Conferência de abertura discute a relação esporte e mídia

Foto: Aline Caldas

A manhã do terceiro dia de Intercom foi marcada pela conferência de abertura que discutiu o tema do evento deste ano : “ Esportes na Idade Mídia “ . Estiveram presentes no Teatro Celina Queiroz a diretora científica da Intercom , Raquel Paiva ; diretora do Centro de Ciências Humanas da Unifor , Erotilde Honório e o antropólogo Roberto DaMatta .

Para um auditório lotado , DaMatta iniciou sua palestra falando da origem do esportes na Grécia Antiga e abordou aspectos como espírito de competição e individualismo, existentes em modalidades esportivas como futebol , vôlei , natação e atletismo . Um dos tópicos abordados por ele é o fato de que o esporte redesenha a paisagem urbana . Se antigamente predominavam nas grandes cidades as igrejas e outros tipos de construções , o que prevalece hoje são os estádios e parques esportivos.

De forma bem humorada , o antropólogo fez relações sobre esportes com aspectos políticos , sociais , culturais e capitalistas seguidas de algumas brincadeiras e histórias sobre a sua vida . Após a palestra foi possível aos congressistas fazer perguntas ao convidado . Para Juliana Guimarães , da Pontifícia Universidade Católica (PUC – RJ) , foi uma honra assistir a uma palestra do antropólogo: “ Achei bastante interessante saber sobre os estudos que ele realizou sobre o tema , além do fato de ele ser bem engraçado “ , afirma .

Èrico Oliveira , mestrando em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará destacou que Roberto da Matta o fez pensar de outra maneira o futebol : “ Foi bacana a abordagem sobre o futebol , com o social e o cultural e o capitalista e o espírito de competição “ , finaliza .

Roberto DaMatta é um estudioso do Brasil e suas contradições , do povo brasileiro e da cultura popular. Escreveu os livros “ Carnavais , malandros e heróis “ , “ O que faz o brasil , Brasil ? “ , dentre outros títulos.

Texto: Émilly Sousa
Orientação: Profa. Joana Dutra

Intercom 2012 homenageia Margarida Kunsch

Foto: Marina Duarte

Na tarde do segundo dia de Intercom, a história da comunicação foi lembrada por meio de uma homenagem a professora Margarida Maria Krohling Kunsch. Sob a coordenação de Luiz Alberto Farias (USP), Cleusa Maria Andrade Scroferneker (PUCRS) e Else Lemos (Cásper Líbero/FAAP), a mesa contou com a colaboração de vários professores e membros da Intercom, que pediram a palavra para reverenciar a professora Margarida.

Doutora em Ciências da Comunicação, Margarida Kunsch é referência em assuntos de Relações Públicas e se destaca nos estudos de Comunicação Organizacional. É também um dos pesquisadores responsáveis pela consolidação das relações Públicas no Brasil e na América Latina. “Margarida é muito querida num contexto internacional”, destacou um dos participantes da plateia.

O presidente da Intercom, Antonio Hohlfeldt, que ontem participou de uma homenagem póstuma ao professor Valerio Brittos, ressalta que é importante prestar tributo aos profissionais que se dedicam à comunicação enquanto os mesmos ainda estão vivos e podem participar das honras.

Estavam na plateia três estudantes da primeira turma de Comunicação Organizacional da Universidade de Brasilia (UnB). Empolgadas, as estudantes queriam ouvir a professora Margarida, que é uma das responsáveis pela implantação da nova habilitação. “Na faculdade a gente lê muita coisa dela. Ela é maravilhosa, também já fomos a outras palestras com ela.” comenta Taciana Paim. “A professora esteve no evento de abertura do nosso curso, em 2010, que é o primeiro do país”, completou Gabryella Albuquerque.

Texto: Lorena Cardoso
Orientação: Prof. Jari Vieira

Intercom 2012: Brasil e Chile no centro do debate

    

Foto: Thais Moreira

Teve início, na manhã do dia 03, o Colóquio binacional Brasil-Chile, um sub-evento da Intercom que acontece antes da abertura oficial do congresso. Com o tema “Comunicação, cultura e entretenimento”, a primeira mesa reuniu trabalhos com os mais diversos assuntos. O primeiro a ser exposto (“Educar o entretener: that is the question. El edultainment en el discurso del periodismo de ciencia y tecnología”, de Doris Johnson Barella, Bernardo Soria Ibacache e María de Los Angeles Muranda Bustamante, da UPA) trouxe pesquisas sobre o edultainment, cuja tradução ao pé da letra para o português quer dizer entretenimento educacional.

