[Série] Consumidor teme pagar mais caro por comida na Copa

Matéria produzida pelos alunos da oficina de jornalismo 2012.1

Férias e alta estação em Fortaleza, não são sinônimos só de sol mar e diversão. O consumidor que frequenta bares e restaurantes , nessa época, sente no bolso o aumento no preço de comidas e bebidas. Se esse aumento já é perceptível nas férias, imagine durante uma Copa do mundo quando Fortaleza vai receber cerca de 3 milhões de turistas, segundo a estimativa dos organizadores do evento. A preocupação é que nesse período haja um aumento abusivo de preços no segmento de bares, restaurantes e barracas de praia, que venha prejudicar a imagem da nossa cidade para os visitantes.

A SETUR, através da Coordenadoria de Produtos e Destinos afirma que não há nenhum programa ou projeto que fiscalize os preços dos restaurantes.Segundo Carmen Inês, Assessora de Imprensa da Secretaria de Turismo do Estado ,”a secretaria não possui jurisdição sobre esse aspecto. Essa competência cabe ao órgão de defesa do consumidor”. Carmen Inês afirma que a conscientização junto aos empresários é feita informalmente nas reuniões com a categoria. A ABRASEL- Associação de bares e restaurantes diz que também não desenvolve nenhum programa específico, mas é contra a prática de preços abusivos.

Como se calcula o preço de um prato?

O aumento nos preços dos alimentos são influenciados pelo custo da cesta básica e pelos salários de profissionais qualificados. Foto : site luxodefesta.com.br Foto: Divulgação

O aumento nos preços dos alimentos são influenciados pelo custo da cesta básica e pelos salários de profissionais qualificados.  Segundo Ivan Assunção, presidente da entidade, a formação dos preços que chegam ao cliente é baseada em diversos fatores, entre eles o custo de mercadorias, a localização do restaurante, fatores externos e preços de mercado. O custo de mercadorias representa 35% do preço de venda de um prato:” Quando há (aumento de carne, peixes etc), somos obrigados a repassar para os nossos clientes. Recentemente temos uma situação em que todo final de ano a carne tem uma elevação de 30% a 50%, e como foi passageira, preferimos não aumentar imediatamente”.

O Posicionamento do restaurante é outro fator que influi na diferença de preços dos pratos. Segundo Ivan Assunção, quando dois restaurantes em uma mesma cidade são localizados em pontos distintos , um na periferia e outro na área nobre, colocam um prato de filé mignon com preços diferentes, deve ser levado em consideração a estrutura e ambiente de cada local, bem como o tipo de público ele quer atender. Um restaurante na área nobre, começa por um aluguel muito mais caro, além do investimento feito no ponto que precisa de um maior retorno.

As mudanças tributárias e a elevação do custo de mão-de-obra, principalmente na contratação de pessoal especializado e que falem outros idiomas, também refletem nos preços dos pratos. O empresário e presidente da ABRASEL considera que o preço de mercado é o principal fator, que pode acarretar uma alta no preço de comidas e bebidas e discorda da atitude de empresários que aumentam os preços em virtude de uma oportunidade: “Uma postura como essa , além de ser anti-ética, é facilmente observada pelos consumidores e pode causar prejuízos até maiores para o empresário depois do evento. Todo mundo deve lembrar que a copa será somente 30 dias”.

Fortaleza tem o menor custo de alimentação entre as capitais brasileiras

Apesar de se falar em preços altos em Fortaleza, o presidente da entidade, Ivan Assunção, lembra que Fortaleza tem o menor custo de alimentação entre as capitais brasileiras, segundo matéria publicada no jornal O POVO de 10 de fevereiro de 2012.

Segundo o presidente, os aumentos que poderão ocorrer nesse período são os aumentos normais, que estão entre a média do custo de alimentação do país, seguidos do custo dos produtos que compõem a cesta básica, mas se houverem preços abusivos , a ABRASEL se posicionará contra.

Texto: Rosanni Guerra
Orientação: profa. Adriana Santiago