[Claquete] Karla e Kátia, duas mulheres que combinam

KATTIA

A diretora Karla Holanda saiu de Fortaleza, onde trabalhava como fonoaudióloga, para o Rio de Janeiro tentar a vida com o Audiovisual; uma escolha arriscada. Mas Karla conseguiu chegar aonde queria; fez diversos trabalhos, em sua maioria, documentários e pouquíssimas pequenas ficções, todos em curta-metragem. Em 2012, Karla lança seu primeiro longa-metragem: Kátia, um documentário sobre Kátia Tapety, a primeira travesti eleita vereadora no Brasil.

Certa do que está querendo transmitir ao espectador, Karla nos faz encontrar felicidade e até paz num cenário de pobreza. Embora estejamos assistindo a um filme sobre uma “celebridade” e sobre uma pessoa política, o que vemos, embora, não passa de um cenário daqueles de sertão nordestino: vacas magras, terra amarela, sol quente, cercas. É curioso conhecer a vida de uma mulher que é uma típica moradora, com típicos afazeres nesse sertão, mas uma mulher que, ao mesmo tempo, é tão determinada em seus objetivos imateriais. Kátia não se envergonha com a câmera em nenhum momento, até se expõe às vezes.

Kátia

O sentimento de proximidade e intimidade que sentimos entre toda a produção do longa e Kátia se intensifica quando, em uma cena, Kátia pede para que a filmem descendo as escadas. O editor permitiu que essa cena de bastidores entrasse no corte final e também decidiu mostrar Kátia descendo a escada, sorridente, como se tivesse sido espontâneo. É nesse momento que parece fazermos parte do longa de Karla; sentimos que Kátia deseja ser filmada, deseja contar a sua história. A todo instante, assim que nos é apresentado um novo “personagem”, Kátia sempre faz questão de apresentar a equipe e de evidenciar: “estão fazendo um filme meu…”.

“Kátia”, evidenciando a personalidade da protagonista, faz questão de trabalhar com discussões antigas como a aceitação da homossexualidade pela família, por exemplo. Em uma simples entrevista, descobrimos que existe apenas um familiar que a chama de Kátia; os outros, recusando-se a aceitar a sua condição, as chamam pelo nome de batismo.“Ela é minha irmã…”, evidencia seu irmão, já velho, mas com nenhum problema em torno de Kátia.

Kátia 2

Embora esse documentário seja bem irregular, sem ritmo satisfatório, ainda é divertido de se assistir. Divertido por que se trata de algo real, de uma pessoa que tem uma história para nos contar e tem uma espiritualidade para nos transparecer. É interessantíssimo assistir a pessoas que “se interpretam” em vida real e nos contam o que acham, o que fazem… E isso, Karla Holanda, junto a sua equipe, sabe fazer muito bem.

Texto: Arthur Gadelha

 

Ficha Técnica

Ano: 2012

Título Original: Kátia

Direção: Karla Holanda

Roteiro: Karla Holanda

Produção: Karla Holanda, Alcilene Cavalcante, Leonardo Mecchi

Gênero: Documentário

Fotografia: Karla Holanda

Duração: 74 min.

Origem: Brasil

[Claquete] Brandão: fabricante de sonhos

Brandao-poster

Roteirizado e dirigido por Ronaldo Barreto, estudante de cinema da Vila das Artes e do Porto Iracema das Artes, o média metragem Brandão traz a estética de histórias em quadrinhos (HQs) aplicada ao formato de documentário e propõe-se a mostrar a carreira do quadrinista cearense Daniel Brandão, por meio de depoimentos cruzados que oferecem uma visão ampla de sua vida pessoal e profissional, além de um panorama geral do cenário artístico cearense no que concerne à mídia HQ.

Com edição e montagem ousadas, o documentário traz a tela quase sempre dividida em quadrinhos e, fazendo uso combinado de preto-e-branco, sépia e colorido, além de direcionar o foco de atenção do espectador em cada cena, reproduz a estética do universo em que pretende mergulhar: as histórias em quadrinhos.

Entrevista com Brandão.
Entrevista com Daniel Brandão.

Compondo-se como uma mescla de depoimentos dados por pessoas ligadas pessoal ou profissionalmente a Daniel Brandão – de seu pai e sua esposa até o cartunista Mino e o jornalista e desenhista Geraldo Jesuíno -, o documentário expõe todo o percurso da carreira de Brandão, desde o início na Oficina de Quadrinhos da UFC até os dias atuais, salientando sua passagem pela renomada escola americana de cartoon e artes gráficas The Kubert School e seus esforços pessoais, que endossam sua visão profissional de primazia da dedicação sobre o talento.

Passeando brevemente pelo conjunto da obra do quadrinista, com destaque para suas contribuições em Capitão Rapadura e Manicomics, o documentário fornece ao espectador um panorama histórico do desenvolvimento do meio artístico no Ceará em relação às histórias em quadrinhos.

Capitão Rapadura

Além disso, ao final da obra, Daniel Brandão presenteia-nos com sua visão extremamente poética acerca do ofício de quadrinista: “O sentido da minha vida é correr atrás dos meus sonhos. Sou um sonhador nato, um fabricante de sonhos. Quem escolhe fazer quadrinhos não escolhe fazer quadrinhos para si, não escolhe uma profissão autocontida.”

O documentário Brandão já foi exibido em um festival nacional de quadrinhos em Curitiba e também no Festival ManiFesta!. A próxima exibição em Fortaleza ocorrerá neste sábado (25), às 15h40, no auditório da Gibiteca (Av. da Universidade 2572), como parte da programação do evento comemorativo do Dia do Quadrinho Nacional.

Ficha Técnica

Título Original: Brandão
Ano: 2013
Direção: Ronaldo Barreto
Roteiro: Ronaldo Barreto
Gênero: documentário
Duração: 35 min.
Origem: Brasil

Texto: Lia Martins

[Lar Maior] Documentário sobre Maracatu é lançado no evento

563662_181636861986632_631460725_nRádio Unifor está ligada no Lar Maior.  O evento organizado e promovido pelo Curso Superior de Tecnologia em Eventos e pelo Núcleo Integrado de Comunicação (NIC) nos dias 8 e 9 de maio, tem como objetivo integrar os cursos do Centro de Ciências da Comunicação e Gestão (CCG). Durante o Lar Maior, aconteceu o laçamento do documentário “Rei do Congo”, que trouxe aos expectadores ricas informações sobre o Maracatu em Fortaleza, prática artística pouco conhecida no Ceará. Entrevista com Ousiel Neto, aluno da Universidade.