Jovens empreendedores impulsionam desenvolvimento no Ceará

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Kássio César (à direita), de 25 anos, e suas funcionárias, da Ideia de Evento. Foto: Arquivo Pessoal

Quando produziu seu primeiro evento de grande porte, uma apresentação em Fortaleza da cantora Preta Gil, o empresário Kássio César Oliveira, à época com 19 anos, chegou a ser barrado, na entrada do show, pelo próprio segurança que contratou. “É você mesmo quem tá organizando isso?”, perguntou o homem de farda, sem acreditar que aquele “moleque” era o responsável por tudo aquilo. O tal garoto, hoje com 25, ri quando lembra da história, e admite que, desde criança, quando alugava projetores para suas apresentações escolares, sabia que a área de eventos era a sua vocação.

Aos 22 anos, em 2009, depois de trabalhar em algumas empresas do setor, ele montou a própria produtora, entrando, assim, para o grupo de 73 mil empreendedores cearenses com idade entre 18 e 24 anos, segundo dados do Censo Demográfico 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Sem a experiência dos mais velhos, mas com a força de vontade dos mais novos, Kássio teve seu primeiro grande desafio, como dono do próprio negócio, no início de 2010, quando, com apenas alguns meses de projeto, recebeu a missão de organizar a Bienal Internacional do Livro daquele ano.

“Na época eu participei do edital de licitação para promover o evento e fiquei em segundo lugar. Os ganhadores do edital desistiram faltando pouco tempo para a data. Daí o governo me ligou e perguntou se eu não queria fazer. Eu acabei topando, mas tive muito pouco tempo para organizar tudo. Foi uma verdadeira prova de fogo, foram quase 500 mil pessoas”, lembra.

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E é essa disposição uma das principais características de quem se aventura como empresário tão cedo, conforme aponta Adalberto Brandão, coordenador do Desafio Brasil, programa de estímulo ao empreendedorismo, da Fundação Getúlio Vargas. “Eles são mais ágeis, adaptam-se mais facilmente às novas tecnologias, buscam conhecimento internacional e procuram soluções mais abertas”, descreve.

“Além disso, o que tem acontecido com mais frequência, hoje, é que os jovens estão entrando na faculdade e consideração como alternativa de carreira a abertura de um negócio na área, sem necessariamente ser estudante de administração” destaca. Brandão cita como exemplo estudantes que cursam gastronomia e já se formam pensando em abrir um restaurante, e não em começar como chef em algum estabelecimento já existente.

Foi isso o que pensou a designer de moda Nayana Estanislau, que já no primeiro ano de graduação na área, criou a própria grife, com apenas 18 anos. Em entrevista ao Blog do Labjor, ela contou como tudo começou e como tem trabalhado para consolidar a sua marca em um mercado tão competitivo.

 Confira o vídeo:

Daqui para frente
Enquanto ainda engatinha como designer de moda, tendo apenas como ambiente de trabalho um pequeno quarto no apartamento onde mora (chamado carinhosamente por ela de “espaço-lojinha”), no bairro Cocó, Nayana sonha alto. Tem como objetivo montar suas primeiras lojas físicas em Fortaleza e depois se espalhar pelo resto do País e do mundo, sem deixar, é claro, de fazer suas vendas pela internet.

A quase quatro quilômetro do espaço-lojinha de Nayana, sentado no escritório de uma pequena sala comercial, na Avenida Santos Dumont, Kássio sabe que as conquistas vêm aos poucos. “Primeiro eu quero me consolidar no mercado fazendo eventos de pequeno e médio porte, para depois começar a fazer grandes eventos”, planeja. Para isso, ele se inspira em alguns mestres do meio empresarial. “Quando tenho a oportunidade de me encontrar com empresários de sucessos do Ceará, como Beto Studart e outros, fico ouvindo suas histórias de trabalho e percebo que nenhuma conquista será fácil. Daí fico com mais vontade ainda de trabalhar”, conta.

Capacitação

Aos jovens cearenses que desejam montar o próprio negócio, oportunidades de capacitação não faltam. Uma delas é o projeto Juventude Empreendedora (Juvemp), promovido pelo governo estadual, através do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT). Só em 2012, a iniciativa passou por nove municípios do Interior, formando cerca de 450 jovens, 50 em cada em cidade.

“A formação é dividida em quatro etapas. Primeiro nós estimulamos os alunos a fazer pesquisas sobre os lugares onde moram, identificam as principais carências da comunidade. Em seguida eles elaboram projetos profissionais, baseados na primeira pesquisa que fizeram. Depois eles recebem aulas de empreendedorismo, gestão, matemática aplicada, etc. O último passo é encaminhá-los para o mercado”, detalha o coordenador de projetos educacionais do IDT, João Nogueira. A Juvemp já passou por 27 municípios cearenses e deve passar por mais nove em 2013.

Outra opção é a Junior Achievement , uma organização sem fins lucrativos criada em 1919, no Estados Unidos, para investir na educação empreendedora de jovens, a fim de estimular a economia dos países. Com atuação no Ceará, em 2012 a JA, por meio do programa Miniempresa, foi responsável pela formação de 400 jovens, todos estudantes ensino médio, de escolas públicas de Fortaleza e Maracanaú.

Texto: André Ítalo Rocha