Em seguida, Thiago Soares apresentou um trabalho em que discutiu a relação entre as músicas de Carmem Miranda e Michel Teló, segundo a abordagem da revista estadunidense Forbes. María de los Angeles afirmou que não existe fenômeno parecido ao cantor brasileiro no Chile. Para seu conterrâneo Bernardo Ibacache, os jornalistas têm um papel social muito forte e, por isso, devem estar sempre atentos ao precário equilíbrio entre a educação e o entretenimento.

E Michel Teló e Carmem Miranda têm muito mais em comum do que pensamos num primeiro momento: o duplo sentido, as onomatopeias e o fato de terem exportado música popular brasileira.

Para encerrar a manhã de hoje, pesquisadoras de universidades cearenses apresentaram um trabalho sobre a Fundação Casa Grande, uma ONG que funciona no interior do Ceará, na cidade de Nova Olinda. Após as pesquisas de recepçåo, elas constaram que existe uma seleção entre as músicas e filmes veiculados na ONG, ou seja, há uma seleção na própria indústria clutural.

O clima do Colóquio é de descontração. Sergio Mattos passou mais de uma hora conversando com a equipe organizadora que está cuidando deste sub-evento. Também passaram por aqui Sonia Virgínia Moreira, Margarida Kunsch, Antonio Carlos Hohlfeldt (presidente da INTERCOM) e vários outros simpáticos professores.

Texto: Marília Pedroza
Orientação: Profa. Joana Dutra

Intercom 2012: Simpósio destaca “Os livros que mudaram a comunicação”

Foto: Débora Queirós

A 35ª edição do maior congresso de comunicação da América Latina, Intercom 2012, já começou. Na manhã do dia 3 de setembro, no auditório da biblioteca da Universidade de Fortaleza, aconteceu o Simpósio que teve como tema “Os livros que mudaram a comunicação”. Com a participação de Juremir Machado(PUC-RS), Giovandro Ferreira(UFBA), Sérgio Mattos(UFRB) e Antônio Adami(UNIP), o simpósio enfatizou nos livros que fizeram, de alguma forma, uma mudança positiva no processo comunicacional em todo o Brasil.

Antônio Adami iniciou seu discurso citando o livro “O império do grotesco”, de Muniz Sodré. Inicialmente, Antônio afirma, de acordo com o livro, que o conceito de comunicação é como uma troca de informações e que toda cultura é baseada na instauração da mass media, isto é, de um sistema moderno de meios de comunicação. Além disso, ele cita a ordem em que o livro foi dividido. “No primeiro capítulo, Muniz caracteriza a televisão, seu início e da ascensão vertiginosa a partir de 1945 e o pioneirismo de Chateubriand e da TV Tupi. Já no segundo capítulo, por exemplo, o autor faz um conceito sobre a revista e dá características relevantes sobre ela. Ademais, o livro promove a discussão do poder da publicidade para o sucesso de uma revista e de suas respectivas temáticas”.

Em seguida, o professor Giovandro Ferreira abre sua discussão sobre o livro “Estudos de jornalismo comparado”, de José Marques de Melo. O conteúdo, segundo o professor, busca dar cientificidade ao estudo da comunicação e, pela leitura, os livros atuais são os que estão fazendo parte desse processo. “Nós estamos vivendo um certo amadurecimento no nosso campo de estudo. Estamos fazendo uma revisita, pois há uma abordagem de conteúdo que antes não valia nada, agora é a forma e a enunciação”, relembra Giovandro. José Marques dá ênfase à análise de conteúdo e à morfologia empregada no contexto, já que essa análise é feita pela frequência de palavras, objetivando o assunto para seu respectivo público. Além disso, destaca a importância da estrutura, do que foi dito e como dito, dividindo seu livro em duas partes: forma e pesquisa de conteúdo. Por fim, Giovandro comenta que o livro de Marques de Melo tem contribuições de Gilberto Freire, que remontou a história da imprensa no Brasil, e Luiz Beltrão.

