“Não tem dinheiro para educação, mas tem dinheiro para investir no Castelão”

Foto: Humberto Mota
Foto: Humberto Mota

Foi com essas palavras que, hoje, 19, a avenida Alberto Craveiro e a BR-116 não foram as mesmas. Contando com mais de 80 mil pessoas, a manifestação + Pão – Circo, Copa pra quem? tomou a avenida que fica ao lado do Supermercado Makro.

Num ritmo contagiante e com cartazes que chamavam a atenção pela criatividade, os manifestantes começaram a congestionar a avenida em direção ao estádio Castelão. Iniciada às 10 horas da manhã, a + Pão – Circo estava apenas começando.

 Os manifestantes concentraram-se durante duas horas na avenida. De acordo com  a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), por volta do meio dia, o movimento já estimava 50 mil pessoas. Passada essa hora, o movimento foi em direção ao Castelão, porém havia  barreira do Batalhão de Choque da Polícia Militar, que bloqueou o acesso à Arena na avenida Alberto Craveiro. As pessoas pediam passagem e gritavam palavras de ordem.

Foto: Misael Parente
Foto: Misael Parente

Segundo a estudante de jornalismo, Thaís Praciano, que esteve no local, a manifestação, mesmo com alguns problemas de dispersão, serviu para marcar o que ela acredita. “O único problema real para mim foi a grande dispersão do grupo no começo, além do percurso muito longo no sol quente. Fora isso, esse dia ficou marcado na minha vida como o dia em que fui pra rua lutar pelo que acredito. Todo mundo que estava lá deve ter se sentido assim, como parte de algo muito maior”, declara.

Por volta de 12:30h, o movimento recuou e seguiu em direção a BR-116. Em minutos, os manifestantes ocuparam a BR, bloqueando o trânsito nos dois sentidos. Já somava-se mais de 80 mil pessoas indo em direção ao estádio.

“Seu guarda seja meu amigo”

Foto: Rafael Allan
Foto: Rafael Allan

Dentre as manifestações que estão acontecendo pelo país inteiro, pode-se destacar casos de abuso de poder, como foi o caso da repórter Giuliana Vallone, da Folha de S.Paulo, atingida no olho por bala de borracha disparada pela PM. Em Fortaleza, também aconteceu exemplos de violência contra os manifestantes. O fotógrafo, Rafael Allan, enfatizou o abuso de autoridade por parte dos policiais militares, tanto com ele e seus amigos, quanto com os jornalistas que estavam presentes.

Sofremos repressão por parte da Polícia Militar, mesmo fazendo parte da mídia. Eu fiquei sem acreditar no que estava acontecendo, pois a manifestação era nada mais do que pacífica. Atiraram na gente!”, desabafa Rafael.

Foto: Rafael Allan
Foto: Rafael Allan

O estilista, Marcelo Lima, que também esteve presente no ato, também sofreu abuso. “Eu fui um dos atingidos por uma bomba de gás, assim como muitos outros. Infelizmente caí, me machuquei e, por pouco, não fui pisoteado por manifestantes desesperados em meio a covardia da polícia”. Marcelo disse ainda que “algumas poucas reações violentas foram vistas, por parte de alguns grupos isolados, mas estas só tiveram início após o ataque gratuito do batalhão de choque, que nos atacaram com bombas de gás e bombas de efeito moral disparadas para dentro da multidão”.

+ Pão – Circo, Copa pra quem? é uma das muitas manifestações que estão acontecendo pelo Brasil inteiro. Os objetivos dos atos são diversos, como a melhoria na saúde e educação, gastos maciços para a Copa, corrupção, PEC 37 e aumento de passagens dos transportes públicos.

Texto: Priscila Baima

Confira a galeria:

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Manifesto ‘Mais Pão, Menos Circo’ acontece amanhã em Fortaleza

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O movimento Mais Pão, Menos Circo, Copa Para Quem? tem como objetivo chamar atenção das autoridades, afim de mostrar os grandes investimentos para a Copa do Mundo, enquanto falta no país o básico, como a educação e saúde de qualidade. O evento acontecerá amanhã, 19, às 10 horas, com a concentração no supermercado Makro (Avenida Alberto Craveiro), seguindo para a Arena Castelão às 12 horas.

