Representação da mulher e o machismo na mídia: E eu com isso?

Mesa de debatedoras: Letícia Abreu, Lola Aronovich, Sandra Helena e Inês Detsi (da esquerda para direita). Foto: Gabriela Nunes

Em sua quarta edição, o debate “E eu com isso?”, produzido pela disciplina de Ética e Cidadania em Jornalismo, reuniu dezenas de estudantes de diversos cursos para debater a representação da mulher na mídia, comumente exposta de forma machista. Foram quase três horas de debate, em que os convidados trocaram suas reflexões com o público sobre machismo, feminismo e movimentos sociais. O “Mulher não é mercadoria. E eu com isso?”, aconteceu nessa manhã na Unifor, com a participação de Lola Aronovich, Maria Inês Detsi e Letícia Abreu.

Para a professora Lola Aronovich, conhecida por seu blog que aborda questões feministas, “a mídia não é a única vilã. Ela reflete o senso comum, que vê na mulher apenas duas funções: decorativa e maternal.”Lola ainda exemplificou com manchetes de jornais, reportagens de web e matérias de televisão, que a mídia é machista. Como fonte principal para os exemplos de Lola, a cobertura esportiva geralmente expõe o corpo da mulher e ressalta no trabalho de grandes atletas características femininas, seja o esmalte, a beleza ou a maternidade.

A professora Inês Detsi buscou nas raízes históricas a contextualização do tema . Já a estudante Letícia Abreu, que também participou da mesa, falou de seu trabalho junto a organização feminista Mucama, que promove rodas de conversa e intervenções na cidade, para sensibilizar a sociedade para a causa feminista. Elas já organizaram, no inicio do semestre, uma marcha contra a mídia machista. Você pode conferir abaixo um vídeo desse ato feminista e, caso se interesse pelo trabalho do grupo, pode entrar em contato pelo Facebook e participar de outras ações da Mucama.

Débora Coelho, estudante de Psicologia, elogiou o debate: é importante, interessante e necessário estimular o senso crítico, é um primeiro passo.

De acordo com a professora Sandra Helena, que orienta os debates “E eu com isso?”, a turma ainda deve produzir um material escrito sobre esse tema, que será compartilhado com a comunidade.

Indicações de Inês Detsi para conhecer mais sobre esse assunto:
[O que ler]  Um é o Outro – Elisabeth Badinter
A dominação masculina – Pierre Bourdieu
[O que ver] Tempo de Espera

Texto: Lorena Cardoso

Machismo na mídia em discussão

Foto: Divulgação

Organizado por alunos da disciplina de Ética e Cidadania em Jornalismo da Unifor, o debate “Mulher não é mercadoria. E eu com isso?” vai reunir pesquisadores e interessados no tema para analisar como a mídia atual trata algumas questões feministas. Também, deve questionar se os veículos de comunicação estão assumindo ou não um papel machista diante das mulheres. O evento, que tem a orientação da professora Sandra Helena, acontecerá dia 26 de novembro, às 9h, no auditório A2.

Juliana Teófilo, estudante de Jornalismo e uma das organizadoras, conta que o acontecimento pretende “estabelecer uma discussão não só entre mulheres, mas também entre homens para ver até que ponto eles concordam que essa mídia é machista”. Além dos estudantes da disciplina de Ética, o evento conta com a participação de três convidadas: Lola Aronovich, Maria Inês Detsi e Letícia Abreu.

Conhecida nacionalmente pelo seu blog “Escreva Lola Escreva”, Lola Aronovich, vai estar pela primeira vez na Unifor. Ela é professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e Doutora em Literatura da Língua Inglesa pela UFSC. Seu canal virtual é famoso por levantar a bandeira do feminismo e denunciar casos de de machismo na sociedade e na mídia. Maria Inês Detsi é professora da Universidade de Fortaleza e Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará. A terceira convidada, Letícia Abreu é estudante de Direito e integrante da organização feminista MUCAMA.

Para mais informações e discussões prévias, a organização evento está presente nas redes sociais: Facebook e Twitter. Os alunos da Unifor que participarem terão direito a duas horas de atividade complementar, de acordo com a professora Sandra Helena. As inscrições serão feitas no local.

Serviço:
“Mulher não é mercadoria. E eu com isso?”
Quando? 26 de novembro, segunda
Horário? 9 horas
Onde? Auditório A2, Unifor
Aberto ao público

Texto: Iara Sá e Lorena Cardoso

[Claquete] Sessão “despertar” de cinema

Foto: Divulgação

Acorda Raimundo… Acorda!, curtametragem inspirado na radionovela do cubano José Ignácio Lopez Vigil, retrata a inversão dos papéis, masculino e feminino, dentro do que seria uma típica família. Neste caso, é a mulher que trabalha fora, enquanto o homem fica a cargo dos trabalhos domésticos. Ele cuida dela e dos filhos, a espera, a acorda, a tranquiliza, a escuta, e tudo não passa de sua obrigação.

O filme é 15 minutos de provocação legítima. Paulo Betty, que interpreta o marido submisso, sofre calado sob o crivo da esposa (Eliane Giardini), ao mesmo tempo em que lhe é incumbida a reponsabilidade do gerenciamento da casa. O que se vê é um indivíduo reprimido, resignado, sem voz ou qualquer traço de autoestima, digno de pena.

Produzido em 1990, Acorda Raimundo continua atual. No filme torna-se evidente como, no mínimo, nos é mais familiar quando é o homem que reprime e comanda. Tal impressão choca e incomoda. Além de estranhamento, a troca das posições sociais de gênero suscita a relevância da discussão sobre o machismo.

Em termos gerais, mesmo com a inserção da mulher no mercado de trabalho, com a maior autonomia e independência feminina, sabe-se que a elas ainda são dispensados salários mais baixos, concomitantemente a mais responsabilidades sociais. Mesmo em cargos de chefia, depois de uma jornada de trabalho, muitas chegam em casa para encarar outro expediente: o doméstico. Onde está a igualdade aí? Fica claro que, apesar das conquistas, ainda há muitos grilhões a serem rompidos. Mesmo velado, o machismo ainda existe. Cabe a todos, mulheres e homens, estar atentos a presença dele – inclusive dentro de si.

Apesar de simples, a ideia do roteiro possui um simbolismo exemplar. Em compensação, claramente é um filme de curto orçamento, com takes, cortes e enquadramentos de aparência amadora. O que fica é a vontade de um remake. Direção: Alfredo Alves Elenco: Eliane Giardini, José Mayer, Paulo Betti e Zezé Mota

Texto: Manoela Cavalcanti
Orientação: Profa. Janayde Gonçalves