Brilho e movimento marcam o desfile de encerramento da Semana de Moda

Foto: Thiago Gadelha
Foto: Thiago Gadelha

O último dia da semana de atividades do curso de Design de Moda da Unifor, ocorreu nesta sexta-feira, 31, e contou com os desfiles da nova coleção do designer Ivanildo Nunes e da coleção da marca Cholet. O evento ocorreu no Centro de Convivência da Unifor e foi aberto ao público.

O primeiro desfile, regido pela leveza do canto do Coral Unifor, mostrou a coleção inverno 2013 de Ivanildo Nunes que foi inspirada numa atmosfera de glamour e sonho, na qual a mulher ganha contornos e transparências e se mostra multifacetada. O designer apostou em vestidos com decote, costa nua, renda feita sob medida e bastante aplicação de pérola. Seguindo o clássico molde romântico feminino, dando ênfase às cores salmão e verde menta, Ivanildo utilizou tecido dinâmico e ANCA com aplicação em coral em suas peças, mostrando todo o trabalho manual.

Já o desfile da marca Cholet, embalado por um DJ e com looks voltados especialmente para a noite, apostou no preto e branco, laranja e na natureza. Vestidos de tela e godê, detalhes metalizados e acúmulo de tecidos serviram para dar movimento às peças. A coleção tem forte influência da pop-art com seus grafismos geométricos, efeitos ópticos e contrastes P&B. A inspiração tecnológica, com letras desenhadas na estamparia, lembra a Kenzo ss14.

Sobre Ivanildo

Ivonildo Nunes. Foto: Thiago Gadelha
Ivanildo Nunes. Foto: Thiago Gadelha

O designer Ivanildo Nunes, nasceu na Paraíba mas logo mudou-se para Fortaleza. Sua aptidão para moda veio desde a infância quando, por influência da novela global Tititi, ele vestia bonecas para sua mãe vender. Aos 17 anos fundou uma empresa de moda praia onde trabalhou pelos 15 anos seguintes.

O designer é formado em jornalismo e pós-graduado em Criação e Desenvolvimento de Produto de Moda. Atualmente, dá consultoria em desenvolvimento de produtos de moda e atende em seu ateliê e loja na Av. Dom Luís 300, em Fortaleza, onde encontram-se peças de renascença, moda festa, 15 anos e noivas.

Texto: Tatiana Alencar

Colaboração: Johann Freitas – Estudante de Moda

Confira a galeria:

“Como o Brasil não é referência mundial na moda?”

Foto: Maria Navarro
Ana Cláudia Silva Farias, Cláudia Leitão, Márcia Travessoni e Cláudio Silveira. Foto: Maria Navarro

Na última quinta-feira, 30,ocorreu o último evento de teor discursivo da Semana de Moda Unifor. Aberto ao público, com coordenação da profesora Ana Cláudia, o curso de Design realizou uma mesa-redonda com três grandes ícones da indústria da Moda e da Economia Criativa no Brasil. O evento ocorreu na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), às 20 horas, e teve a presença de Cláudia Leitão – ex-secretária do Ministério da Cultura (Minc) e da Secretaria de Economia Criativa (SEC) -, Cláudio Silveira – responsável pelo Dragão Fashion -, e Márcia Travessoni – autora do livro Anuário da Moda no Ceará.

Com o intuito de ressaltar a importância que a indústria da Moda está ganhando no Brasil, bem como no Ceará, a mesa falou acerca das dificuldades e importâncias que esta área apresenta. “Como o Brasil não é referência mundial na moda?”, questionou Cláudia Leitão, falando um pouco de sua experiência frente ao Ministério da Cultura e criticou o pouco investimento e credibilidade que dão para o ramo. Ela também criticou a supervalorização que as pessoas de Fortaleza dão aos produtos internacionais. “Não sejamos consumidores passivos de enlatados e produtos estrangeiros, produtos que muitas vezes são ruins e de péssima qualidade”. Para ela, existe grande possibilidade do Brasil se tornar um exportador no campo da moda.

