[Mundo Unifor] “O processo democrático não é uma construção do consenso”

Foto: Avner Menezes
Foto: Avner Menezes

MUNDO UNIFORA Unifor recebeu na penúltimo dia do Mundo Unifor, 24, o jurista e político brasileiro Nelson Jobim para ministrar uma palestra magna sobre os “25 anos da Constituição brasileira”.

Logo no início da palestra, Nelson Jobim foi enfático ao dizer: “Não vim aqui apenas para palestrar, mas para que façamos um exercício de memória”. De fato, o encontro se tratava de uma retrospectiva, abordando os embates para a instalação da nova constituição e os vários modelos já implantados no regimento político do país.

O jurista declarou que a formação da constituição foi votada ainda num processo não democrático e afirmou: “O processo democrático não é uma construção do consenso, é uma superação do dissenso”, alertando também para importância da separação dos poderes constituintes no processo de redemocratização.

Foto: Avner Menezes
Foto: Avner Menezes

A palestra foi assistida por centenas de universitários, como foi o caso de Emanuelle Costa, estudante do curso de Direito da Unifor. “Na palestra eu pude perceber que o processo constituinte se deu de forma bem mais interessante do que falam os livros”. E completou: “Cheguei a conclusão de que nem sempre um dos lados sai vitorioso, é preciso jogo de cintura para lhe dar com essas situações”, declarou a estudante que está no sexto semestre do curso.

Nelson Jobim foi professor adjunto do departamento de Direito da UFSM/RS e, atualmente, é professor adjunto da Universidade de Brasília. Na política, foi deputado federal pelo Rio Grande do Sul, ministro da justiça, ministro do Supremo Tribunal Federal e foi eleito presidente do STF, função que exerceu até 2006.

Este ano, o Brasil comemora 25 anos de sua atual Constituição, a qual representou o passo decisivo na construção da democracia no Brasil. Com o processo de redemocratização em curso, a expectativa, naquela ocasião, era de que reais transformações poderiam ser conquistadas pela atuação das forças democráticas.

Texto: Beatriz Santos e Tatiana Alencar

[Mundo Unifor] Cidades Inteligentes é tema da palestra principal do CCT

Antônio Carlos Dias. Foto: Thiago Gadelha
Antônio Carlos Dias. Foto: Thiago Gadelha

MUNDO UNIFORO Centro de Ciências Tecnológicas (CCT) recebeu nesta quarta-feira, 23/10, o diretor de Smarter Cities da IBM Brasil, Antônio Carlos Dias. Ele tem pós-graduação em Gestão Empresarial pela Escola de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e graduação em Engenharia de Sistemas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

O encontro foi dividido em duas partes, uma direcionada aos professores voltados para área tecnológica e outro para o público em geral, numa Palestra Magna. Carlos Dias explicou a necessidade de se trabalhar melhorias para as cidades, defendendo que este é um espaço de profunda interação social. Ao explanar sobre a sua função profissional, ele brincou falando sobre a explicação que deu ao seu filho de nove anos, no que este resumiu a conversa dizendo: “Você ajuda as pessoas a serem mais felizes!”. Antonio Carlos acredita que trabalha para melhorar a vida das pessoas aplicando tecnologia de forma inteligente a fim de solucionar problemas sociais.

Foto: Thiago Gadelha
Foto: Thiago Gadelha

Ele conta que a explosão demográfica foi um grande marco na mudança estrutural da sociedade, fazendo surgir a necessidade de melhorias nos setores de educação, saúde, segurança, trânsito, entre outros. Segundo ele, a IBM notou que estes fatores se correlacionam, facilitando o processo de modificações, “o problema consiste em conseguir pensar de forma conjunta, não individual”.

Perspectiva futura

Ele estima que em 2025 a população mundial terá um acréscimo de 300 milhões de habitantes, e a preocupação está na quantidade de produção acentuada que isto causará. “Quanto maior o volume de pessoas, mais quantidade de produção é necessária. As cidades mais inteligentes serão as que menos gastarem energias em suas tarefas”, argumentou Carlos Dias. Sua crítica girou em torno da leitura de dados para aplicar mudanças realmente viáveis. “Existe um grande volume de dados, a maioria é descartada por conta dos métodos de estudo. Deve ser estruturada uma forma de tratamento na leitura destes dados”.

