“Não existe professor de ‘coisa’, mas sim professor de ‘aluno'”

Foto: Eduardo Cunha
Foto: Eduardo Cunha

No último sábado, 22, a Universidade de Fortaleza (Unifor) recebeu, no IV Encontro Pedagógico promovido pela Vice-Reitoria de Graduação, a psicóloga psicanalista e especialista em elaboração e implementação de políticas públicas, Viviane Mosé. O evento, realizado no Ginásio Poliesportivo da Unifor, reuniu o corpo docente da Universidade para pensar sobre a educação e o papel do educador.

Durante a palestra, Mosé, utilizando-se de referências como os autores Michel Foucault e Friedrich Nietzsche, percorreu das pirâmides do Egito, passando pela pirâmide conceitual grega e pelo desenvolvimento das corporações para explicar a maneira de educar que perpetuou-se durante séculos. Historicamente, segundo ela, o professor, ou “detentor do ouro”, posicionou-se a frente, recusando-se a partilhar de todo o seu conhecimento com o aluno. “O melhor professor era aquele que falava difícil, era uma coisa linda. Essa hierarquia do sábio hoje não nos interessa”.

A função do conteúdo e a importância da internet na redefinição dos rumos do aprendizado também foi enfatizada pela filósofa. “Foi apenas com a internet que o modelo piramidal se desfez. A internet, de fato, compartilhou conteúdo. Especialmente com a rede social”.

Foto: Eduardo Cunha
Foto: Eduardo Cunha

Mosé cativou o público, compartilhando sua experiência como educadora. A necessidade de exercitar a interpretação nos bancos escolares, acrescentando os acontecimentos do dia-a-dia às discussões em sala de aula, foram alguns exemplos. A psicóloga também enfatizou a importância da valorização do conhecimento como um todo. E pediu à plateia: “Tenham vários ouvidos. Não existe professor de ‘coisa’, mas sim professor de ‘aluno'”.

A palestrante pontuou, admitindo como um defeito seu, a maior atenção e valor que muitos professores atribuem aos alunos mais interessados e disciplinados. Admiradora de Nietzsche, Mosé associou aquele que ostenta saber muito, ou erudito, a uma frase do filósofo: “Eu não gosto dos poetas, nem dos antigos nem dos novos. Pra mim, são oceanos ressecados, não são limpos para o meu gosto. Turvam as águas para parecerem mais profundas“.

Repercussão

A professora do Centro de Ciências da Gestão, Carmen Luisa Cavalcante, aplaudiu a palestrante de pé. “Achei excelente. Mosé pensa. Ensinar não é só a roupagem, não é só o datashow. Ela destruiu isso”.

Flávio Ferreira, estudante de Publicidade e Propaganda, também esteve no evento. “Achei a palestra fantástica”, comentou empolgado. “Foram assuntos muito pertinentes à sala de aula. Viviane falou sobre assuntos que outros não falam, como a necessidade de que se enquadre o conhecimento”.

Em entrevista exclusiva ao Blog do Laboratório de Jornalismo, Viviane Mosé comentou sobre o Jornalismo e o ensino da área do conhecimento nas universidades. “A crise na formação do jornalista é algo muito sério. Nossos jornalistas formados, muitos de ótima formação, nem estes estão conseguindo dar conta. Jornalismo é classicamente a formação da generalidade, o jornalista faz o meio, é a mediação, atende a todos. É fundamental que se pense em sua formação com mais Filosofia, Sociologia e História. Em um período de crise, se os jornalistas não forem pensadores, ousados, corajosos, serão reprodutores . Isso não é mais possível”. 

Texto: Janine Nogueira 

Protesto reivindicará educação de qualidade em Fortaleza

Foto: Fábio de Mello Castanho/Terra
Foto: Fábio de Mello Castanho/Terra

Acontece, amanhã, 21, o Operação Educação 10. O protesto, que tem como finalidade cobrar dos governantes uma educação de qualidade para o país, vai ocorrer  às 16 horas, em frente ao Dragão do mar. Na página do Facebook, já existem mais de 10.000 pessoas confirmadas.

“A questão de que o progresso de um país está fortemente atrelado à sua relação com a educação em todas as esferas não é sequer questionável”, informa a página do evento. É válido ressaltar que o movimento é a favor da não-violência e contra o vandalismo por parte dos manifestantes, principalmente por pregarem pela educação.

