A comunicação na era do compartilhamento

Foto: Avner Menezes
Foto: Avner Menezes

Na manhã desta terça-feira (19), o auditório A2 da Unifor recebeu debate sobre as ramificações no atual cenário das mídias e o excesso de informações. Os jornalistas Adriana Santiago, Plínio Bortolotti e Roger Pires contaram um pouco de suas experiências sobre o que é comunicar na era das redes sociais. O evento faz parte da Semana da Comunicação, realizada entre os dias 18 e 20 de agosto, no campus da universidade.

De início, o jornalista Plínio Bortolotti (responsável pelo projeto Jovens Talentos, para estudantes de jornalismo, realizado pelo Jornal O Povo), mencionou o filme Mercado de Notícias, inspirado em uma peça de teatro escrita em 1626. “Essa obra discute o excesso de notícias e ela é tão atual que se tivesse sido encenada numa redação, não mudaria nada. O que mudam são as mídias. Tudo começou com os livros, mas devido o alto custo, não era de fácil acesso. Assim, surgiu o jornal e de repente tudo era notícia”, completou.

Roger Pires. Foto: Avner Menezes
Roger Pires. Foto: Avner Menezes

A quantidade de informações encontradas hoje na internet fez com que Roger Pires (Coletivo Nigéria) apresentasse outro tópico em pauta: a recepção do leitor diante do que é posto na rede. Segundo ele, as pessoas só leem a manchete e já compartilham sem saber do que se trata. “Estamos tendo uma recepção muito passiva da internet e isso me faz pensar que estávamos muito acostumados com a TV, que só nos arremessa informações. A internet está aí não só para recebermos informações, mas também enviar”, afirmou.

Adriana Santiago. Foto: Avner Menezes
Adriana Santiago. Foto: Avner Menezes

No entanto, as pessoas ainda vão checar as notícias em seus sites de confiança. “Nós, jornalistas que tínhamos nossa credibilidade inerente, estamos sendo questionados e nós estamos trabalhando melhor pra isso. Nesse momento estamos em crise e precisamos melhorar. Nesse momento, as redes sociais, esse novo modo de consumir notícias, é a forma que temos para melhorar, estou em uma posição otimista”, empolgou-se Adriana Santiago, professora da Unifor e membro da Agência de Informação Frei Tito para América Latina (Adital), agência de notícias que nasceu para levar a agenda social latino-americana e caribenha à mídia internacional.

O debate teve seu encerramento com perguntas da plateia. “Eu achei que as palestras renderam debates interessantes. Apesar de achar que os convidados tiveram pouco tempo para expor suas opiniões, percebi que os alunos foram envolvidos pela temática escolhida, que é bem atual e polêmica. Inclusive, os convidados foram muito bem selecionados e é notável que eles estão realmente dentro dessa realidade das redes sociais e do compartilhamento intenso de informações”, diz Andrezza Albuquerque, aluna de jornalismo da Unifor.

 

Texto: Cidney Sousa

Fotos: Avner Menezes

Drops pós-moderno: literatura e poesia nas redes sociais

Imagem da Fanpage "Eu Te  Dedico"
Imagem da Fanpage “Eu Te Dedico”         

Quem pensa que literatura e poesia nas redes sociais não passa de um eterno copiar e colar, engana-se. Surpreender o público pós-moderno, tão ciente e instantâneo, não é fácil, porém é possível. Tão possível que páginas que trazem uma nova forma de contar histórias ou ler poesia têm atraído cada vez mais usuários.

Um exemplo disso é a página brasileira “Da boca pra fora”, que recebe vídeos de pessoas recitando poemas, porém com enquadramento somente na boca. O mistério é uma arma para incentivar a participação. “O anonimato é a falta de necessidade ou mesmo desejo de reconhecimento. É a ação pela simples vontade de agir, pelo genuíno interesse de vivenciar algo. Tira-se o peso do ridículo, da autocrítica que segura tanta ideia boa”, afirmou Patrícia Kalil, uma das idealizadoras da página, em entrevista para a revista da Livraria Cultura.

Apesar de serem lábios, dentes e línguas desconhecidas, a impressão que os vídeos deixam é perfeitamente oposta, passando ao ouvinte uma proximidade confortável, uma intimidade que acalenta e que incentiva.

E, conforme os movimentos literários ganham força na Rede, ganham também as ruas. Em Fortaleza, por exemplo, existe um espaço, no centro da Cidade, dedicado à paixão pela poesia. O Templo da Poesia nasceu do amor dos poetas, Reginaldo Figueiredo e Ítalo Rovere pela poesia e pela arte. Hoje o lugar abriga um ponto de leitura, um Descansódromo e uma Poemoteca, funcionando sempre aos sábados.

Com todo o meu amor,

“Um livro com dedicatória é um livro com duas histórias, uma que começa no primeiro capítulo e uma que começou antes de se passarem as páginas. Dedicar é gravar uma intenção ou sentimento e a proposta deste projeto é registrá-los”. É assim, poeticamente, que a página “Eu te dedico” é apresentada aos usuários do Facebook.

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Que grande surpresa abrir um livro e encontrar uma dedicatória, não a feita pelo próprio autor, mas sim uma feita à caneta, a lápis ou, quem sabe, à tinta guache. Essas mensagens que aquecem o coração de quem quer que as leia estão disponíveis na página “Eu te dedico”, criada pela designer brasileira, Mariana Guglielmelli.

