Fortaleza, terra do (pré) carnaval

Camaleões da Vila. Foto: Fernanda Façanha
Bloco do Baqueta. Foto: Johann Freitas

Ao som de percussões, xarangas e batucadas, o pré-carnaval de Fortaleza teve seu início oficialmente sexta-feira, 31 de janeiro. O evento é uma das festas mais esperadas do ano, não só pelos foliões, como também pelos vendedores ambulantes e taxistas que ocupam toda a cidade. Ao todo, 60 blocos se apresentam às sextas, sábados e domingos até dia 23 de fevereiro.

A Paixão

A amizade e a tradição são alguns dos elementos que fazem a festa da Capital, como retrata Edilson Rogério, que participa do pré-carnaval há 30 anos. Ele é um dos fundadores do primeiro bloco do carnaval de Fortaleza, o Que merda é essa? e, atualmente, faz parte do bloco Camaleões da Vila. “Eu adoro o samba. Não é só o samba, mas também essa brincadeira, a amizade com todo esse pessoal. No bloco, tem desde um garotinho de 10 anos até gente de 70”, afirma.

A amizade também é o que leva Claudio Machado, ritmista do bloco Bons Amigos a participar do pré-carnaval. “A amizade me traz aqui. O dono do bloco é meu aluno e ele me fez um convite de vir pra cá. Venho por prazer de tocar e pra contribuir com esse evento que só tem a crescer”, conclui.

Patrocínio

Edilson Rogério. Foto: Tatiana Alencar
Edilson Rogério. Foto: Johann Freitas

Em Fortaleza, existem cerca de 140 agremiações, das quais apenas 60 recebem R$ 8 mil da Prefeitura Municipal de Fortaleza. Os grandes patrocinadores apoiam meia dúzia de blocos, mesmo que os escolhidos por eles sejam os que precisam de menos apoio financeiro, porque realizam eventos todo ano. Edilson também atenta para a indiferença da prefeitura. “O pré carnaval de Fortaleza nasceu do povo, não foi a prefeitura ou governo, eles só fazem atrapalhar até hoje, mas fazer alguma coisa, ninguém faz. A prefeitura se meteu porque cresceu demais. Você vê aí 20, 30 mil pessoas, do pedaço que vai daqui até a mocinha são 12 blocos. Então a coisa foi do povo”, alega. O maior patrocínio vem dos próprios foliões que pagam mensalidades para frequentar as escolinhas de percussão e desfilam como ritmistas no pré-carnaval.

Segurança

No ano em que Fortaleza é eleita a 7ª cidade mais violenta do mundo e a segunda do Brasil de acordo com Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal, do México, o tema não poderia deixar de ser lembrado na festa. Um aparato formado por cerca de 200 policiais de, pelo menos, quatro batalhões, garantiu a segurança no segundo sábado de Pré-Carnaval na Praia de Iracema. Praticamente nenhum registro de incidentes (furtos, assaltos e agressões) foi efetuado nos dois corredores de desfile dos blocos (Rua dos Tabajaras e João Cordeiro) e no Aterrinho da Beira-Mar. “Participamos do pré-carnaval há 5 anos já. Este ano está super seguro e tranquilo. Não trazíamos a família antes, mas agora estamos trazendo e adorando. Me surpreendeu esse ano. O policiamento está maior, os horários também estão mais organizados… é a impressão que eu tô tendo”, afirma Lucas Guerra, folião do pré-carnaval.

Em contrapartida, Ana Maria Silva, comerciante da região do Dragão do Mar não compartilha da mesma opinião. “A segurança, não tem nenhuma. Tem viatura que passa, mas acontece um roubo e a viatura demora a chegar demais! Presencio vários roubos. O que precisa aqui no Dragão do Mar é de segurança fixa”, argumenta.

Mudança de hábito

Fabíola Campos, passista do Camaleões. Foto: Fernanda Façanha
Fabíola Campos, passista da Camaleões. Foto: Johann Freitas

Até os anos 80 as mulheres ocupavam a função apenas de passistas dos pré-carnavais, o que, segundo Edilson Rogério, isso mudou ao longo dos anos. “No meu tempo de 18 anos, a mulher que saísse num bloco desses ficava falada pelo resto da vida, e hoje não, você vê mulher tocando surdo, um instrumento pesado, e eu fico muito feliz.” Mas isso não quer dizer que as passistas perderam seu valor no pré-carnaval. “Ser passista é maravilhoso! Já danço há 7 anos, represento a escola Império Ideal, também represento o bloco dos Bodes do Jardim das Oliveiras e este ano estou aqui no Camaleões. Pra mim é excelente, maravilhoso”, afirma Fabíola Campos, 25 anos, passista da Camaleões.

