[Mundo Unifor] Debatedores relembram momentos históricos do cinema cearense

Foto: Avner Menezes
Foto: Avner Menezes

MUNDO UNIFORCom o objetivo de discutir sobre o panorama histórico e atual do cinema cearense, ocorreu ontem (22), às 17h, uma mesa redonda formada pelos professores Bete Jaguaribe, Glauber Filho e o cineasta Armando Praça.

Passeando pelos diversos momentos históricos vivenciados pelo audiovisual no Ceará, Glauber Filho (diretor de Bezerra de Menezes e As Mães de Chico Xavier) destacou o movimento do vídeo independente, originário dos anos 1980, como raiz histórica de estéticas recentes, em razão da liberdade experimental alcançada.

Acerca da busca de uma estética representativa do cinema cearense, Glauber afirma que “a localização do Ceará, na borda do Brasil, com quase nenhuma fronteira, acabou influenciando na criação de um cinema interno, para nós mesmos”. Ainda de acordo com o professor, o Ceará vivencia hoje um momento de superação dessa “geografia umbilical” autocentrada, alcançando uma expansão que é fruto da modernidade.

Foto: Avner Menezes
Foto: Avner Menezes

Glauber aponta, como provocação, O Céu de Suely (filme de 2006, dirigido por Karim Ainouz) como a obra que chegou mais próxima de um retrato do cinema do nosso estado, mas afirma que “o cinema cearense não tem volume suficiente [de produção] dentro dessa lógica do cinema de mercado para se dizer que ele estabeleceu um padrão estético”.
Armando Praça (diretor do curta A Mulher Biônica e assistente de direção de O Grão e As Tentações do Irmão Sebastião) aponta que o momento atual é de diluição das características próprias das gerações históricas do cinema, culminando em uma multiplicidade de discursos e narrativas.

Armando Praça coloca ainda a necessidade da reinvenção da estética do cinema cearense, uma vez que a identidade local muda constantemente. “O problema do estereótipo é que ele interdita o pensamento”, afirma Bete Jaguaribe (professora de História do Cinema Brasileiro da Unifor). Dessa forma, como retornar ao sertão sem falar do sertão já mostrado? Como escapar à criação político-publicitária do estereótipo cearense?

Ensino e cinema

Foto: Avner Menezes
Foto: Avner Menezes

Praça destaca a importância do papel das instituições de formação (como a Casa Amarela, a Vila das Artes e as próprias graduações da UFC e da Unifor) – surgidas a partir do fim dos anos 1990 -, que, por meio de uma educação sistemática e de longa duração, dotaram o discurso dos novos cineastas de um domínio técnico e de uma pluralidade sem precedentes.

Bete Jaguaribe afirmou, por fim, que quinze anos atrás não teria sido possível tal debate com o nível de sofisticação alcançado. “O discurso sobre a obra então se resumia em um discurso político”, diz, também salientando a importância da formação sistemática dos realizadores.

Texto: Lia Martins

Colaboração: Giovânia Alencar

Realizadores do Cine Holliúdy arracaram gargalhadas no Focom

Da esquerda pra direita: Halder Gomes, Glauber Filho e Edimilson Filho. Foto: Daniel Brainer
Da esquerda pra direita: Halder Gomes, Glauber Filho e Edimilson Filho. Foto: Daniel Brainer

Eita menino, que a 6ª edição do Fórum de Comunicação (FOCOM) hoje foi massa ó! No Teatro Celina Queiroz, foi um rebuliço só! Era aluno veterano e novato até dizer chega. Eles deram logo de cara com a apresentação da equipe de professor dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Audiovisual da Unifor.

O diretor e o protagonista do filme Cine Holliúdy, que vai estrear nos cinemas do Ceará na próxima sexta-feira, 9, foram os convidados de honra. O longa é inspirado no curta-metragem “Cine Holliúdy – O Astista Contra o Caba do Mal”, que foi visto em 80 festivais de 20 países, premiado 42 vezes.

Foto: Daniel Brainer
Foto: Daniel Brainer

Glauber Filho, professor e diretor de cinema, já começou dando o grau no debate, quando o ator Edmilson Filho começou se apresentando com o nosso vocabulário “cearês”.

Também estava presente o diretor premiado, Halder Gomes, cabra arretado que também dirigiu o longa “As Mães de Chico Xavier”. Chegou logo com uma chuva de “Ieiiii”.

O Ceará não arreda o pé nem para Hollywood

Foto: Daniel Brainer
Foto: Daniel Brainer

Cine Holliúdy é um filme que busca trazer ao público, por meio da história de um amante de cinema do interior do Ceará, uma das características mais fortes da cultura cearense: o vocabulário. “É um filme que tem a gaiatice cearense, mas cada público tem sua visão particular. No Japão, por exemplo, eles acharam o filme um pouco violento porque tem um personagem que dá um peteleco no ouvido do outro e o chama de fuleragem”, declara Halder Gomes.

Diante desse cenário, Francisgleydisson (Edimilson Filho) sonha com um cinema popular na sua cidade e luta para que o espaço cinematográfico seja conquistado. Por ter o “cearês”, o filme conta com legendas para um melhor entendimento do público. “ O filme tem legenda exatamente para quem não entender. O nordeste tem uma diversidade própria. Essas produções que vem do sul para cá, muitas vezes não retratam como somos”, pontua o diretor.

Foto: Daniel Brainer
Foto: Daniel Brainer

Já Edimilson acha que o público não tem dificuldade de entender o vocabulário que , mesmo com gírias, traduz um linguajar único do nosso estado. “Não tem essa dificuldade do público entender não. Na verdade, eles acham até interessante. É uma tentativa de levar nossa cultura feita por gente daqui do Ceará para o mundo, e não só a cultura nordestina criada no eixo Rio-São Paulo”, explana.

Lista das cidades que exibirão o filme:

Caucaia – Cinesercla Iandê Shopping Caucaia
Fortaleza – Arcoplex Patio Dom Luis
Fortaleza – Arcoplex Del Passeo
Fortaleza – Arcoplex Aldeota
Fortaleza – Centerplex Via Sul Shop. 6
Fortaleza – Benfica 3
Fortaleza – Uci Shopping Iguatemi 12
Fortaleza – North Shopping 6
Limoeiro do Norte – Cine Francisco Lucena
Sobral – Cine Renato Aragão 3

Texto: Priscila Baima

Mães de Chico Xavier é lançado no Chile

As Mães de Chico Xavier
Foto: Divulgação

O filme As mães de Chico Xavier, do diretor Glauber Filho,  que é professor dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Audiovisual da Unifor, será lançado na próxima quinta-feira, 3 de maio, no Chile.  O lançamento, que será no Centro Arte Alameda, se deve a uma associação entre a embaixada brasileira no Chile e o projeto Cinema do Brasil, que tem como objetivo difundir o cinema nacional no exterior.

O longametragem foi um sucesso de audiência no Brasil, alcançando aproximadamente um milhão de espectadores e deve estrear nas TVs . O Blog do Labjor acompanha a trajetória do filme, segue alguns links com mais informações sobre a obra:

Text0: Hyana Rocha
Orientação: Profa. Adriana Santiago