“Não orientaria ninguém a ser assessor antes de ser repórter de redação”

Foto: Amanda Carneiro
Foto: Amanda Carneiro

Os alunos da disciplina de Assessoria de Comunicação, do curso de jornalismo da Unifor, realizaram o seminário Assessoria em Pauta, ocorrido na manhã da última quinta-feira, 21.. O evento contou com a presença de quatro assessores, incluindo Wagner Borges, coordenador do curso de jornalismo do campus e professor da disciplina que organizou o evento.

No seminário estava a assessora da Secretaria de Saúde do Estado, Selma Oliveira; Pedro Aryell, jornalista e assessor de imprensa do Mucuripe Club, da  Social Music e do Ceará Music; e Guto Castro Neto, assessor de imprensa do Iguatemi e da Fundação Cearense de Meteorologia e recursos Hídricos (Funceme).

Os palestrantes decorreram sobre suas profissões, esclarecendo os pontos fundamentais que caracterizam um bom assessor de comunicação. Para Wagner Borges um assessor tem que incorporar diversas personalidades de acordo com os locais em que se encontam, “assessores são escrizofenicos”, brincou.

Guto Neto alertou sobre a importância do profissional conhecer o seu produto e a imprensa, focando no serviço que está sendo ofertado. Ele destacou, também, que é fundamental construir contatos e relacionamentos durante a carreira. Pedro Aryell criticou a mecânica que os assessores da área de entretenimento costumam ter ao se prenderem apenas ao release, e que muitas vezes acabam possuindo uma lógica mercadológica. “Culpo os diretores, pois muito deles trabalham na mecânica de sempre construir notícias em negócios”, falou. Selma Oliveira, que trabalha para um órgão público, decorreu sobre a prática falando que “ser assessora pública é o dever de atender 24 horas por dia”. Ela relatou que é preciso estar disposta para atender telefonemas de clientes em qualquer horário. “Eu não consigo ter um celular privado”.

Foto: Amanda Carneiro
Foto: Amanda Carneiro

Para Selma, a assessoria está em profunda sintonia com a prática dentro das redações jornalísticas. “Não orientaria ninguém a ser assessor antes de ser repórter de redação”, alegou, uma vez que a velocidade de produção existente nos dois meios é muito parecida; em seu trabalho ela costuma elaborar cerca de cinco textos por dia. O assunto se estendeu sobre a mesa, e Guto Neto concordou com Selma, falando que a redação é a base sólida para entender o funcionamento da assessoria. Ele, que já trabalhou como editor do caderno de esporte do jornal Diário do Nordeste, falou que esta experiência o ajudou muito na profissão que exerce hoje. Já Pedro Aryell teve experiência com a redação no seu estágio na TV Jangadeiro, ressaltando ser importante trabalhar na área para entender a lógica da assessoria, mas não gosta da velocidade que a redação exige, mesmo se considerando uma pessoa rápida em suas atividades.

A multifuncionalidade foi também um ponto destacado no evento. Selma Oliveira falou que um bom assessor tem que atuar em diversas áreas, sendo jornalista, fotógrafo e designer ao mesmo tempo. Guto Neto disse que, por solicitação de uma repórter do Diário do Nordeste, teve que “virar fotógrafo por um dia”, o fazendo concluir que “um assessor tem que estar preparado para tudo, e fazer seu trabalho além da demanda”.

O gerenciamento de crise foi um tópico decorrido por Selma Oliveira, que alertou sobre a desinformação presente nos meios comunicacionais. “O que parece crise, muitas vezes é só falta de informação e comunicação. É preciso sintonizar a comunicação interna com a externa”. Ela acredita que não há um modelo definido de se prosseguir diante de uma crise, mas que, com a ética, é possível vencê-las. “A ética é a base para resolver os problemas que surgem dentro e fora da empresa”. Sua abordagem sobre a ética foi explorada pelos demais presentes, que fecharam o seminário falando da importância de se ter um profissional ético, fator que ajuda e motiva os assessores a fornecerem mais informações.

Texto: Giovânia Alencar

“Se você estiver pensando em abrir seu próprio negócio, nunca mude seu ícone”

Daniel Calderoni. Foto: Thiago Gadelha
Daniel Calderoni. Foto: Thiago Gadelha

A Unifor recebeu, na última terça-feira, 19, no Teatro Celina Queiroz, o gestor de marketing Daniel Calderoni, que deu continuidade à série de palestras do projeto Você Empreendedor, uma parceria do Centro de Ciências de Comunicação e Gestão (CCG) e do Jornal Diário do Nordeste, com o tema Marketing Internacional. O foco era, principalmente, atrair alunos dos cursos de Administração, Marketing e Economia.

Formado em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas, Calderoni contou um pouco de sua história e de suas experiências enquanto profissional renomado na área em que atua. Sua primeira grande oportunidade foi ao ser selecionado em um processo de trainee para trabalhar na multinacional Unilever. A partir daí, foi transferido para China, África do Sul e Índia e gerenciou marcas famosas como Rexona e OMO.

O objetivo da palestra foi dar dicas de como conduzir negócios em um ambiente global por meio de uma perspectiva de marketing. Para isso, Daniel detalhou, em cinco pontos, conceitos que considera fundamentais para se construir uma marca forte. O primeiro, Single Mindness, consiste na ideia principal que uma empresa utiliza pra lhe representar. Em seguida, a Consistência, que exige disciplina e dedicação quanto à qualidade do produto. No terceiro ponto, a Identidade do Ícone, que se explica na velha frase “Uma imagem vale mais que mil palavras”; Os conceitos de Diferenciação, que chama a atenção do consumidor para vencer a concorrência, e de Relação Emocional, um dos principais métodos de atração publicitária, transmitindo ao cliente a sensação de lealdade e identificação pessoal.

Foto: Thiago Gadelha
Foto: Thiago Gadelha

“Se você estiver pensando em abrir seu próprio negócio, nunca mude seu ícone. Coca-cola e Kellogg’s, por exemplo, estão na mente do consumidor pra sempre, pois nunca mudaram sua identidade visual. Demore, pense, mas, ao criar, não mude”, disse o paulistano.

Calderoni falou ainda sobre os Insights, ou seja, as ideias que atingem as profundezas da mente do consumidor e embasam uma campanha. Elas são globais, mas suas adaptações são locais. Por isso, uma mesma marca apresenta comerciais com um mesmo sentido, em diferentes países, representados de acordo com a cultura de cada região. “Uma palavra para definir um bom Business? Confiança”, concluiu. Ao encerrar, o palestrante respondeu às perguntas dos participantes e deu dicas para uma boa inserção no mercado. “Me senti extremamente inspirada com a palestra e com as conquistas do Daniel, foi excelente!” contou Ravelly Marques, jornalista.

Texto: Fernanda Gurgel