Texto: Tatiana Alencar

Colaboração: Fernanda Façanha

Patins e o processo de revitalização da Praia de Iracema

Foto: Thaís Barbosa
Foto: Thaís Barbosa

Desde a chegada dos locadores de patins na Praia de Iracema, a área passou por um processo de revitalização. Tornou-se um lugar mais frequentado, sendo um espaço de lazer utilizado por crianças e jovens de todas as idades.

O espaço para patinação da Praia de Iracema foi delimitado em prol da melhor organização do espaço. Os preços dos aluguéis do equipamento esportivo tornaram-se padrão, com o valor fixo de 10 reais, no qual o cliente pode utilizar durante 6 horas. A atividade é benéfica tanto para os locadores, pois fornece uma renda, quanto para quem anda de patins, considerada uma atividade física aliada à diversão.

O locador Maurício Silva possui 60 patins em seu box e aluga em média 10 por dia, mas esses números costumam aumentar nos finais de semana. Além disso, essas atividades mostram a importância do patins para a socialização do local, pois acaba diminuindo a criminalidade. “Semana passada, em dois dias que ficamos fechados, houve três assaltos em apenas um dia. Isso acaba causando regressão para a área”, enfatiza Maurício.

Foto: Thaís Barbosa
Foto: Thaís Barbosa

O patinador assíduo, Jorge Luiz Noleto, que mora no bairro Aldeota, costuma patinar três vezes por semana. Fala que adora essa atividade por ser uma forma de relaxar, após a correria do seu dia-a-dia. “O patins me proporciona bem-estar, por ser uma forma de me divertir e cuidar da minha saúde. E, principalmente, por ser a fuga da minha estressante rotina”.

Há um embate constante entre locadores de patins e a atual gestão da Prefeitura. Isso ocorre devido à nova administração de Fortaleza, por alegar que a ocupação é dada de forma irregular e desordenada. Em contraposição, Maurício Silva argumenta, “já foi sugerido que houvesse pagamentos de concessões do espaço, até mesmo para a cobrança dos nossos direitos”.

Texto: Thaís Barbosa

Minha terra, Fortaleza, onde vejo o sol brilhar

Barra do Ceará. Foto: Débora Queirós
Barra do Ceará. Foto: Débora Queirós

A capital do Ceará, que neste sábado,13, completa 287 anos, cativa afetos nos que aqui nasceram. Nos que partem, fica a saudade, como se o vigor dessa Fortaleza não se encontrasse em outro lugar. Como diz Gonçalves Dias na emblemática Canção do Exílio, “nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores; Nossos bosques têm mais vida; Nossa vida mais amores.”

Em nossa cultura, aniversários são datas cercadas de expectativas. Por isso, é comum sair-se um pouco da rotina, expressando sentimentos e presenteando quem protagoniza mais um ano de vida. Por essa razão, alguns fortalezenses resolveram presentear a cidade conhecida como terra do sol, falando do que mais gostam nela.

O sol e o calor de Fortaleza, não à toa, são os itens bastante citados, principalmente por aqueles que habitam outras terras, longe da natal. Ao ser questionado sobre seu local favorito, o músico Thiago Montana, que vive há cinco anos em Estocolmo, fica em dúvida entre a beira-mar e o bairro Benfica. “A beira-mar é um lugar de se deliciar com o por do sol, fazendo uma corrida rápida depois do trabalho, e também mais a noite, com a paisagem e amigas de não muito tempo”, diz ele.

Saudade do calor. Thiago Montana no frio europeu.
Saudade do calor. Thiago Montana no frio europeu.

Quanto às razões sobre o apreço pelo Benfica, Thiago conta com saudade das “noites quentes de verão, em que costumava esfriar com algumas cervejas geladas em algum bar próximo”, mas admite que o que realmente gostava eram as noites cheias de gente comunicativa do bairro.

