[Claquete] Clichê disfarçado de modernidade

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Don Jon, ou, na versão brasileira do título, Como Não Perder Essa Mulher, primeiro longa roteirizado e dirigido por Joseph Gordon-Levitt, narra o cotidiano de Jon Martello (Gordon-Levitt), um jovem que divide seu tempo entre seu corpo, seu apartamento, seu carro, sua família, sua igreja, seus amigos, suas mulheres, e, principalmente, seus vídeos pornôs da internet.

Considerado um Don Juan moderno por seus colegas, Jon tem sua rotina e seu estilo de vida drasticamente alterados quando conhece Barbara Sugarman (Scarlett Johansson), que ele, influenciado pelos valores de sua família tradicional e as pressões para que se case e tenha filhos, acredita ser a mulher ideal.

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Com um voice over que perdura por todo o filme, a narrativa assume profundidade subjetiva e alcance restrito ao ponto do vista do protagonista – o que, aliado à temática ousada, forneceria ao longa uma perspectiva interessante, não fosse a previsibilidade extrema do roteiro.

Usando de uma montagem dinâmica, com movimentos rápidos de câmera e constantes planos-detalhe, Gordon-Levitt esforça-se para conferir à obra uma aparência de avant-garde e inovação – características que, no entanto, parecem lamentavelmente restritas a esses poucos aspectos formais.

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Apesar da proposta aparentemente transgressora, a película resulta em uma obra tão ingênua e clichê quanto o filme água com açúcar a que o protagonista é obrigado a assistir para conquistar Barbara – esta, aliás, uma personagem estereotipada ao extremo e sem o mínimo de esfericidade que seria necessário para conquistar a empatia ou pelo menos o interesse do espectador.

A iluminação, de início inteiramente focada na personagem de Scarlett Johansson, passa a partir de um determinado momento a abranger o todo – inclusive o próprio protagonista – em um recurso visual irritantemente óbvio empregado para demonstrar que Jon foi “iluminado” pela compreensão plena do sexo e do amor – fato que já havia ficado evidente no diálogo travado entre o protagonista e a personagem de Julianne Moore (o clichê da mulher madura com alguns traumas e conselhos infindáveis a distribuir, e um desperdício indizível do potencial da atriz).

Com seus diálogos e cenas surpreendentemente previsíveis, talvez a característica mais marcante de Don Jon seja de fato a redundância: nada do que é mostrado na tela escapa de ser repetido nos diálogos, e vice-versa, de modo que imagem e áudio não se complementam; apenas se repetem.

Texto: Lia Martins

Ficha técnica

Título Original: Don Jon
Ano: 2013
Direção: Joseph Gordon-Levitt
Roteiro: Joseph Gordon-Levitt
Gênero: comédia, drama, romance
Duração: 90 min.
Origem: EUA

[Claquete] Longa de Spencer Susser mistura drama e violência na juventude

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T.J. (Devin Brochu) perdeu a mãe, tem um pai deprimido, sofre violência na escola por parte de um colega e mora com a avó. Como se a vida não pudesse piorar, Hesher (Joseph Gordon-Levitt) aparece.

Juventude em Fúria (2011), assim chamado no Brasil, mostra como uma criança tem que lidar com as perdas como se fosse quase um adulto. A presença de um desconhecido na casa de T.J. muda um pouco sua vida, pois Hesher não tem respeito por nada nem por ninguém.

Com um pouco de ação e algumas cenas paradas, acaba prendendo o telespectador porque espera-se que a criança cheia de sofrimentos se revolte com todos ao seu redor e faça besteiras. Além de misturar drama, um roteiro um pouco sem sentido e algumas cenas cômicas, Hesher é o primeiro filme do diretor Spencer Susser, não muito conhecido e considerado um desastre de bilheteria.tumblr_mj5qrfhj651ryt788o1_500

De acordo com as críticas, os personagens são fracos, mesmo tendo atores renomados como Joseph Gordon-Levitt e Natalie Portman. O objetivo da trama é mostrar que não adianta parar de viver porque alguém morreu. Hesher vai mostrar para T.J. e seu pai o valor da família e a importância do amor para sustentá-la.

Curiosidade

Toda a trilha sonora é composta por músicas da banda METALLICA. O personagem Hesher foi inspirado no ex-baixista da banda, Cliff Burton, que morreu em 1986 num acidente de ônibus.

Ficha Técnica

Título original: Hesher

Ano: 2011

Duração: 106 min

Direção: Spencer Susser

Gênero: Drama

Texto: Iara Sá