Dias ressalta que a tecnologia tem que ser pensada com o propósito de solucionar problemas que ainda irão ocorrer, “em breve as mensagens em tempo real não valerão de nada, o futuro é mais importante para resolver os problemas”. Deve ser pensado uma estrutura que calcule ocorrências futuras que previnam possíveis desastres sociais.

O palestrante destaca que cada cidade possui suas carências (energéticas, de transporte, educacionais, etc), mas o que as tornam melhores é a qualidade de vida que esta pode oferecer aos seus habitantes, e não apenas o PIB gerado, ou outros indicadores meramente econômicos. “E isto está inteiramente ligado à melhoria de vida, que é o propósito do programa do IBM voltado para as Cidades Inteligentes”, concluiu Dias.

Texto: Giovânia Alencar

[Mundo Unifor] Sobre a importância de sonhar

Foto: Thiago Gadelha
Mark Stevenson. Foto: Thiago Gadelha

MUNDO UNIFORA palestra magna do futurologista britânico Mark Stevenson, autor do livro An Optimist’s Tour of the Future, tratou sobre avanços da tecnologia, o valor do sonhar e a importância do que se acredita no presente para a construção do futuro.

Stevenson expôs avanços da ciência do âmbito da Biologia à Medicina. Da impressão em 3D, que permite transformar um desenho de modelagem tridimensional no computador em um objeto real e palpável, aos avanços no tratamento do câncer.

O britânico enfatizou sobre a essencial capacidade criativa do homem em oposição aos altos investimentos empregados em guerra, ilustrado com a exposição do valor monetário gasto com a guerra do Iraque na União Europeia e nos Estados Unidos e do valor humano, como o número de mortos.

Em tempos de pessimismo corrosivo, uma das marcas da modernidade, a síndrome de Pollyanna, protagonista do livro de Eleanor Porter que brincava de ver coisas boas onde só havia coisas ruins, realmente parece não ter vingado. As perspectivas para o futuro, aos olhos de muitos, remetem a destruição e negatividade. “Acho que hoje em dia instaurou-se uma consciência predominantemente negativa sobre o futuro. Particularmente, eu tenho medo ao pensar na ganância das pessoas. Até que ponto esse sentimento irá barrar a evolução?”, opinou Arthur César, estudante do curso de Engenharia Mecânica da Universidade de Fortaleza (Unifor).

Foto: Thiago Gadelha
Foto: Thiago Gadelha

O futurologista encerrou a palestra sinalizando sobre a importância da consciência da humanidade e que esta sonhe sonhos de sustentabilidade e compaixão. O futuro, colocou Stevenson, pode ser definido pelos valores que a humanidade optar por seguir.“Quando os ventos da mudança soprarem, algumas pessoas construirão paredes e outras construirão moinhos de vento. Vocês têm que construir moinhos de vento”.

Dicas de Stevenson para ser um otimista de sucesso:

Não tenha vergonha do otimismo e da sua ambição sobre o futuro: “Em suma, os otimistas de sucesso não sentem vergonha de dizer que as coisas poderiam ser melhores. Eles não têm escrúpulos em imaginar um mundo melhor e defendê-lo, não importa o quanto possam receber de desprezo das mãos dos cínicos. Em resumo, eles não têm vergonha de sonhar sonhos bons. Afinal, Martin Luther King não ficou nos degraus do memorial Lincoln e disse ‘Eu tenho um plano de cinco pontos’.

Abrace algo maior do que o que você é: “Aqueles com algo maior que eles mesmos geralmente têm uma felicidade advinda do âmago sobre o que quer que seja. É uma felicidade que vem de um sentimento que você tem um lugar no mundo. Um ‘projeto maior do que eu’ pode ser sua família, sua religião, o serviço militar ou uma vocação científica. Você não tem que concordar com o ‘projeto maior que eu’ de outra pessoa, mas é verdade que as pessoas que os têm são geralmente mais orientadas, positivas e capazes de obterem resultados favoráveis. Esta é uma felicidade diferente dos prazeres passageiros, como uma boa noitada ou uma grande piada, e que não irá se manifestar como alegria, mas seu poder motivador é fundamental para o otimista de sucesso.”

Pense mais como um engenheiro e menos como um político: “Pense Nisso. Engenheiros não constroem pontes de uma perspectiva de direita ou de esquerda. Eles as constroem em perspectivas baseadas em evidências e, ao longo do tempo, a construção da ponte fica melhor. Os políticos frequentemente tomam suas decisões de um ponto de vista ideológico, e se a evidência encaixar-se bem, isso é ótimo e, ao longo do tempo, como certamente se pode notar, o nosso sistema político piorou”.