Como Thiago, a estudante Águeda Pryska, que há alguns meses mora na França, compartilha uma afeição especial pela Beira-mar, mas sob uma perspectiva diferente. “Eu gosto do vazio de pessoas no aterro pelas manhãs bem cedo, do vento e também por sentir a beleza de Fortaleza mais forte nessa área – não sei explicar bem o motivo. Mas para mim é o cartão postal de cidade!”, conta.

Águeda Pryska, na paisagem panorâmica da Beira-mar. Foto: Arquivo pessoal
Águeda Pryska, na paisagem panorâmica da Beira-mar. Foto: Raquel Cavalcante

“Vai manter a tradição…”

Filó França, integrante do tradicional bloco carnavalesco, Unidos da Cachorra, também elege o Benfica como seu cantinho predileto. “Adoro ir para lá pra ficar sentada ouvindo as histórias do seu Chagas, no famoso bar do Chaguinha; de beber sentada na calçada e, principalmente, do carnaval que acontece lá, cheio de originalidade cearense e alegria”, conta ela.

O que Filó descreve são elementos da cidade tão tangíveis quanto sua beleza natural. O que parece marcar quem aqui nasceu, além do “só, bem vermeio” de Patativa, é uma cultura rica, diversa e profunda. Se Fortaleza tivesse um banquete de aniversário, certamente não faltaria a tradicional cocada, o quebra-queixo e um bolo de Fubá bem grande, para caber as 287 velinhas.

Filó França curtindo o carnaval do Benfica. Foto: Arquivo pessoal
Filó França curtindo o carnaval do Benfica. Foto: Arquivo pessoal

Comemoração oficial

A Prefeitura organizou uma programação aberta ao público, em homenagem à cidade. A grande estrela da noite será o cantor Milton Nascimento, que fecha os shows deste sábado. Para facilitar o acesso, além de baixar temporariamente o valor da passagem para R$ 1.60 (inteira) e R$0,80 (meia), será disponibilizada uma frota extra de ônibus.

Confira a programação cultural de aniversário:

16h – Abertura da Arena Infantil.
18h – Show “Brincadeiras Cantadas”, do grupo Palavra Cantada.
20h – Show “Para cantar Fortaleza”, com artistas locais cantando canções de compositores cearenses.
21h – Show do Milton Nascimento com participação da fadista portuguesa Carminho e da Orquestra Eleazar de Carvalho.

Serviço

Aniversário de 287 anos de Fortaleza

Local: Aterro da Praia de Iracema
Horário: sábado (13), a partir das 16 horas

Texto: Manoela Cavalcanti

Música clássica na Praia de Iracema

Quarteto Colonial./ Foto: O Povo Online

Considerado um dos maiores grupos vocais de destaque na música clássica, o Quarteto Colonial, inserido no projeto Brasil a Quatro Vozes, se apresentará hoje, em Fortaleza. O concerto será às 20 horas, no teatro Sesc-Senac, na Praia de Iracema. Além do espetáculo o grupo ministrará oficinas de canto e música de câmera. As aulas acontecerão, quinta-feira (23), na sede do Instituto de Cultura e Arte da UFC, às 10 horas.

O primeiro concerto é intitulado “Capela Colonial”, que terá como foco a música sacra colonial. Já no segundo concerto, que leva o nome de “Poesia Cantada”, terá o repertório do grupo carioca, que destacará a música popular.

Segundo o assessor do grupo, João Luís, foram em média 50 pessoas para o evento de ontem e a sua próxima apresentação será em Natal. Que também contará com oficinas de canto e música de câmera, assim como em Fortaleza.

Serviço
UFC – Av. Mister Hull, s/n – Bloco de Música – Campus do Pici
Sesc – Senac – Rua Boris, 90 – Praia de Iracema

Texto de Giovanna Almeida com informações de Cia. Versátil, O povo e UFC.

Praia de Iracema é tema do Jornal do Bairro

(Foto de Francisco (Gifted) )

O mais novo produto do labjor é o Jornal do Bairro. Coordenado pela professora Bete Jaguaribe, nasce como uma publicação semestral da disciplina Princípios e Técnicas de Jornalismo Impresso. Cada edição tem como tema um bairro de Fortaleza.

O projeto quer tirar os alunos da Universidade e levá-los a conhecer um pouco mais dos bairros da cidade, identificando seus principais problemas, seus personagens, traçando uma radiografia do bairro. O primeiro escolhido foi a Praia de Iracema, devido a sua importância histórica e seu atual momento de degradação.