No facebook, já existem mais de 10.000 presenças confirmadas, podendo, assim, observar a importância do evento, principalmente com o apoio das redes sociais. A manifestação, assim como as que estão acontecendo em todo país, não pretende cometer nenhum tipo de vandalismo, muito menos agredir as autoridades.

Uma das organizadoras do evento, que não quis ser identificada, explica como se deu o início da manifestação. “Muitos amigos de outros estados foram agredidos nas outras manifestações, vimos que nossos ideias eram os mesmos, que estávamos cansados da atual situação política do país e decidimos nos reunir para mostrar que não é apenas um grupo, mas sim, uma boa parte da população que está cansada. ”

A idealizadora do projeto também fala a importância das redes sociais para esse tipo de iniciativa. “O facebook e o twitter servem pra repassar mais rapidamente as informações, tanto de segurança quanto de localização. O instagram é a fonte de provas do que realmente acontece. As comissões se organizaram justamente pra que todas as redes sejam utilizadas para facilitar o ato”, conclui.

Serviço

Mais Pão e Menos Circo, Copa Para Quem?

Local inicial:  Supermercado Makro (Avenida Alberto Craveiro), BR 116

Data: 19 de junho

Horário: A partir das 10 horas

Texto: Thaís Barbosa

O despertar de um gigante: ou ficar a pátria livre, ou morrer pelo Brasil

Manifestação no Rio de Janeiro. Foto: Daniel Merenco/Folha Press
Manifestação no Rio de Janeiro. Foto: Daniel Merenco/Folha Press

As ruas do Brasil ganharam mais vida nos últimos dias, em decorrência dos protestos realizados contra medidas governamentais, em prol de implementações e em oposição à realização da Copa do Mundo de 2014 no país.

Os protestos começaram em Porto Alegre, em fevereiro deste ano, atingindo outras cidades brasileiras. Em São Paulo, manifestações pacíficas contra a alta na tarifa de ônibus, anunciada pelo novo prefeito Fernando Haddad, geraram reações violentas por parte da Polícia Militar, que se utilizou de balas de borracha e gás lacrimogêneo para conter os manifestantes, ferindo inclusive pessoas que não estavam envolvidas no protesto. O Movimento Passe Livre reivindica por transporte público gratuito e de qualidade.

A repórter Giuliana Vallone, da Folha de S.Paulo, foi atingid ano olho por bala de borracha disparada pela PM - Foto: Diego Zanchetta/Estadão
A repórter Giuliana Vallone, da Folha de S.Paulo, foi atingida no olho por bala de borracha disparada pela PM – Foto: Diego Zanchetta/Estadão

No dia 6 de junho, primeiro dia de protestos, 30 pessoas ficaram feridas pela ação da polícia pela não obstrução da avenida Paulista. Sete jornalistas da Folha de São Paulo foram atingidos por spray de pimenta e feridos por balas de borracha, enquanto cobriam as manifestações. Um repórter da Carta Capital foi detido por posse de vinagre.

No Rio de Janeiro, milhares de manifestantes tomaram o centro da cidade, tendo mais de 68 mil pessoas confirmado presença na manifestação pelas redes sociais. O movimento iniciou-se, como em São Paulo e outras capitais brasileiras, motivado pelo aumento das passagens de ônibus, ampliando-se para reivindicar melhorias na educação, na saúde e contra os gastos voltados para a realização da Copa.

Um grupo organizou-se em protesto nos arredores do estádio Maracanã ontem, 16, com gritos de guerra como “se a passagem não baixar, a roleta eu vou pular” e “Eduardo Paes, cadê você, cadê você?”

