Um pouquinho do Xingú no Ceará

A professora Kalu entre as crianças Yawalapiti. Foto: Acervo pessoal

Ao longo dos tempos muitos historiadores estudaram a cultura indígena, mas nada se compara à experiência de passar alguns dias vivendo em uma aldeia indígena. Essa experiência será contada pela professora Carmem Lucia Chaves, a Kalú, e a mestre Renata Gauche, no Papo Debate, nessa quinta-feira, dia 20, às 9h15, no auditório A4.

A professora Kalú, foi ao Xingú para auxiliar o fotógrafo Renato Soares, especialista em retratar os povos indígenas, que está produzindo fotos para o seu livro. Mas o que realmente a professora irá nós contar são suas experiências com uma cultura tão diferente, que mesmo sendo constantemente influenciada por outras culturas, consegue se manter fiel a sua própria origem. Assim como a professora Kalú, a mestre em comunicação e semiótica, Renata Gauche, também viveu esse aprendizado de passar algum tempo no Xingú.

Renata foi como assistente de coordenação da Organização não governamental (ONG) Catitu, que tem como objetivo oferecer uma nova maneira de expressar a cultura indígena, e fortalece-la, por meio das novas tecnologias. Esse novo conhecimento proporcionou à pesquisadora momentos únicos, como na noite em que não tinha lua no céu, e ela pôde ver a Via Láctea e todas as constelações. Ou ainda, no dia em que ela foi jantar com o líder indígena e ele veio com suas duas mulheres e seus muitos filhos. Essas são só algumas das muitas curiosidades que a Renata e a Kalú irão nós trazer na quinta-feira.

Para quem não conhece, o Xingú é um rio que nasce no norte do estado de Mato Grosso e deságua perto da foz do rio Amazonas. Toda a região próxima a esse rio é também conhecida por Xingú e lá se encontra o Parque Indígena do Xingu, a primeira terra indigena aprovada pelo governo federal. Lá vivem 5 500 índios de 14 etnias diferentes.

Texto: Thais Moreira

 

Para o Muvic, todo dia é dia do índio no Ceará

Foto: Muvic

“Acho uma bobagem só lembrarem do dia do índio nessa data (19 de abril), mas é, sim, para ser lembrado todos os dias”, comenta com convicção Carmem Luisa Chaves, a professora Kalu, da Unifor, ao falar sobre as comemorações de hoje que lembram o dia do índio. Carmem Luisa, juntamente com as colegas Alessandra Oliveira e Lisie Sancho, tem autoridade para dizer uma frase dessas porque foi idealizadora do projeto Museu Virtual do Índio Cearense (MUVIC), recentemente premiado, a nível nacional, como o melhor Projeto de Pesquisa pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). O Muvic foi criado há exatamente um ano, no Dia do Índio.

Esse projeto engloba também trabalhos de campo e estudos que foram feitos por alunos dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Nasceu com o objetivo de resgatar as histórias indígenas conversando diretamente com os índios. A produção do Muvic gira em torno também em vídeos produzidos com a participação de índios cearenses nas aldeias dos Tapeba feitos por alunos e professores. Além dos Tapeba, existe no Ceará diversas etnias, são elas: Tremembé, Anacé, Tapeba, Pitaguary, Jenipapo-Kanindé, Kanindé, Tabajara, Tapeya-Kariri, Kalabaça, Potyguara, Kariri, Tupinambé, Gavião e Tubiba-Tapuia.

Além das participações dos índios, o projeto também traz ensaios fotográficos, produções radiofônicas, vídeos e artigos que já foram feitos pelos integrantes do Museu. De acordo com a descrição no site, o Muvic caracteriza-se como um acervo da cultura indígena do Ceará, além de ambiente para construção e distribuição do saber entre alunos de ensino médio, superior e pesquisadores da área.

Mais informações: 
http://muvic.com.br/

Texto: Vivian Roriz
Orientação: Adriana Santiago