[Foca Nessa] Uma realidade alternativa surrealista

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Coraline é uma obra de terror e de suspense do autor britânico Neil Gaiman, publicada em 2002. A novela fantástica conquistou diversos prêmios e chegou a ser comparada a Alice no País das Maravilhas, de Lewis Caroll, por seu clima surreal e pelas aventuras infanto-juvenis ambientadas em uma realidade alternativa.

Entrando num mundo em que todos parecem estar, finalmente, a seu favor, a protagonista mergulha em uma trama deliciosa que alterna surpresas e que constrói uma filosofia madura sobre a infância. Ganhou os prêmios Hugo Award e Nebula Award de melhor novela de 2003 e o Bram Stoker Award de melhor trabalho de novos escritores de 2002.

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Coraline é uma garota curiosa que, por não receber suficiente atenção dos pais, muito ocupados com o trabalho, começa a descobrir o mundo por si própria ao se mudar para um novo apartamento perto da floresta. Rodeada por vizinhos intrigantes, ela se determina a fazer amizades verdadeiras e a passar o tempo antes das aulas letivas retornarem. Mas o tempo que ela passa a explorar uma porta trancada bloqueada por tijolos distorce sua realidade em um universo totalmente novo e perfeito em que ela, pela primeira vez na vida, se sente completamente satisfeita e feliz.

Sem saber se o que vê é real, Coraline se deixa envolver numa jornada perigosa de sedução com a Outra Mãe e o Outro Pai, que, como réplicas de seus verdadeiros pais, “apenas” pedem em troca poder costurar botões em seus olhos, como uma boneca, para que ela possa ser amada para sempre.

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Em 2009, o livro ganhou uma adaptação para o cinema a partir de um stop-motion dirigido por Henry Selick. Além dessa adaptação, uma revista em quadrinhos ilustrada por P. Craig Russel em 2008 evidencia diversos olhares sobre o mesmo ângulo do imaginário infantil abordado por Lewis Caroll, Lemony Snicket (Desventuras em Série), C.S. Lewis (As crônicas de Nárnia), JK. Rowling (Harry Potter), dentre outros escritores consagrados.

Coraline, discutindo sobre a fantasmática da infância, expõe de forma assustadora os medos que cercam essa fase da vida, levando o leitor a uma reflexão profunda e a um sentimento próprio de nostalgia.

Texto: Ravelle Gadelha