Segunda-feira é marcada pela cor branca

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Para colaborar com o espírito das manifestações que estão acontecendo por todo o Brasil, a “White Monday”, segunda-feira branca, é uma tentativa de protestar sem tumultuação. Em vez de as pessoas saírem às ruas com cartazes e hinos, todos deverão simplesmente utilizar alguma peça de vestuário da cor branca ou pendurar algo da mesma cor nas suas janelas, como panos e lençóis.

Os manifestantes não irão se reunir para saírem juntos  num mesmo horário, o movimento está acontecendo durante todo o dia no Brasil. Os outros países também foram convidados para participar em um ato de solidariedade, mostrando as suas peças brancas nas janelas às 4 horas da tarde. Todos que abraçarem a causa e vestirem ou usarem o branco estão postando fotos nas redes sociais, principalmente na página oficial do evento ou com a hashtag #vemprajanela.

Os organizadores não protestam apenas contra o aumento da tarifa do transporte público, mas também contra a violência. O branco simboliza o pedido de paz e de clareza na política. Para aqueles que são receosos em participarem de grandes manifestações nas ruas, essa é uma alternativa para mostrar o seu apoio aos últimos acontecimentos do país.

Texto: Thaís Praciano

“Abaixo à opressão, Feliciano não! A nossa luta é todo dia, contra o racismo e a homofobia”

Foto: Arquivo pessoal
Foto: Davi Lázaro

As palavras de ordem acima foram entoadas neste sábado,9, em Fortaleza, por manifestantes contra a nomeação do pastor e deputado federal, Marco Feliciano, do Partido Social Cristão (PSC), para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH). O protesto, organizado por um grupo na internet, foi uma manifestação voluntária e coletiva – sem ligação partidária – e que percorreu num trecho da Praia de Iracema. “Desde o início disseminamos a ideia de um evento totalmente pacífico e que acolhesse a todos”, explica um dos organizadores do grupo no Facebook, Michell Barros.

No site de relacionamentos houve 45.359 convidados. Segundo o co-organizador, Elton Pitombeira, até o data marcada foram confirmados 2.500 participantes, e na prática, o protesto teve de 400 à 500 pessoas. Elton relata aquiescência do público na rua. “A gente via que os pedestres cantavam o grito de guerra junto, dando apoio. Foi o retrato da indignação das pessoas. Teve cartazes, alguns se manifestaram pintando a cara, o corpo”.

Repercussões e motivações

Foto: divulgação
Brasileiros protestam em Londres. Foto: divulgação

Fortaleza não foi a única cidade a aderir aos protestos. Muito pelo contrário. A expressão popular ocupou ruas de 10 capitais brasileiras, incluindo até apoio internacional. Segundo a versão online da revista Fórum, Londres e Buenos Aires também foram palco de protestos.

Assim como nas ruas, a internet tem sido um meio de intensas discussões, e polêmicas. A manifestante, Annya Montenegro, explica porque aderiu à causa. “Acho que é pela indignação de certos depoimentos que a gente vê em vídeos do próprio pastor, contra a diversidade sexual. E contra, por exemplo, a defesa dos direitos dos negros. Dois grupos de minorias que já foram tão excluídos e injustiçados. São depoimentos gravíssimos”, diz ela. “Então acho que ele, sendo o presidente de uma comissão que luta pelos direitos desses grupos, é a coisa mais absurda que existe”, completa.

“Feliciano na comissão, ninguém te dá a senha do cartão”.

Foto: Arquivo pessoal
Foto: Davi Lázaro

A frase acima também foi proferida pelos manifestantes fortalezenses, ironizando uma declaração do deputado do PSC. Em um dos depoimentos a que se refere Annya, o pastor reclama de um “fiel” de sua igreja, que deu o cartão, mas não deu a senha. Segundo palavras de Marco Feliciano, assim “Deus não ajuda”.

“Além de cuidar dos assuntos referentes às minorias étnicas e sociais, especialmente aos índios e às comunidades indígenas, a preservação e proteção das culturas populares e étnicas do País”, a CDH diz em seu site que “percebe o crescimento de outros tipos de violações atingindo grupos vulneráveis como indígenas, migrantes, homossexuais e afro-descendentes”. O sentido do órgão é combater essa violências, denunciá-las. As declarações prévias do pastor/ deputado contradizem o que se compreende por uma visão social imparcial.

O Contraponto

Apesar de já ter sido, inclusive denunciado em janeiro, pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pelo suposto crime de discriminação, nem só de críticas foi a repercussão da nomeação e eleição do deputado Feliciano. O parlamentar tem mais de 144 mil seguidores no Twitter, e foi eleito pelo povo. Uma possível explicação para expressões populares tão contrárias entre si, é o crescimento da religião evangélica no Brasil e da bancada religiosa fundamentalista no parlamento.

 Texto: Manoela Cavalcanti

Estudantes organizam manifesto contra a aprovação de Novo Código Florestal

Circulam em alguns Centros Acadêmicos (CAs) da Unifor, um manifesto em forma de abaixo-assinado contra as mudanças no Código Florestal Brasileiro. O manifesto objetiva recolher grande número de assinaturas para serem encaminhadas aos senadores como forma de pressão popular para a não aprovação da nova legislação, que está prevista para entrar em pauta no Senado Federal no início de outubro.

A proposta da manifestação foi lançada pela coordenadora do curso de Direito, Bleine Queiroz, durante debate organizado pelo Centro de Ciências Jurídicas da Unifor, na última quinta-feira, 15, sobre o Novo Código. Os universitários presentes acolheram a ideia de imediato e propuseram distribuir as listas de assinaturas em CAs, como o de Engenharia Ambiental, o de Direito e o de Comunicação Social.    

Entre as mudanças propostas pelo Novo Código, já aprovadas pela Câmara Federal, estão a diminuição das áreas de preservação permanentes (APPs) e a anistia para crimes ambientais cometidos até 2008. De acordo com o professor de direito ambiental e vereador pelo PSOL, João Alfredo Teles Melo, as mudanças no Código representam um retrocesso na lei de 1956, lei que determina o atual Código Florestal. Além de deixar de lado questões ecológicas, as aletrações privilegiam medidas de natureza política.


Veja vídeo explicativo elaborado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.


Texto: Lorena Cardoso

Orientação: Profa. Adriana Santiago