Texto: Janine Nogueira

[Mundo Unifor] Câmeras de Vídeo “descomplicam-se” em oficina para alunos

Foto: Avner Menezes
Foto: Avner Menezes

MUNDO UNIFORNos dias 22 e 24 de Outubro, o professor de Audiovisual Valdo Siqueira e o cinegrafista Marcelo Falcão realizaram, como parte do Mundo Unifor, uma oficina de introdução à câmera de vídeo. A oficina ocorreu no estúdio de fotografia da Universidade, e atraiu alunos de diferenciados cursos, destacando-se entre eles os de comunicação.

Sobre o evento, o professor explicou que teve como objetivo “tentar socializar os conhecimentos em relação à parte técnica da câmera ao público, que às vezes pode considerar isso difícil. É necessário estabelecer um diálogo das pessoas com a câmera”.

Foto: Avner Menezes
Foto: Avner Menezes

Durante o primeiro dia, houve uma introdução básica aos princípios e história da fotografia. Usando Leonardo Da Vinci e Nièpce como exemplos, a discussão iniciou-se com a explicação do conceito de Câmara Escura, analisado pela Física. Em seguida, Valdo citou as diferenças básicas entre os tipos de câmeras, e comentou sobre o surgimento do cinema e a filmagem em película. “A Fotografia e o Cinema são duas coisas que possuem um ‘pé’ no analógico (pois o processo digital surgiu há aproximadamente 10 anos, relativamente pouco tempo). O analógico é um atraso (em relação às tecnologias existentes atualmente)”.

Em sua oficina, Valdo destacou a organização e importância do número de Pixels nas fotografias e vídeos digitais, explicando que, o processo analógico, por não constituir-se dessas unidades, não perde a qualidade quando ampliado.

Outros assuntos técnicos, como a disposição dos Pixels, os vídeos em Alta Definição e as funções White Balance, Iris e Focus, padrões nas câmeras de vídeo usuais, também foram discutidos.

Para o estudante de Publicidade e Propaganda, Olavo de Oliveira, que pretende trabalhar no setor audiovisual de seu curso, o evento é importante e atrativo por ter suas informações passadas “com fácil compreensão, e o professor as transmitindo de forma bem sedutora”.

No segundo dia, a oficina ficou a cargo de Marcelo Falcão, na parte prática da oficina. Comparando as funções entre câmeras fotográfica e de vídeo, eles tiveram a oportunidade de manusear uma filmadora profissional, assim como seus acessórios.

Texto: Gustavo Nery

[Mundo Unifor] “É necessário contratar profissionais qualificados”

Foto: Lívia Carneiro
Foto: Lívia Carneiro

MUNDO UNIFORNo segundo dia da semana do Mundo Unifor, 22, o Laboratório de Hotelaria da Universidade de Fortaleza recebeu hoje, pela manhã, a palestra de Captação de Eventos, tendo como palestrante a professora do curso de graduação em Eventos e também gerente do Fortaleza Convention Visitors & Bureau, Milena Auip.

Captar um evento é trabalhar em um processo para que a cidade receba um evento itinerante. Dentro desse contexto, o primeiro momento da palestra, foi discutido a importância das captações de eventos para as cidades, já que, através delas, é possível diminuir a sazonalidade, aumentando assim a quantidade de turistas, bem como, melhorar a infra-estrutura e aumentar o número de empregos.

Foto: Lívia Carneiro
Foto: Lívia Carneiro

O investimento aplicado no Centro de Eventos de Fortaleza, que hoje já é o melhor equipado da América Latina, e na Arena Castelão estão contribuindo para alcançar o maior objetivo das empresas do ramo, que é transformar Fortaleza em uma capital sede de eventos. Apesar da capital ainda estar em processo de crescimento no âmbito, ela já é a 8ª cidade brasileira que mais recebeu eventos internacionais em 2012, de acordo com o ranking da International Congress and Convention Association (ICCA).

No entanto, alguns obstáculos ainda precisam ser superados para se alcançar esse objetivo, segundo Milena. “Ainda falta melhorar a malha aérea, investir em mais leitos e continuar melhorando as vias de acesso. Além disso, é necessário contratar profissionais qualificados, visto que a demanda de eventos está cada vez maior”, contou.

Texto: Larissa Falcão e Letícia Batista