Cláudia apontou, ainda, quatro dificuldades típicas encontradas nas atividades que se enquadram dentro da economia criativa. Ela acredita que a maior objeção está na produção de informação e dados, “é necessário que existam mais observatórios e espaço para pesquisa no Brasil”. O segundo ponto destacado foi a educação, a especialização em qualquer área deve ser valorizada; em terceiro lugar foi colocado as dificuldades financeiras e, por último, a necessidade de marcos legais que incentivem e facilitem a produção e criação no campo da moda. Como incentivo aos novatos, Cláudia Leitão falou que o mercado precisa “valorizar as cadeias produtivas mais simples, existem várias possibilidades de atuação dentro da moda, como corte e costura, estilismo, pesquisas, fotos, eventos, modelagem, entre outros”.

Márcia Travessoni. Foto: Lucas Magno
Márcia Travessoni. Foto: Lucas Magno

Márcia Travessoni, um dos nomes mais importantes da moda cearense, apresentou seu livro “Anuário da Moda no Ceará”, que ganhou segunda edição, expondo uma série de referências de marcas, pesquisas e registros, analisando temas e critérios para eleger as empresas que se qualificam como cases do ano de 2012. A palestra reforçou bastante a questão da gestão, sendo um desafio para os novos designers. “O curso de moda precisa realmente ter esse cuidado, os profissionais criativos tem que ter o cuidado com a gestão financeira, com a gestão de pessoas, com as gestões de marcas”, ressaltou Travessoni.

A industria da moda precisa ser cada vez mais valorizada, e com a publicação do Anuário da Moda do Ceará só reforça isso, uma vez que a cada ano os números crescem, e mostra o quanto esse mercado é importante para o estado, sendo o anuário um documento de pesquisa, tanto de calçados, como de setor têxtil, que mostra ao Brasil o quanto o Ceará emprega. “Moda é comportamento, a cada ano temos um comportamento diferente”, indagou Márcia.

Finalizando a mesa-redonda, o idealizador do Dragão Fashion Claúdio Silveira destacou a importância da moda regional, apresentando uma grande visibilidade para as industrias locais, uma vez que é preciso quebrar a hierarquia da moda concentrada no eixo Rio-São Paulo. “Eu quis mostrar que existia uma moda autoral, não só nordestina, mas sim uma moda regional brasileira”, levantou. E conclui: “O mercado precisa de um incentivo, precisa estimular o regionalismo, criar algo autêntico, uma identidade que valorize a cultura local de cada estado, deixando de lado as grandes marcas, ganhando, assim, uma maior notoriedade no mercado”.

Ana Cláudia Silva Farias, Cláudia Leitão,  Márcia Travessoni e Cláudio Silveira. Foto: Lucas Magno
Ana Cláudia Silva Farias, Cláudia Leitão, Márcia Travessoni e Cláudio Silveira. Foto: Lucas Magno

Texto: Giovânia Alencar e Marcelo Tavares

Palestra apresenta importância da fotografia e da ‘beauty’ de moda

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Mário Lopes e Macíria Rodrigues. Foto: Thiago Gadelha

A Universidade de Fortaleza recebeu, na último quinta-feira, 30, no auditório da biblioteca, o fotógrafo Mário Lopes e a hair e make up artist Macíria Rodrigues, que ministraram uma palestra para o curso de design de moda sobre Fotografia e Beauty de Moda. Na palestra, os profissionais contaram não apenas suas experiências de carreira, mas também deram verdadeiros conselhos para quem pretende trabalhar no ramo.

Com uma bagagem considerável de vivências e muitas histórias para partilhar, o publicitário e fotógrafo especializado em moda Mário Lopes confessou que, no momento em que um de seus clientes chegou com uma proposta para eles produzirem uma sequência fotográfica que incluísse o mundo da moda como algo belo, ele não teve como dizer não e se viu fascinado por algo que antes estava adormecido em sua mente. “Se você quiser ser fotógrafo de moda, você vai precisar respirar moda”, comentou o fotógrafo.

