[Foca Nessa] Museu da Escrita – espaço simbólico do pensamento humano

Foto: Divulgação
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Ao mesmo tempo em que escolas de 40 estados americanos abandonam a obrigatoriedade do ensino da letra cursiva, pesquisadores endossam a importância cultural da tradicional comunicação do “papel e caneta”. Em novembro de 2012, foi criado, em Fortaleza, o Museu da Escrita, instituição que enaltece a histórica importância da comunicação por meio da grafia e dos símbolos criados para registrar o pensamento humano e perpetuá-lo, ultrapassando barreiras do tempo e do espaço.

O museu faz um apanhado histórico desde as pinturas rupestres – aquelas feitas pelos ‘homens das cavernas’ – passando por livros manuscritos, penas e tinteiros, papiros, prensas tipográficas, máquinas de escrever do século XIX, até as Enciclopédias (que muitos chamam de ‘antigo Google’).

O abc, de norte a sul

Museu da Escrita 2
Foto: Divulgação

Por meio das 16 salas do museu, pode-se ter ideia de como a história da grafia é longa, acompanhou as expressões humanas mesmo em culturas das mais diferentes e longínquas. Para os visitantes, isso fica claro ao observar as bíblias em diferentes línguas, como em mandarim e até em um dialeto indígena da Amazônia, expostas no local.

Se contarmos o universo acadêmico, alguns alunos, e certamente, mais professores, tiveram contato com vários objetos similares aos expostos no Museu da Escrita. Cadernos de caligrafia, apontadores de mesa, quadros negros com giz de cêra – todos artigos obsoletos, mas que quando lembrados, memoram uma época de aprendizado e comunicação cada vez mais diferentes dos atuais.

Cadernos de Caligrafia. Foto: Divulgação
Cadernos de Caligrafia. Foto: Divulgação

Principalmente aos comunicadores, conhecer o Museu da Escrita pode significar uma oportunidade tangível de vivenciar uma parcela da história da comunicação. Aos curiosos e afins, fica a ideia para desvendar os segredos da escrita – seja ela cursiva, por teclas ou touch screen.

Serviços

Museu da Escrita

Local: Rua Dr. Walder Studart, 56, Bairro Dionísio Torres

Telefone: (85) 3244.7729

Entrada: R$ 5,00

Texto: Manoela Cavalcanti

Oficina de Escrita Criativa motiva estudantes

Foto: Carlos Bittencourt

O tom de troca de experiências, dicas e tira-dúvidas marcou a oficina de Criative Writing (Escrita Criativa), promovida pelos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda em parceria com o consulado dos Estados Unidos, na última sexta-feira (18/05), na Universidade de Fortaleza. O evento foi um encontro entre escritores profissionais norte-americanos e estudantes de Comunicação Social, o que motivou aqueles que já se iniciaram no mundo da literatura. Escrever criativamente é usar de sentimentos e sensações para contar histórias, sintetizou um dos palestrantes.

Os escritores ressaltaram que, para escrever é necessário ter, além de talento, disciplina. E que não dá para esperar a inspiração chegar, pois ela raramente vem do nada, é preciso buscá-la. Essa busca pode ser nos livros, filmes ou em qualquer outra atividade não necessariamente ligada a alguma atividade intelectual. O “eu não sei” é o sentimento que deve motivar um escritor a tentar descobrir sempre coisas novas.

Para finalizar a oficina, após uma troca rica em experiências literárias, facilitada pela tradução simultânea, os palestrantes desafiaram o público com dois exercícios de escrita, que deveriam ser feitos em 7 minutos. O primeiro consistiu em escrever uma história curta usando quatro palavras, escolhidas aleatoriamente pelos escritores e, o segundo, em descrever com riqueza de detalhes sensoriais um lugar importante para cada um dos presentes. Ao fim dos sete minutos, alguns alunos leram o que produziram e os palestrantes se mostraram satisfeitos com os resultados. “Foi muito bom. Deveria ter uma disciplina de escrita criativa – no curso de Jornalismo- , mesmo que fosse optativa”, sugeriu a estudante de Jornalismo Hyana Rocha.