O grupo publicou nas redes sociais uma lista com propostas para investir na educação. Entre elas, estão a criação de Escolas em tempo integral para a melhor capacitação dos alunos; Não ao desvio de verbas destinados a educação e a valorização do professor. Que amanhã a educação torne-se, verdadeiramente, a principal pauta entre as obrigações políticas do Brasil.

Texto: Thaís Barbosa

Chegou a hora de defender os trabalhos

O TCC é a finalização de um ciclo/ Foto: Marina Duarte

O fim do semestre já faz parte do imaginário dos universitários por ser um período de muitos trabalhos e provas, entre outras atividades. Mas, para um grupo de alunos, esse período se torna ainda mais intenso, os concludentes. Para quem está se formando chegou a hora de apresentar o seu trabalho de conclusão de curso, o TCC. Esses trabalhos são feitos durante o último semestre do curso e apresentados a uma banca, onde, em algumas universidades como a Unifor, cabe ao aluno defender o que fez. Normalmente, esses trabalhos são feitos como monografia, mas, em alguns cursos, também podem ser produtos.

Esse é o caso da dupla Fabiane de Paula, que está se graduando em Publicidade e Propaganda e Waleska Santiago, que está se formando em Jornalismo. Elas estão fazendo um documentário sobre os pescadores do bairro Pirambu. O filme mostra seu cotidiano e trabalho. Fabiane se diz nervosa para a defesa do vídeo. “Estou bastante ansiosa para a apresentação, mas acho que todos vão gostar, pois o vídeo tá bem sensível e bonito, e as histórias emocionantes”.

Layza Patrícia, que está terminando o curso de Jornalismo, está fazendo a sua monografia sobre jornalismo cívico no “Meu Bairro Na TV”, onde discorre sobre o quadro do jornal CETV, da TV Verdes Mares. Ela diz que, muito tempo antes de começar a fazer, já pensava nesse tema. Passou a ler sobre o assunto aos poucos e fez o trabalho em três meses. Sobre a defesa, ela se mostra ansiosa, mas confiante. “Eu fico me perguntando se eu fiz o suficiente, se podia ter sido melhor. Mas, estou com boas expectativas e louca para defendê-lo”.

Pedro Humberto está concluindo o curso de Administração na Universidade Estadual do Ceará (UECE). Seu trabalho é sobre Valuation, termo em inglês para avaliação de empresas, área de finanças que estuda esse processo de avaliação. Ele não precisa defender o seu trabalho, mas mesmo assim está ansioso e não vê a hora de entregar a monografia.

Segundo a professora Solange Teles, do Programa Tutorial Acadêmico(PTA), o trabalho é importante por ser a finalização de um ciclo. Nele, o aluno tem a oportunidade de refletir sobre o que estudou durante a graduação. “Essa reflexão é a principal diferença entre um curso técnico e uma universidade”, explica.

Texto: Hyana Rocha

Orientação: Prof. Alejandro Sepulveda

Mulher de 91 anos aprende a ler e escrever

Dona Mocinha é a aluna mais velha do ensino público de Fortaleza / Foto: Ana Lorena Magalhães

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o Brasil possui cerca de14 milhões de analfabetos. São jovens, adultos e idosos que registram-se através de suas impressões digitais. Em Fortaleza, na escola municipal Catulo da Paixão Cearense, estuda Dona Maria das Dores de Sousa, uma senhora de 91 anos, que há um ano descobriu na educação um novo sentido para a vida.

Dona Mocinha, como é mais conhecida pela comunidade escolar, estuda no Ensino de Jovens e Adultos (EJA) da escola desde abril de 2011 e é a aluna mais velha do ensino público de Fortaleza. O sonho de aprender a ler e escrever só pode ser concretizado após o estímulo de uma vizinha, que também estuda na escola. “Meu sonho sempre foi aprender a ler e escrever. Nunca tive a oportunidade de ir à uma escola porque tinha que trabalhar e ajudar no sustento da casa. Depois de velha foi que eu tive essa chance, e aqui estou”.

