Aplicativos facilitam mobilidade urbana nas grandes cidades

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Foto: Reprodução

Softwares como “Waze” , “99Taxis” e “Moovit” estão no topo da lista dos mais baixados pelos usuários do iTunes (loja de aplicativos para usuários da Apple) na categoria Navegação. Normalmente desenvolvidos por jovens que visam simplificar a vida das pessoas, esses programas podem ser adquiridos de graça por aqueles que possuem o sistema operacional iOS, além de terem uma interface bastante dinâmica, o que torna o manuseio mais fácil e rápido.

O “Waze”, por exemplo, dispõe de mapas sinalizados com ícones coloridos que indicam onde há acidentes, blitze, radares e grande congestionamento de veículos. De acordo com as informações na página de download do produto, ele já conta com uma comunidade de 50 milhões de usuários espalhados por todo o Brasil que colaboram entre si com notificações alertando o tipo de acontecimento em determinada área.

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Foto: Reprodução

Já o “99Taxis”, em funcionamento em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife e Salvador, tem como proposta permitir que um táxi seja chamado a partir de um simples clique. O GPS do celular rastreia o taxista mais próximo e, ao fazer um pequeno cadastro, o cliente pode acioná-lo, acompanhar seu trajeto pela tela do aparelho e obter informações como placa e modelo do carro. Mais de 11.000 táxis já utilizam esse sistema e os elogios são feitos de ambas as partes: os passageiros se dizem muito satisfeitos com a pontualidade e a eficiência do aplicativo e os taxistas consideram melhor do que qualquer cooperativa, segundo opiniões deixadas na página virtual do programa.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O “Moovit” tem finalidade semelhante ao “99Taxis”, mas foca no transporte público. Já está disponível em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Itajaí e, agora, Fortaleza, com linhas de ônibus, trens e metrôs. O usuário pode simular a melhor rota, ver o veículo se aproximando, informar-se sobre os itinerários disponíveis e receber ou enviar relatos explicando razões de atraso e superlotação. Tudo isso em tempo real.

Ainda que sejam um privilégio de apenas parte da população, pois somente quem tem condições de adquirir aparelhos celulares com softwares compatíveis pode ter acesso a esse tipo de informação, os aplicativos estão auxiliando ainda mais as pessoas que, diariamente, enfrentam problemas relacionados à mobilidade urbana. A situação do Brasil nesse quesito ainda é bastante precária e, apesar de bastante debatida, pouco solucionada.

Segundo dados do Greenpeace, apenas sete projetos de mobilidade urbana foram concluídos em todo o país. No Ceará e no Amazonas, esses planos nem chegaram a ser iniciados. Com a falta de compromisso dos governantes, cabe à população se virar da melhor maneira possível, contando sempre com a fundamental participação da tecnologia.

Texto: Fernanda Gurgel

Muito além dos viadutos

 Foto:Luana de Castro
Foto: Luana de Castro

Aconteceu nesta terça-feira (17), a segunda atividade da série de debates sobre mobilidade urbana em derivação ao Dia Mundial Sem Carro. Dentro de um contexto pertinente – e polêmico – em torno da construção dos viadutos, a Universidade de Fortaleza recebeu a militante Marúcia Mendes (movimento Salve as Dunas do Cocó) e o professor, advogado e vereador João Alfredo (PSOL), sob coordenadoria da professora Sylvia Cavalcante, para arguirem sobre a temática “Cocó – Uma Trajetória de Resiliência e Esperança”.

É por meio da apresentação do histórico de lutas em prol do Parque do Cocó, desde a década de 70, que Marúcia distingue a ocupação da área de atos ociosos e sem causa. Para ela, mais do que a luta por árvores que foram derrubadas ou que poderão ser, há, nesse manifesto, um exercício simbólico e real sobre o que entendemos por Direito à Cidade. ” É uma pena ver os ‘heróis da resistência’ lutarem com os poderes econômicos sem o apoio de uma parcela da sociedade”, enfatizou.

Foto: Luana Poynter
Foto: Luana Poynter

Marúcia denunciou, ainda, o avanço de aterros sanitários e os incêndios propositais na área vegetal. Com o fim de sua fala, a militante passou a palavra ao palestrante posterior com uma reflexão sobre o efeito paliativo da construção de um novo viaduto, e acrescentou: “Existe uma só maneira de resolver o problema da mobilidade; pela educação e reorganização da malha urbana”.

