais dependências”, lembra a assessoria. Fora isso, haverá também a implantação de uma unidade especializada em acidente com produtos perigosos, a construção das novas sedes da Companhia de Eventos e Companhia de Motos (RAIO) e da Companhia Policial Militar de Turismo.

Pelo visto, a segurança está na pauta da FIFA e do Secretário Especial da Copa 2014. Afinal, o Governo do Estado também vai investir na aquisição de outros mais equipamentos para reforçar a segurança do Ceará. Está na relação:

  • Dois helicópteros para o Ciopaer, sendo um deles para o Serviço de Resgate;
  • 20 viaturas de combate a incêndio e 30 do tipo resgate;
  • Quatro unidades móveis especial de perícia criminal em local de crime;
  • Veículo anti-tumulto e um especial anti-bomba para controle de atentados.
  • Mais 100 câmeras para o sistema de videomonitoramento da SSPDS, já autorizado pelo governador Cid Gomes.

Hora do teste

Próximo ano, o Castelão será estreado e tornará-se o provável palco do Campeonato Cearense 2013. Diante das colocações quanto os atos de vandalismo realidade da última edição, será que o novo estádio vai resistir às torcidas organizadas? Se houver algum dano, quem arcará com as despesas?

“De acordo com a Parceria Público-Privada estabelecida entre o Governo e a iniciativa privada, é garantido que até o ano de 2018, a responsabilidade de qualquer evento é da Arena Castelão, empresa formada pelos integrantes do Consórcio vencedor da licitação (Galvão Engenharia S/A, Serveng Civilsan S/A e BWA Tecnologia de Informação LTDA). Naturalmente, as questões de segurança durante os jogos serão de responsabilidade da Federação de Futebol e do Governo do Estado”. [Secopa]

Então, dessa forma, se algo acontecer, a conta vai direto para o endereço da Arena Castelão, empresa formada pelos integrantes do Consórcio vencedor da licitação (Galvão Engenharia S/A, Serveng Civilsan S/A e BWA Tecnologia de Informação LTDA) e que é responsável por todo o planejamento de ações referentes a operação do estádio nesse período está em fase de formulação.

Texto: Camila Marcelo
Orientação: Profa. Adriana Santiago