O professor e escritor Sérgio Mattos (UFRB) comentou sobre o livro “O controle da informação no Brasil”, do Professor Antônio Costella. De maneira prática e simples, o autor faz referência em seu livro sobre o estudo da comunicação no Brasil. “Quando vocês ouvirem um discurso e não entenderem, a culpa é do autor. Pensando nisso, Costella utilizou uma linguagem simples como se fosse para livros introdutórios para os estudantes dos cursos de comunicação, já que o número de formados que conhecem a legislação da comunicação é limitada”, declara Sérgio. Costella faz uma análise histórica-social do estudo da comunicação. A obra pioneira do autor procura as raízes históricas da liberdade de imprensa. “O livro hoje é um clássico e identifica os elementos envolvidos no processo de controle de informação, descrevendo todo o processo de controle desde 1964. A Editora Vozes foi a responsável pela publicação do autor em 1970.

Finalmente, o pesquisador e polêmico Juremir Machado fala sobre seu livro “A sociedade Mídiocre”. Juremir defendeu seu discurso baseando-se no fim do direito autoral, do livro e da escrita, causando polêmica na plateia e diversos questionamentos. “Eu tenho o direito de escrever um livro e de dá-lo gratuitamente, porém muitos não fazem isso. O conhecimento tem custo”, defende-se Juremir, após ter recebido diversos questionamentos sobre seu livro. Após isso, Juremir falou sobre o fim da escrita e na sua aposta na mídia virtual. Por fim, o pesquisador distribuiu seu livro para vários estudantes e congressistas, causando euforia e excitação por parte da plateia.

Texto: Priscila Baima
Orientação: Profa. Joana Dutra

Camerata da Unifor fará apresentação no Intercom 2012

Foto: Divulgação

Composta por 15 integrantes, seis violinos, três violas, dois violoncelos, um contrabaixo, uma flauta transversa, um piano e um regente, a Orquestra Camerata da Universidade de Fortaleza fará a abertura da 35ª edição do Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom 2012). Ao lado do cantor e compositor Waldonys, a orquestra fará apresentação no Teatro Celina Queiroz, dia 4 de setembro, a partir das 18 horas. Músicas autorais e de domínio público, a orquestra possui, atualmente, um grande reconhecimento no campus e em toda a cidade. Teve origem em 1996 e atualmente faz diversas apresentações em palestras na Unifor e em vários festivais da cidade de Fortaleza.

O maestro Marcus Vinícius, que é integrante do grupo como violinista desde 1996, assumiu a regência ano passado e acredita esta ser uma iniciativa valiosa e desafiadora. “Apesar do pouco conhecimento da arte da música, em função de uma educação básica ainda precária, o público é sempre receptivo e interativo.Nos aproximamos com mais ênfase quando executamos músicas populares (brasileiras, regionais e internacionais) para todas as idades”, declara.

A orquestra visa um contato engrandecedor entre a comunidade universitária e as diversas linguagens artísticas produzidas pela Unifor. Além disso, os músicos tentam aproximar o público da música erudita, um estilo musical pouco conhecido pelo público cearense, acrescentando no repertório, músicas do momento, como “Come Together”, “Viva La Vida” e “Água de Beber”.

Os objetivos da orquestra compreendem no amadurecimento técnico musical por meio de um repertório desafiador, além do crescimento númerico do grupo para enriquecer a bagagem do qualitativa da Camerata.

“O maior desafio para a orquestra é a ausência de escolas de formação técnica de músicos de cordas na cidade, a exemplo do SESI, que possui um curso desta natureza.

“Além disso, a possibilidade de educação continuada nesta área do conhecimento, uma vez que não temos no estado do Ceará nenhum bacharelado em nossa área (violino, viola, violoncelo e contrabaixo)”, acrescenta Marcus. A orquestra Camerata gravou seu primeiro CD em parceria com Waldonys e tem, no total, oito cds, além de colecionar diversas apresentações de festivais locais.

 Para entrar na orquestra, os interessados devem participar de uma seleção que acontece periodicamente, sempre quando há vagas remanescentes. O processo é organizado pela Divisão de Arte e Cultura da Vice-Reitoria de Extensão e Comunidade Universitária da Unifor. De acordo com a aluna de Direito da Unifor Rejane Cortês, é importante que haja a oportunidade de tocar em grupo músicas eruditas e populares, pois isso proporciona um desenvolvimento musical em todos os sentidos.

Texto: Priscila Baima
Orientação: Profa. Joana Dutra