Marcíria Rodrigues. Foto: Thiago Gadelha
Macíria Rodrigues. Foto: Thiago Gadelha

Já a maquiadora e cabeleireira Macíria Rodrigues confessou que sempre se interessou pelo ramo. “Comecei em um pequeno salão no Rio de Janeiro como cabeleireira. Tive a ajuda de um grande amigo que na época era o cabeleireiro das celebridades. O salão era pequeno, mas muitas artistas famosas só cortavam o cabelo lá. De lá fui para os Estados Unidos, onde me aproximei da maquiagem. Fiz vários trabalhos com vários fotógrafos. Estive em vários tipos de equipe: muitas boas, muitas ruins”, brincou Macíria. “É importante entender que se não houver respeito e profissionalismo, não haverá um bom resultado”, exaltou.

Mário Lopes. Foto: Thiago Gadelha
Mário Lopes. Foto: Thiago Gadelha

Com uma apresentação de slides contendo os tipos de fotografia de moda – de campanhas publicitárias até catálogos e lookbooks – Macíria e Mário deram várias dicas do que se pode e do que não se pode fazer quando se trabalha com moda. “Eles sempre vão escolher pessoas normais”, afirmou Macíria sobre os diretores de arte das campanhas publicitárias. “Com modelos de hoje em dia não se consegue fazer publicidade”, concluiu a maquiadora, enquanto várias fotos de campanhas passavam no slide show. “É importante sempre respeitar o brief. Se você não respeitá-lo, o diretor vai reclamar e comentar com outro diretor, que comenta com outro, que fala com outro… E assim, sua carreira acaba muito antes de ter começado”, alertou Mário. “O brief só pode ser modificado antes da campanha ser lançada. Isso se você tiver certa ‘amizade’ com o diretor”.

Sobre as passarelas, os dois concordaram que é necessário ter uma boa equipe para ter um bom resultado. “É um local de respeito. Cada estilista tem a sua visão. É preciso o uso da concentração, principalmente na hora de trocar uma maquiagem ou um cabelo”, contou Macíria. “Podem ter quinhentos fotógrafos, mas existe um lugar que é exclusividade do fotógrafo oficial do desfile”, comentou Mário a respeito da relação entre os fotógrafos.

Mário e Macíria findaram a palestra com o pensamento de que quando se tem uma boa equipe, o resultado sai incomparavelmente melhor. “Tudo é uma questão de escolha e contatos. Então, inspirem-se nos melhores. Deem o melhor de si para um dia, então, ocuparem o melhor lugar. É sempre uma questão de escolha”, concluiu Macíria.

Texto: Maria Navarro 

“A moda pode ser uma armadilha. A estética precisa ser embasada em conhecimento”

Syomara Duarte, Henrique Sá e Clara Bugarim. Foto: Thiago Gadelha
Syomara Duarte, Henrique Sá e Clara Bugarim. Foto: Thiago Gadelha

Com o intuito de oficializar a acolhida aos primeiros alunos de Design de Moda da Universidade de Fortaleza, realizou-se na noite da última quarta-feira, 29, a Palestra de Introdução ao Curso. O público – um misto de alunos principiantes e avançados (transferidos da Faculdade Católica do Ceará), professores e familiares – foi recepcionado pelo vice-reitor Henrique Sá, pela diretora do Centro de Comunicação e Gestão (CCG) Clara Bugarim e pelas professoras Ana Cláudia Farias (coordenadora do curso em questão) e Syomara Duarte no auditório da biblioteca.

Num ambiente descontraído, o vice-reitor de Ensino de Graduação Henrique Sá aceitou o título de “padrinho” atribuído por Bugarim e confessou: “Eu já comecei a comprar a Vogue”. Henrique introduziu, adiante, as diretrizes de ensino ressaltando a importância da ética, do compromisso e interesse dos designers em desenvolvimento. “O design é uma obra humana para a própria humanidade. É preciso que sejamos uma comunidade capaz de cultivar valores também humanos”, incitou.

