Em sintonia com a vida

Foto: Débora Queirós
Foto: Débora Queirós

João Carlos Martins é considerado um dos maiores músicos de todos os tempos. O pianista iniciou sua carreira aos oito anos de idade, quando seu pai lhe comprou um piano e o pequeno João deu início aos seus estudos na área musical. Seis meses depois disso, ele já havia ganhado um concurso ao interpretar obras de Johann Sebastian Bach, grande músico clássico do século XVII. Segundo o maestro, o maior incentivo veio por parte de seus pais, que sempre foram muito musicais, e estimulavam João desde pequeno, não só para a música, mas para a cultura em geral.

Aos 13 anos, iniciou sua carreira nacional, e aos 18 a internacional. João Carlos viajou por continentes para mostrar sua música, e assim continuou até sofrer o primeiro acidente, aos 26 anos. “Levei o nome do Brasil para Europa, EUA, Ásia, sempre buscando a perfeição aliada à emoção.”

Foto: Débora Queirós
Foto: Débora Queirós

Com uma carreira promissora diante de seus olhos, o maestro sofre o acidente. Numa partida de futebol, ele rompe um dos nervos da mão e dá-se início sua maior agonia. João passou por uma série de tratamentos e até conseguiu recuperar parte dos movimentos da mão, mas, com o tempo, surgiram uma série de limitações físicas, afastando-o de sua maior paixão, o piano. Porém, João Carlos não estava disposto a abandonar seu sonho. “Dos 26 aos 62 anos, foi uma luta contra as adversidades, mas sempre buscando voltar. Tive de interromper duas vezes minha carreira, algumas vezes pensei em abandonar tudo, mas sempre algo me fazia lutar pela volta e, apesar de todas as dificuldades, consegui deixar meu legado no mundo da música”, declara o maestro que transborda emoção ao falar de sua trajetória.

Em comemoração aos 40 anos da Universidade de Fortaleza, o músico veio à Unifor para divulgar sua palestra “A Música Venceu” e se apresentar com a Camerata Unifor. Na palestra, o maestro abordará sua trajetória e, por meio de sua história, buscará motivar os ouvintes com suas superações. Segundo João Carlos, a principal missão de sua palestra é espalhar sentimento. “Eu sempre digo que a gente só aprende a multiplicar, depois que sabe dividir. Então, eu adoro dividir emoções.”

“Sem música, até beijo de filme romântico perde a graça”

Foto: Samara Costa
Foto: Samara Costa

Admirador convicto de Bach, João Carlos Martins é hoje um dos exemplos de superação que encontramos pelo mundo. E para ele, a música foi um elemento fundamental para sua recuperação. O maestro acredita que a música é essencial para o ser humano, em sua essência e construção. Ao ser indagado por uma repórter sobre a importância da música para o ser humano, ele abre um sorriso. “Eu até brinco que a música é a régua do mundo, porque se um governo vai bem, todo mundo fala que funciona como uma orquestra. Se há uma campanha contra um governante, ele fala que há uma orquestração contra ele. Se um time de futebol joga bem, todo mundo fala que ele joga por música. Então a música tem o poder de unir gerações, povos e comunidades. Sem música, até beijo de filme romântico perde a graça.”

O maestro, atualmente, está envolvido em vários projetos sociais espalhados por todo o País, e é um dos criadores da Fundação Bachiana, que surgiu em 2006, com o objetivo de incentivar e promover o desenvolvimento de atividades de excelência e formação musical, especialmente nas artes clássicas e na educação musical. João acredita que a responsabilidade social é algo considerado indispensável para se viver em sociedade.

Hoje, aos 72 anos, o músico se diz realizado por ter superado tantas dificuldades, e ter conquistado seu sonho de poder distribuir tanta emoção para as pessoas. Sua história é um exemplo de força, disciplina e amor pela música.

Texto: Vitória Matos