Jornalista Luís Nassif prevê crescimento para o Nordeste por meio de microempreendedores

O Nordeste, juntamente com a Amazônia e o Centro-Oeste, são as zonas de crescimento dos próximos anos. Foi o que o jornalista econômico Luís Nassif declarou nesta quinta-feira (18), no auditório da Receita Federal. A palestra faz parte da quinta edição do Prêmio Sefin de Finanças Municipais. “O Nordeste tem uma capacidade incrível de organização social do empreendedor”, defendeu.

Palestrante Luis Nassif, jornalista econômico. / Foto: blogdubois.com.br


O aumento do salário mínimo e o programa bolsa família tiraram muitas pessoas da pobreza. Regiões que antes estavam estagnadas passaram a gerar consumo. Esse mercado consumidor permite o desenvolvimento dos pequenos empreendedores, que, no Nordeste, são os artistas populares e os profissionais do artesanato, segundo Nassif. Para ele a consequência maior dessas mudanças é um salto na economia.

O jornalista traçou um panorama da história econômica brasileira e afirmou que há cerca de quatro anos ocorreu um fenômeno importante: a recuperação da autoestima nacional. Com isso, o jeitinho brasileiro, antes visto de forma depreciativa, é analisado de forma positiva atualmente. “Somos descolados, temos habilidade”.

Além do palestrante, o evento contou também com as presenças do vereador Acrísio Sena, presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, e do secretário de finanças da capital cearense, Alexandre Cialdini.

A abertura da cerimônia ficou a cargo do Grupo Companhia Lua de Teatro, que apresentou a esquete “Os primos”. Em tom lúdico, os três personagens contaram a história do primo rico e do primo pobre com pinceladas de esclarecimentos sobre educação fiscal. Porque “a bem da cidadania/ é preciso explicar/ é preciso aprender/ é preciso se informar”, como cantaram os atores.

O Prêmio Sefin é promovido Secretaria de Financas com o objetivo de promover a educação fiscal.

Serviço
Informações: www.sefin.fortaleza.gov.br/premiosefin
Fone: 3452 1481

Texto de Marília Pedroza

2010: uma década de otimismo

Foto: google imagens

Em 2008, Ricardo Amorim trocou Nova Iorque por São Paulo. Não, ele não estava louco. Ontem, nos Diálogos Universitários, no auditório do curso de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC), o economista explicou sua razão para se mudar: o mundo não é mais o mesmo.

Desde a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, a economia mundial se transformou. O país  trouxe consigo mais de 1 bilhão de novos consumidores e mão-de-obra barata. A Índia trouxe os mesmos fatores para o cenário econômico. Para se ter uma ideia, a renda per capita chinesa é 1/3 da brasileira; a indiana, 1/7.

E o que o Brasil tem a ver com isso? Nosso país saiu ganhando porque temos o que os chineses e indianos precisam consumir: commodities (matérias-primas) e comida. Ainda sem contar com o Pantanal e a Amazônia, o Brasil é o país que tem mais áreas plantáveis no mundo. Já é o segundo exportador de soja para a China, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Na Índia, o produto mais consumido é o açúcar, a “garapa”, pois é o mais barato disponível. Saimos ganhando, também, com a urbanização desses dois países. Na China, 18 cidades, de no mínimo 5 milhões de habitantes, estão construindo seus sistemas de metrô, com várias linhas. Precisam de muito cimento e de ferro, o que nós podemos exportar.

Nessa cena, no entanto, a economia americana e europeia aparecem em decadência. Amorim ressaltou, em seu discurso, a recente crise americana, a possível crise europeia (por causa dos “PIGS” europeus: Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha – países que estão endividados e, provavelmente, vão dar o calote) e a estagnação do crescimento nesses países.

O economista acredita que essa onda de sorte vai perdurar por uma ou duas décadas. A curto prazo, os juros e a taxa do cumpulsório vão aumentar, por causa do crescimento do consumo e da inflação no Brasil. No entanto, em um prazo mais longo, os juros tendem a cair, o dólar vai ficar bem mais barato e o crédito aumentará. Sem falar que vão chover investimentos. Ele disse que se os anos 1980 foram a década perdida, 2010 vai “se encontrar”. Resta a nós aproveitar.

Texto: Gabriela Ribeiro