Estado laico x religião: mas, afinal, e eu com isso?

Foto: Renata Chaves
Foto: Renata Chaves

O Teatro Celina Queiroz foi hoje, 29, palco de um debate acalorado sobre Estado laico e religião, organizado pelos alunos das disciplinas de Ética, Cidadania e Jornalismo e Filosofia do Direito, dos cursos de Comunicação Social e Direito, respectivamente, ambas ministradas pela professora e articulista Sandra Helena.

O evento contou com a participação do jurista e procurador do Município, Martônio Mont’alverne, com o teólogo e membro da coordenação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), Carlos Tursi, e Vanderlúcio Souza, estudante de jornalismo e criador do blog cristão Ancoradouro, tendo como mediador o diretor institucional do jornal O Povo, Plínio Bortolotti. Além de um grupo de alunos que iniciaram o debate apresentando fundamentos políticos, valores morais e fatos históricos das religiões e suas relações com o Estado.

Ao decorrer da palestra, assuntos como aborto, “cura gay”, o papel das mulheres na sociedade e o ensino religioso das escolas públicas também foram abordados. Martônio, que também é professor da Unifor, posicionou-se contra a união da religião e Estado e até defendeu a ideia de um governo ateu: “O Estado deve ser separado radicalmente da religião. Tolerância religiosa deve ser garantida, o que não pode é religiosidade em esfera pública”.

Carlos Tursi.
Carlos Tursi na palestra. Foto: Renata Chaves

“Que tal evangelizar a partir da política?”. Foi assim, arrancando sorrisos da plateia, pelo seu jeito de falar e sua espontaneidade, que Carlos Tursi começou sua participação no debate. O teólogo, que também é católico, questionou o papel da Igreja, bem como o do Cristianismo: “Não é verdade que a bíblia é acima de tudo, inquestionável. Eu não acredito que a Igreja seja bem intencionada”. Porém, Tursi reconheceu o poder da religião no Brasil perante a sociedade e a política, afirmando que manifestações como a Marcha para Jesus e a Marcha para Maria tem como objetivo mostrar aos políticos que não se governa sem os religiosos, pois são a maioria e a força do país. “Se você puxar o tapete da religião, a casa da moral cai!”, disse.

Em contrapartida,  Vanderlúcio, que é também assessor de imprensa da comunidade cristã Shalom, argumentou que o Estado e a religião não devem estar em oposição e que, no Brasil, há uma intolerância laica. “Não podemos separar o Estado da Igreja porque o homem pode sim ser cidadão e cristão. Não há como dissociar”. Souza também fomentou que as pessoas não deveriam esquecer das contribuições da Igreja para a sociedade, principalmente por ser a maior entidade caritativa do mundo.

Gerando polêmica pelas suas ideias de base religiosa, o estudante recebeu duras críticas por parte dos presentes que não concordavam com suas opiniões. “O debate foi ótimo, mas Vanderlúcio foi pobre e preconceituoso quando afirmou que deveria existir nas escolas um “Dia das mães gays” e “Dia dos pais gays”, analisou Cintia Sousa, estudante da Estácio FIC.

Texto: Renata Monte

Representação da mulher e o machismo na mídia: E eu com isso?

Mesa de debatedoras: Letícia Abreu, Lola Aronovich, Sandra Helena e Inês Detsi (da esquerda para direita). Foto: Gabriela Nunes

Em sua quarta edição, o debate “E eu com isso?”, produzido pela disciplina de Ética e Cidadania em Jornalismo, reuniu dezenas de estudantes de diversos cursos para debater a representação da mulher na mídia, comumente exposta de forma machista. Foram quase três horas de debate, em que os convidados trocaram suas reflexões com o público sobre machismo, feminismo e movimentos sociais. O “Mulher não é mercadoria. E eu com isso?”, aconteceu nessa manhã na Unifor, com a participação de Lola Aronovich, Maria Inês Detsi e Letícia Abreu.

Para a professora Lola Aronovich, conhecida por seu blog que aborda questões feministas, “a mídia não é a única vilã. Ela reflete o senso comum, que vê na mulher apenas duas funções: decorativa e maternal.”Lola ainda exemplificou com manchetes de jornais, reportagens de web e matérias de televisão, que a mídia é machista. Como fonte principal para os exemplos de Lola, a cobertura esportiva geralmente expõe o corpo da mulher e ressalta no trabalho de grandes atletas características femininas, seja o esmalte, a beleza ou a maternidade.

A professora Inês Detsi buscou nas raízes históricas a contextualização do tema . Já a estudante Letícia Abreu, que também participou da mesa, falou de seu trabalho junto a organização feminista Mucama, que promove rodas de conversa e intervenções na cidade, para sensibilizar a sociedade para a causa feminista. Elas já organizaram, no inicio do semestre, uma marcha contra a mídia machista. Você pode conferir abaixo um vídeo desse ato feminista e, caso se interesse pelo trabalho do grupo, pode entrar em contato pelo Facebook e participar de outras ações da Mucama.

Débora Coelho, estudante de Psicologia, elogiou o debate: é importante, interessante e necessário estimular o senso crítico, é um primeiro passo.

De acordo com a professora Sandra Helena, que orienta os debates “E eu com isso?”, a turma ainda deve produzir um material escrito sobre esse tema, que será compartilhado com a comunidade.

Indicações de Inês Detsi para conhecer mais sobre esse assunto:
[O que ler]  Um é o Outro – Elisabeth Badinter
A dominação masculina – Pierre Bourdieu
[O que ver] Tempo de Espera

Texto: Lorena Cardoso

Machismo na mídia em discussão

Foto: Divulgação

Organizado por alunos da disciplina de Ética e Cidadania em Jornalismo da Unifor, o debate “Mulher não é mercadoria. E eu com isso?” vai reunir pesquisadores e interessados no tema para analisar como a mídia atual trata algumas questões feministas. Também, deve questionar se os veículos de comunicação estão assumindo ou não um papel machista diante das mulheres. O evento, que tem a orientação da professora Sandra Helena, acontecerá dia 26 de novembro, às 9h, no auditório A2.

Juliana Teófilo, estudante de Jornalismo e uma das organizadoras, conta que o acontecimento pretende “estabelecer uma discussão não só entre mulheres, mas também entre homens para ver até que ponto eles concordam que essa mídia é machista”. Além dos estudantes da disciplina de Ética, o evento conta com a participação de três convidadas: Lola Aronovich, Maria Inês Detsi e Letícia Abreu.

Conhecida nacionalmente pelo seu blog “Escreva Lola Escreva”, Lola Aronovich, vai estar pela primeira vez na Unifor. Ela é professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e Doutora em Literatura da Língua Inglesa pela UFSC. Seu canal virtual é famoso por levantar a bandeira do feminismo e denunciar casos de de machismo na sociedade e na mídia. Maria Inês Detsi é professora da Universidade de Fortaleza e Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará. A terceira convidada, Letícia Abreu é estudante de Direito e integrante da organização feminista MUCAMA.

Para mais informações e discussões prévias, a organização evento está presente nas redes sociais: Facebook e Twitter. Os alunos da Unifor que participarem terão direito a duas horas de atividade complementar, de acordo com a professora Sandra Helena. As inscrições serão feitas no local.

Serviço:
“Mulher não é mercadoria. E eu com isso?”
Quando? 26 de novembro, segunda
Horário? 9 horas
Onde? Auditório A2, Unifor
Aberto ao público

Texto: Iara Sá e Lorena Cardoso