Henrique Sá. Foto: Thiago Gadelha
Henrique Sá. Foto: Thiago Gadelha

Henrique usou, ainda, uma citação de Ralph Emerson (“Podemos viajar por todo o mundo em busca do que é belo, mas se já não o trouxermos conosco, nunca o encontraremos”) para tornar compreensível a maior pretensão da introdução do curso: lapidar o artista, designer, gestor e cidadão já existente no aluno, que assim deve considerar-se. Em tempo, estimulou também a capacidade de transgredir os conceitos estabelecidos.

Vitrinas

Foto: Thiago Gadelha
Foto: Thiago Gadelha

A professora do Instituto de Cultura e Arte da UFC Syomara Duarte palestrou sobre o livro “Vitrinas”, resultado de sua pesquisa de mestrado em Arquitetura e Urbanismo na Universidade de São Paulo. A publicação toma por base a cidade de Fortaleza e suas ruas genuinamente comerciais, como a Monsenhor Tabosa, para contemplar o avanço do vitrinismo e, consequentemente, a cultura de um povo.

Syomara Duarte. Foto: Thiago Gadelha
Syomara Duarte. Foto: Thiago Gadelha

Apesar de ter concebido uma obra com  temática previamente visual, Syomara considera a erudição elementar. “Conhecimento não é só informação. É preciso ler muito. Leiam porque a moda pode ser uma armadilha. A estética precisa ser embasada em conhecimento”, atentou. Na ocasião, a professora sorteou dois exemplares que podem ser encontrados na loja da UFC.

 

Texto: Alana Oliveira

Especialista em moda faz demonstração de maquiagem e atrai alunos novatos

Workshop de Make Up com Macíria Rodrigues. Foto: Maria Navarro
Workshop de Make Up com Macíria Rodrigues. Foto: Maria Navarro

Aconteceu, hoje, 30, no Laboratório de Modelagem do curso de Graduação Executiva em Design de Moda, na Unifor, a demonstração de Make Up com Macíria Rodrigues e registro do fotógrafo Mário Lopes, sendo mais uma atividade que fez parte da semana de lançamento do curso.

Após ministrarem a palestra Fotografia e Beauty de Moda, Macíria e Mário mostraram aos participantes alguns trabalhos que executaram. Macíria levou catálogos de seus trabalhos nacionais e internacionais com hair & make up. Em seguida, ela iniciou a demonstração de make up numa modelo. O grupo, interessado e curioso, observou atentamente todo o processo, alguns assistiram de pé para poder ver mais de perto.

Foto: Maria Navarro
Foto: Maria Navarro

Enquanto isso, Mário Lopes registrava os primeiros cliques, testando as luzes do ambiente. No decorrer da demonstração, os profissionais se mostraram acessíveis, conversaram com os estudantes que se aproximavam para fazer perguntas, tornando a atividade bastante intimista.

Concluída a demonstração de maquiagem, Macíria explica: “é um modelo que você pode ir para qualquer ambiente em qualquer momento”. Depois disso, a profissional começou a preparar o cabelo da voluntária, enquanto Mário Lopes já tirava fotos da maquiada. O resultado do penteado foi simples e bonito, Macíria fez uso do baby liss para cachear o cabelo da modelo “eu acho maravilhoso volume, eu acho que a mulher precisa de volume”, disse.

Foto: Maria Navarro
Foto: Maria Navarro

Finalizado o trabalho, Macíria completa: “eu fiz uma pele natural, o olhar é muito importante, principalmente pra fotografia”. Nessa experiência, ela mostrou também como se virar diante de um imprevisto, “com o batom, eu tive que ser criativa porque esqueci o estojinho de batom”, improvisando-o com uma mistura de blush e creme. E então anuncia: “Mário… Toda sua!”, sendo aplaudida e elogiada pelos alunos.

Bruno Queiroz (20), estudante do 3º semestre do curso de Design de Moda, transferiu-se para a Unifor e diz estar empolgado em relação à instituição. Bruno já conhecia o trabalho de Márcio Lopes e o admira como profissional. “Eu acho que dentro de Fortaleza ele é um dos poucos realmente bons e trabalha fotografia de moda sem ficar ostentado igual aos outros”. Ao final da demonstração, Bruno disse que esperava uma maquiagem mais conceitual, mas ainda assim achou interessante.

Texto: Lorrana Feitosa