A senhora de olhar atento não poupa as palavras estampadas nas propagandas que vê no caminho de casa à escola. Ela afirma que essa prática a ajudou bastante para o aperfeiçoamento da leitura, que adquiriu tão rápido. Dona Mocinha estuda diariamente em casa depois dos afazeres doméstico. Para ela, exercitar a ortografia todos dias faz com que aprenda mais rápido e seja mais bem vista pela sua dedicação.

Seguindo em frente na linha do lápis

A leitura e escrita básicas ajudaram a senhora a entender mais sobre os seus direitos. Agora, Dona Mocinha, reivindica com mais segurança sobre os seus benefícios financeiros, problemas relacionados ao seu cartão de aposentadoria e INSS. Já pode até fazer compras assinando o próprio nome, sem a necessidade de usar a impressão digital.

Uma de suas maiores realizações foi poder ter dado o estudo ao único filho. Hoje ele mora no interior do estado, e é formado em engenharia. Dona Mocinha mora só, mas fala com frequência com o filho e as netas. “Eu me sinto muito realizada em poder ter dado uma boa educação ao meu filho. Foi a coisa que eu mais me preocupei quando ele começou a crescer. Hoje ele e minhas três netas têm estudo e são cidadãos com conhecimento. Isso me deixa orgulhosa”

Sua força de vontade é admirada por todos na escola. O acolhimento presente na sala de aula, no pátio ou na secretaria é bem visto por Dona Mocinha. Para a professora da turma, Karla Paiva de Lima, o andamento da leitura e escrita da senhora está sendo muito positivo e rápido. “A Dona das Dores é um exemplo que eu sempre uso para os meus alunos mais novos. Porque diferente da maioria, que estão aqui para crescer profissionalmente, ela só quer aprender a ler e escrever para uma realização pessoal. Essa vontade é muito admirável. Ela é uma das que está tendo mais aquisição da leitura em tão pouco tempo”.

A senhora estudante tem muito a dizer, principalmente quando se trata de jovens que não valorizam a escola. Ela mostra-se indignada com alunos que fogem do colégio ou faltam aula sem necessidade. “Eu acho uma pena que esses jovens de hoje não valorizem o que têm. Eles nem imaginam o quanto estão sendo prejudicados. Quem dera eu tivesse tido essa educação tão cedo.”

Assim como não economiza a soletração das palavras na rua, Dona Mocinha não poupa sonhos. Sempre com um olhar à frente, ela não quer parar de trabalhar, mesmo aposentada, e muito menos de estudar. O seu maior objetivo agora é ter domínio completo da escrita e leitura. “Agora que comecei, não vou mais parar. Eu sei que estou indo pelo caminho certo. Sempre que eu leio uma palavra, e pergunto a minha professora se eu acertei, e ela diz “sim”, isso me deixa muito feliz, e com ânimo pra continuar”.

Texto: João Paulo de Freitas 

E você? Vai pra final?

Alunos se esforçando nos últimos dias do semestre/ Foto: Thalyta Martins

No fim do semestre é cada vez mais comum ver alunos comendo e estudando ao mesmo tempo no Centro de Convivência( CC). Os tablets, smartphones e notebooks são deixados de lado e todos estão mais compenetrados no conteúdo de seus livros. Nesta hora não podemos perder tempo e quem não quer ir para a Prova Final não está poupando esforços para poder recuperar nota ou até mesmo passar direto e ficar de férias mais cedo. O que muita gente não sabe é que, mesmo estudando muito, tem aluno que nem terá a chance de fazer a Avaliação Final.

Funciona assim: para você poder recuperar sua nota com a AF você deve ter acumulado, pelo menos, 8 pontos na cadeira. Se você tem nota 3 na NP1 e 4 na NP2 (3+ 4= 7) você já está reprovado.  A nota mínima que você pode alcançar na AF é 4, mas nem sempre estes 4 pontos são suficientes para concluir a cadeira, pois você precisa ter, pelo menos, 15 pontos para ser aprovado- somando as 3 avaliações (NP1+ NP2+ AF) e dividindo por 3 a média deve ser igual a 5.
Então muitos vão para a final precisando de uma nota maior que 4 para ser aprovado.
Para mais esclarecimentos converse com o seu professor e veja como está a sua situação.

Texto: Giselle Nuaz (gisellenuaz@gmail.com)

Orientação: Profa. Adriana Santiago