Em seguida, João Alfredo deu continuidade aos questionamentos da palestrante anterior afirmando: “Estou absolutamente convencido de que os viadutos são ilegais”. João justificou a declaração discursando sobre o desrespeito da Prefeitura pelo Direito Ambiental e Urbanístico, ressaltando que o Cocó é considerado, pelo Código Florestal e pelo Plano Diretor de Fortaleza, área de preservação permanente. O vereador apontou, também, que a verba para a construção de viadutos poderia ser utilizada para promover melhorias no sistema de transporte público.

Foto: Luana de Castro
Foto: Luana de Castro

Em tempo, ele descreveu suas percepções sensoriais ao presenciar o recuo da “tropa de choque”, que, segundo o palestrante, invadiu ilegal e violentamente o acampamento do Ocupe o Cocó, após liminar judicial: “A luta é apartidária, é pela capacidade de resistir contra a ordem, se ela for injusta. Presenciar essa conquista, não tem preço”, frisou. Ele aproveitou, então, para ironizar os chavões que denominam os ocupantes (de modo pejorativo) com um trocadilho: “Vai vagabundear, trabalhador”.

Texto: Alana Oliveira

Construção dos viadutos no Cocó: a polêmica continua

Foto: Movimento Crítica Radical
Foto: Movimento Crítica Radical

Nas últimas semanas têm se intensificado discussões sobre a construção de dois viadutos no cruzamento das avenidas Antônio Sales e Engenheiro Santana Júnior. O início da obra, avaliada em R$ 17 milhões, teria início no dia 05 de julho, porém o Ministério Público Federal do Ceará (MPF-CE) apresentou uma ação civil pública contra a Prefeitura de Fortaleza e a União para que a autorização fosse suspensa. O MPF questionou a elaboração de estudos prévios de impacto ambiental e, desde então, o caso segue entre suspensões e liberações para retomada de execução da obra.

Há 20 dias, membros de movimentos contrários à construção dos viadutos, assim como alguns outros manifestantes, permanecem acampados no local onde 79 das 94 árvores já foram derrubadas, protestando pelo salvamento da área de preservação ambiental.

Foto: Movimento Crítica Radical
Foto: Movimento Crítica Radical

Para o estudante de jornalismo, Wagner Mendes, esta intervenção representa a “falta de projetos pra cidade e uma agressão ao pouco do verde que ainda resta em Fortaleza” e sugere outras soluções. “A mobilidade urbana precisa ser pensada e discutida com a sociedade no sentido de elaborar um projeto sustentável e viável pra cidade. Não se pode aplicar medidas paliativas na tentativa de resolver um problema como o trânsito. Grandes cidades do mundo partem de alternativas que privilegiam a qualidade do transporte coletivo, atraindo a população que tem o seu veículo particular”.

Maquete do Viaduto da Antônio Sales. Foto: Diário do Nordeste
Maquete do Viaduto da Antônio Sales. Foto: Diário do Nordeste

Por outro lado, existe uma parcela de fortalezenses que apóia a construção dos equipamentos, tendo em vista a facilitação do trânsito no trecho. O advogado João Viana, por exemplo, argumenta que as pessoas gostam de criticar e que não se pode interferir no progresso da cidade. “Eu acho isso o cúmulo. O que vai ali? Vão colocar uma coluna dentro do Cocó onde foram tiradas as árvores. Cada árvore tirada, eles vão plantar duas ou três. O que é que querem mais? O povo gosta de fazer celeuma. Isso é não ter nada o que fazer”, enfatiza.

De acordo com o projeto, a construção dos viadutos deverá avançar sete metros do parque e a conclusão está prevista para o ano que vem.

Para saber mais sobre viadutos e mobilidade urbana:

Apocalipse Motorizado

Texto: Lígia Costa

[Série] Mobilidade Urbana para a Copa: vai dar tempo ?