Brigadeiro Faria de Lima, São Paulo. Foto: Juca Varella/ Folha Press
Brigadeiro Faria de Lima, São Paulo. Foto: Juca Varella/ Folha Press

Foram convocadas a participar dos manifestos pelo menos 177 cidades brasileiras. No exterior, brasileiros se mobilizam em pelo menos 44 cidades, tendo ao menos cinco dessas cidades já registrado manifestações: Berlim (Alemanha), Dublin (Irlanda), Montreal (Canadá), Boston (Estados Unidos) e San Diego (EUA).

Por meio de passeatas, dos cartazes, dos coros e das mensagens, vídeos e imagens compartilhados nas redes sociais, o movimento vai gradativamente ganhando mais corpo, convertendo-se em grito robusto. É o gigante que desperta, é o filho que não foge à luta.

A revolução iluminou a Terra da Luz

Manifestação Fortaleza Apavorada. Foto: Hayanne Narlla.
Manifestação Fortaleza Apavorada. Foto: Hayanne Narlla.

Em Fortaleza, as manifestações foram iniciadas na última quinta-feira, 13, com a caminhada proposta pelo movimento Fortaleza Apavoradagrupo apartidário que ganhou força nas redes sociais reunindo fortalezenses insatisfeitos com os elevados níveis de violência da cidade e dispostos a lutar por mais segurança.

A caminhada, que teve como ponto de concentração o Palácio da Abolição, sede do governo do estado do Ceará, e prosseguiu até a Av. Beira Mar, reuniu mais de 2 mil pessoas, direta ou indiretamente atingidas pela violência da capital. O evento parece ter servido também como ponto de partida para diversos outros atos: há sete manifestações político-ideológicas agendadas para esta semana em Fortaleza.

Manifestação em Fortaleza. Foto: Sara Maia
Manifestação em Fortaleza. Foto: Sara Maia

Nesta segunda-feira, 17, aconteceu na Gentilândia, às 16h, o Ato Anticapitalista de Repúdio à Repressão Policial do Estado – um protesto contra a violência da polícia e sua atuação antidemocrática na repressão de manifestantes. Neste mesmo dia, aconteceu também, no Bosque das Letras, no Centro de Humanidades da UFC (CH1), às 18h, a plenária geral de preparação para o Ato Nacional em Defesa do Transporte Público, que clamará, entre outras reivindicações afins, pela gratuidade e confecção imediata das carteirinhas de estudante de 2013. O ato em si está programado para ocorrer nesta quinta-feira (20), no IFCE.

Na quarta-feira (19), ocorre na Arena Castelão a manifestação + Pão – Circo / Copa pra Quem?! , ato pacífico, também apartidário, em repúdio à Copa do Mundo, com concentração marcada para 10h no pátio do supermercado Makro (na Av. Alberto Craveiro) e saída para o Castelão programada para o meio-dia. O cerne do protesto recai sobre os gastos excessivos do governo com a Copa do Mundo, em contraposição à visível carência do país em setores básicos como educação, saúde e transporte público.

Avenida Domingos Olímpio, Fortaleza. Foto: Divulgação
Avenida Domingos Olímpio, Fortaleza. Foto: Divulgação

Para o mesmo dia, está planejado o ato Brasil x México – Todos de Preto, voltado para aqueles que já compraram ingresso para o jogo. A ideia da manifestação é incentivar os torcedores que vão ao estádio a usar preto, pintar as mãos de vermelho e, se possível, levar cartazes, de modo a causar impacto nas redes de televisão durante a transmissão do jogo.

Na sexta-feira, 21, acontece no Teatro do Centro Dragão do Mar, às 16h, o ato Operação Educação 10, visando a uma conscientização quanto à necessidade de investimentos significativos no ensino público de modo a tornar a educação uma prioridade nacional. No sábado, 22, por fim, ocorre a I Caminhada Ceará Pede Paz, com saída programada para as 16h, da Av. Beira Mar.

Texto: Janine Nogueira e Lia Martins

Confira a galeria das manifestações nas principais cidades brasileiras

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