Texto: Lorena Cardoso
Orientação: Prof. Alejandro Sepúlveda 

Mulher de 91 anos aprende a ler e escrever

Dona Mocinha é a aluna mais velha do ensino público de Fortaleza / Foto: Ana Lorena Magalhães

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o Brasil possui cerca de14 milhões de analfabetos. São jovens, adultos e idosos que registram-se através de suas impressões digitais. Em Fortaleza, na escola municipal Catulo da Paixão Cearense, estuda Dona Maria das Dores de Sousa, uma senhora de 91 anos, que há um ano descobriu na educação um novo sentido para a vida.

Dona Mocinha, como é mais conhecida pela comunidade escolar, estuda no Ensino de Jovens e Adultos (EJA) da escola desde abril de 2011 e é a aluna mais velha do ensino público de Fortaleza. O sonho de aprender a ler e escrever só pode ser concretizado após o estímulo de uma vizinha, que também estuda na escola. “Meu sonho sempre foi aprender a ler e escrever. Nunca tive a oportunidade de ir à uma escola porque tinha que trabalhar e ajudar no sustento da casa. Depois de velha foi que eu tive essa chance, e aqui estou”.

A senhora de olhar atento não poupa as palavras estampadas nas propagandas que vê no caminho de casa à escola. Ela afirma que essa prática a ajudou bastante para o aperfeiçoamento da leitura, que adquiriu tão rápido. Dona Mocinha estuda diariamente em casa depois dos afazeres doméstico. Para ela, exercitar a ortografia todos dias faz com que aprenda mais rápido e seja mais bem vista pela sua dedicação.

Seguindo em frente na linha do lápis

A leitura e escrita básicas ajudaram a senhora a entender mais sobre os seus direitos. Agora, Dona Mocinha, reivindica com mais segurança sobre os seus benefícios financeiros, problemas relacionados ao seu cartão de aposentadoria e INSS. Já pode até fazer compras assinando o próprio nome, sem a necessidade de usar a impressão digital.

Uma de suas maiores realizações foi poder ter dado o estudo ao único filho. Hoje ele mora no interior do estado, e é formado em engenharia. Dona Mocinha mora só, mas fala com frequência com o filho e as netas. “Eu me sinto muito realizada em poder ter dado uma boa educação ao meu filho. Foi a coisa que eu mais me preocupei quando ele começou a crescer. Hoje ele e minhas três netas têm estudo e são cidadãos com conhecimento. Isso me deixa orgulhosa”

Sua força de vontade é admirada por todos na escola. O acolhimento presente na sala de aula, no pátio ou na secretaria é bem visto por Dona Mocinha. Para a professora da turma, Karla Paiva de Lima, o andamento da leitura e escrita da senhora está sendo muito positivo e rápido. “A Dona das Dores é um exemplo que eu sempre uso para os meus alunos mais novos. Porque diferente da maioria, que estão aqui para crescer profissionalmente, ela só quer aprender a ler e escrever para uma realização pessoal. Essa vontade é muito admirável. Ela é uma das que está tendo mais aquisição da leitura em tão pouco tempo”.

A senhora estudante tem muito a dizer, principalmente quando se trata de jovens que não valorizam a escola. Ela mostra-se indignada com alunos que fogem do colégio ou faltam aula sem necessidade. “Eu acho uma pena que esses jovens de hoje não valorizem o que têm. Eles nem imaginam o quanto estão sendo prejudicados. Quem dera eu tivesse tido essa educação tão cedo.”

Assim como não economiza a soletração das palavras na rua, Dona Mocinha não poupa sonhos. Sempre com um olhar à frente, ela não quer parar de trabalhar, mesmo aposentada, e muito menos de estudar. O seu maior objetivo agora é ter domínio completo da escrita e leitura. “Agora que comecei, não vou mais parar. Eu sei que estou indo pelo caminho certo. Sempre que eu leio uma palavra, e pergunto a minha professora se eu acertei, e ela diz “sim”, isso me deixa muito feliz, e com ânimo pra continuar”.

Texto: João Paulo de Freitas