Matéria produzida pelos alunos da oficina de jornalismo 2012.1

Mapa das obras – Foto: http://www.portal2012.org.br

Fortaleza vai receber obras importantes de mobilidade urbana para a Copa de 2014. A cidade detém hoje, o segundo trânsito mais complicado do país , só perdendo para São Paulo. Quem mora aqui, sabe a dificuldade de locomoção , principalmente nos horários de pico. Além da falta de planejamento e alargamento de vias, a situação do trânsito na cidade, se agrava mais ainda, por conta de cerca de 5.ooo novos carros , que passam a circular em Fortaleza todos os meses, segundo a estimativa do DETRAN. Se os motoristas sentem dificuldade de locomoção no dia-a-dia imaginem numa Copa do Mundo , onde Fortaleza vai receber um público de 3 milhões de pessoas, por isso a importância dessas obras. Sem elas, seria praticamente impossível a realização de uma Copa em Fortaleza.

Mas será que vai dar tempo fazer tantas obras? Para fazer o acompanhamento dos acontecimentos que envolvem o processo de mobilidade urbana para a Copa, preparamos um memorial de links de matérias e multimidialidade , onde o leitor poderá acompanhar passo-a-passo o andamento dos trabalhos.

As obras de mobilidade urbana para a Copa de 2014 deram início no dia 24 de janeiro deste ano. A prefeita Luizianne Lins e o coordenador de Projetos Especiais Geraldo Accioly acompanharam os primeiros trabalhos que foram feitos no cruzamento da Via Expressa com a avenida Abolição, conforme matéria publicada no site portal 2012. Mais quatro avenidas estão inclusas no processo: Dedé Brasil, Alberto Craveiro, Paulino Rocha e Raul Barbosa.

Quando falamos em obras nas vias urbanas de Fortaleza, logo pensamos nos engarrafamentos que são constantes no nosso dia-a-dia, imagine como será transitar na cidade durante as obras . Segundo informação do site, as vias serão interditadas parcialmente, com uma faixa por sentido bloqueada. Os trabalhos ocorrerão no período da madrugada, entre 21h e 5h, para não trazer transtornos maiores, nos horários de pico. A obra foi orçada em R$ 145 milhões e as intervenções foram inicialmente, conduzidas pela Delta Construções e a previsão de conclusão é para agosto de 2013.

Podemos ver mais detalhes sobre o início das obras de mobilidade urbana, neste vídeo de uma matéria da TV Jangadeiro que adianta informações da segunda fase do projeto, como recapeamento e sinalização das vias envolvidas no projeto e a construção de túneis na via expressa .Nessa segunda etapa, outras ruas passarão por intervenções , como Dedé Brasil, que receberá implantação de corredores exclusivos para ônibus e construção de viadutos. A avenida Alberto Craveiro receberá alargamento para 4 faixas, corredor de ônibus e construção de túnel. Ao contrário do que disse o site Portal da Copa, nessa matéria, as obras foram orçadas em 261 milhões.

Os fortalezenses já pouco acreditavam na conclusão das obras de mobilidade urbana da capital cearense. Depois de iniciadas, as atividades andavam meio lentas . Para piorar a situação, as obras, que são de responsabilidade da Prefeitura de Fortaleza, foram interrompidas quatro meses depois do início pois a construtora responsável, Empresa Delta Construções S/A, pediu recisão de contrato. Como se pode acompanhar nessa reportagem .

A nossa equipe entrou em contato com a Coordenadoria de Projetos Especiais e Relações Institucionais e Internacionais ( Cooperii) para obter uma posição a respeito das obras na cidade, a mesma não concedeu a entrevista, alegando que devido ao imprevisto, os coordenadores e engenheiros não estariam autorizados a conceder entrevistas, até que fosse resolvido o empecilho e que o novo processo licitatório fosse lançado. Um mês após anunciar a saída da Delta, a prefeitura anuncia o novo edital para as obras de 2014. A previsão é que as obras tenham início em setembro deste ano e a nova construtora terá que trabalhar dia e noite para não atrasar a entrega , que deverá ser em dezembro de 2013, conforme informado nesta matéria.

Segundo o coordenador de projetos especiais da prefeitura, Geraldo Aciolly, com o novo cronograma do edital, a prefeitura fará o máximo para cumprir as metas no prazo. E aí, será que vai dar tempo?

Texto: Rosanni Guerra e Thayane Silva 
Orientação: Profa. Adriana Santiago