Importância dos filhos é abordada na última apresentação do Lesplexos

Na quarta palestra do Lesplexos, ocorrida na última sexta-feira, 11, Patricia Pinheiro e Maria Isabel apresentaram seus estudos, abordando, respectivamente: A Infertilidade no Contexto Conjugal e Alienação Parental.

Patrícia Pinheiro, mestranda em Psicologia, escolheu a temática da infertilidade para elaboração de seu trabalho por questão pessoal, – ao conhecer muitas pessoas que passaram ou ainda passam por isto acabou desenvolvendo sensibilidade a respeito – como também profissional, diante da gama de clientes que veem muita importância a presença do filho dentro da família e não conseguem sucesso nesta realização.

Patrícia Pinheiro. Foto: Felipe Toscano
Patrícia Pinheiro. Foto: Felipe Toscano

Ela deu ênfase ao sentimento de frustração que os casais sentem após terem o conhecimento da infertilidade de alguma das partes, o que termina acarretando novos arranjos familiares que se distanciam cada vez mais do modelo tradicional, formando uma nova estrutura, típica da contemporaneidade.

As ramificações de modelos familiares, dadas por Patrícia, se ativeram em: tradicional, moderna ou psicológica, e pluralista. Um grande exemplo citado como típico da contemporaneidade é a denominação de “Fam-ilha”, que tem conceito sobre a construção de uma ilha regida pela ideologia individual e demandas paradoxais. As mudanças econômicas, sociais, de gêneros, entre outros pontos, refazem as questões dentro das famílias, contribuindo na diminuição de membros dentro delas.

Com base em seus estudos, Patrícia mostrou que é preciso pensar mais sobre avanços tecnológicos, pois existe pouco conhecimento científico sobre os tratamentos ineficazes, o que faz muitos casais desistirem cedo da tentativa de terem um filho biológico, “É mais comum os homens desistirem primeiro do que as mulheres”, consequentemente ocorre o crescimento da opção por inseminação artificial, que nem sempre o casal tem sucesso. “Após pelo menos um ano, com a falta de concepção, o caso já é considerado como infértil, e muitos casais só procuram ajuda depois de três anos ou mais”, criticou.

O casamento é visto como forte fator no processo da busca por um filho como necessidade de legitimação desta união, “A conjugalidade é a identidade do casal”, defendeu Patrícia. Foram exibidas algumas características do casamento, tais quais: referência do “eu”; homogamia; liberdade individual x aprisionamento; consumismo; paradoxo; expectativa; desejos simultâneos, entre outros. A palestrante lembrou que há também a exigência social, visto muito na mídia a construção de um amor romântico, que se molda no “amor-paixão”, se tornando híbrido. Ela afirmou que  “existem 186 milhões de pessoas no mundo com problemas de infertilidade, e que no Brasil é apresentada a estimativa de um a cada 10 indivíduos com este problema e, até hoje, 10% das causas mundiais são tidas como inexplicáveis”.

Maria Isabel. Foto: Felipe Toscano
Maria Isabel. Foto: Felipe Toscano

Maria Isabel é mestre em psicologia e apresentou seu estudo como um recorte do seu mestrado, falando acerca da alienação parental. Primeiramente foi colocada a explicação deste termo, que se conceitua como fenômeno que ocorre em sistemas familiares conflituosos, dentro do contexto da separação conjugal.

A figura do filho, nos aspectos psicológicos e comportamentais, é analisada de acordo com o quadro de rompimento entre os seus pais. Ela tratou da repercussão na vida das crianças sobre a vivência da separação em suas vidas, foi apontado que alguns autores tratam isto como “epidemia mundial”, na medida em que passam por uma espécie de lavagem cerebral, tendo de fazer a escolha de uma das partes para se filiar.

As mudanças da importância que o filho passou a ter, como ser presente na vida dos casais separados, foram colocadas por Maria Isabel: “Os homens não tendiam querer a guarda do filho, a luta por isto é contemporânea, antes eles se contentavam mais a ficar só nos finais de semanas, a serem os pais Mcdonald’s”. Para finalizar ela alertou sobre a existência da Lei de alienação parental, Nº 12.318, que aborda sobre concepções e práticas na formação psicológica da criança ou do adolescente.

Texto: Giovânia Alencar