[Claquete] “A missão do político não é a de agradar a todo mundo.”

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A Dama de Ferro, longa-metragem dirigido por Phyllida Lloyd (do musical Mamma Mia!) e estrelado por Meryl Streep, é um drama histórico que busca reconstruir a trajetória pessoal e política de Margaret Thatcher.

 Filha de um comerciante do interior da Inglaterra, Thatcher foi a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra no Reino Unido – por três mandatos consecutivos, entre 1979 e 1990. A “Dama de Ferro”, como era chamada por suas posições políticas firmes e controversas em defesa do liberalismo econômico, morreu nesta segunda-feira (8) aos 87 anos, após sofrer um derrame.

O longa conta com ótimas atuações, com destaque para Meryl Streep no papel principal – que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz em 2012. Streep, sempre notável por sua capacidade de entrega às personagens, encarna os maneirismos e a modulação vocal de Thatcher com perfeição.

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Trata-se, no entanto, de um filme irregular no que concerne à direção, e com escolhas de roteiro duvidosas. Opta-se por um enfoque demasiado pessoal – e sentimental – da figura de Margaret Thatcher, deixando tanto os fatos históricos quanto a trama política em segundo plano.

Guerra das Malvinas, a greve dos mineiros e os ataques do Exército Republicano Irlandês (IRA), eventos que marcaram a história do Reino Unido e aconteceram durante o período em que Thatcher era primeira-ministra, são mostrados sem nenhum aprofundamento e sem qualquer atenção à ordem cronológica ou aos desdobramentos políticos decorrentes.

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Além disso, a impenetrabilidade da figura composta pela ex-premier – carente de carisma tanto quanto de empatia – motivou uma reivenção da personagem em A Dama de Ferro: Thatcher é aqui mostrada como uma mulher frágil e debilitada – que sofre de inverossímeis alucinações com o marido morto – reavaliando o passado.

Em suma, apesar da excelência das atuações e do figurino, A Dama de Ferro não cumpre o papel de aproximar o espectador da real Margaret Thatcher enquanto figura histórica, nem o de familiarizá-lo com os eventos políticos que moldaram sua carreira. A figura de Thatcher permanece, ao fim dos 105 minutos de filme, tão incógnita quanto antes – e um tanto menos verossímil.

Ficha Técnica

Título original: The Iron Lady

Ano: 2011

Duração: 105 min

Direção: Phyllida Lloyd

Gênero: biografia; drama

Texto: Lia Martins