Atualmente com mais de doze mil curtidas no Facebook, a página tem como objetivo compartilhar momentos marcantes eternizados em dedicatórias de livros. E é nela que encontramos o pedido de Maycon, “Juliana, quer namorar comigo?”; o convite de Daniel, “vamos ao cinema, baby?”; o poema de Léa: “Cassiano, querido, com amor, seja um grande escritor. Léa. Inadimplente, inconsequente e caliente. beijos”. Assim nos deliciamos com lembranças, ensinamentos, saudades, tudo permeado por um carinho palpável e encantador.

Escritora Hannah Brencher do "More Love Letters"
Escritora Hannah Brencher do “More Love Letters”

Outro exemplo de iniciativa é o da escritora norte-americana, Hannah Brencher, idealizadora do site More Love Letters. Após uma solitária temporada em Nova York, Hannah decidiu espalhar mensagem de afeto pela cidade, deixando por onde passava mensagens de amor, depoimentos, ensaios e bilhetes de apoio.

“Nenhuma delas era para um destinatário específico, mas para quem quer que encontrasse os envelopes que eu espalhava pelo meu caminho: dentro de livros da biblioteca, em quartos de hotéis, mesas de restaurantes e até pendurados em galhos de árvores. E eu nunca assinava esses textos – nunca quis ser identificada, pois sempre achei que o que menos importava ali era o remetente”, afirmou a autora em entrevista para a edição de junho da Revista Glamour.

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Carta de amor do “More Love Letters”

Mas Hannah queria mais! Quando estava próxima da marca de 400 cartas, fez um post em seu blog pessoal dizendo que mandaria cartas de amor para quem pedisse e recebeu centenas de respostas! Assim surgiu a ideia do site More Love Letters que hoje conta com 20 mil escritores, que enviam cartas para pessoas de todo o planeta.

Se para o escritor e linguista alemão, Hugo Friedrich, o misto de fascinação e incompreensão é o que arrebata o leitor, então que homens e mulheres pós-modernos continuem fascinados e famintos pela poesia simples do dia-a-dia, da boca desconhecida, do convite feito, da carta de amor.

Serviço

Templo da Poesia

Endereço: Rua Barão de Aratanha, 201, Centro, Fortaleza-CE

Contatos: (85) 86034105 (85) 85328178

Texto: Juliana Teófilo

Cidadania: a verdadeira utilidade das redes sociais

leisecafortalApesar de sua função inicial ser a de promover a interação online entre seus usuários, as redes sociais (como o Facebook e o Twitter) também oferecem outras possibilidades. Além da divulgação de produtos e promoções de lojas, elas também possibilitam a divulgação de causas sociais.

É o caso do perfil de Twitter “LeiSecaFortal”, criado por Carlos Lenine em 2010. Com o objetivo de reunir a comunidade para mantê-la informada sobre o trânsito da cidade, o administrador da conta dava informações aos seguidores sobre as localizações de blitz pela cidade (com o intuito de ajudar os motoristas a escapar das multas da Lei Seca), congestionamentos, obras, alagamentos etc.

Atualmente administrado pelo analista de sistema, Gigliani Maia, o perfil conta com mais de 41 mil seguidores e, segundo Gigliani, seus objetivos foram alcançados. “Temos uma comunidade bastante ativa que relata problemas e sugere soluções, dando margem à discussão”, conta.

fortalezasemmedoOutra página que busca promover a divulgação de uma causa social é a página no Facebook Fortaleza Sem Medo. A página foi criada pelos sócios Elias Hissa e Bosco Couto, que queriam começar um movimento que começasse na internet e pudesse abrir um espaço para discussão dos problemas relacionados a segurança pública de Fortaleza.

A página já tem mais dez mil curtições e, diferentemente da maioria dos movimentos de internet, já saiu do virtual: os criadores do movimentos já foram entrevistados por vários veículos e foram chamados para uma reunião na Prefeitura para apresentar as ideias discutidas no grupo para alguns secretários. “Apresentamos um plano de 40 soluções que foi discutido no grupo do Facebook. Já conseguimos chamar a atenção, o que é uma pequena conquista”, contam os criadores do grupo.

Assim, páginas e perfis em redes sociais podem, de fato, fazer a diferença na vida real (não só a virtual) das pessoas. Seja relatando problemas de trânsito ou assaltos, os internautas de Fortaleza estão se juntando para tentar achar soluções para os problemas que encontram na cidade.

Texto: Patrícia Borges

Ano novo de novo?

Nesse evento no Facebook, os amigos combinavam um encontro para comemorar o novo ano. Foto: Reprodução do Facebook
Nesse evento no Facebook, os amigos combinavam um encontro para comemorar o novo ano. Foto: Reprodução do Facebook

Muitas pessoas mantêm o costume de fazer do réveillon uma espécie de ponto de partida para começar novas atividades e pôr planos adormecidos em prática. Alguns dizem que irão começar uma dieta, que estudarão mais, que entrarão na academia… Seguindo este mesmo costume, muitos aproveitaram que o feriado de Carnaval aconteceu mais cedo este ano para adiar um pouco a volta à rotina. “Desde pequena escuto que o ano só começa depois do Carnaval. Porque é o primeiro feriadão do ano e as pessoas acabam ‘imprensando'”, conta a estudante de arquitetura, Luana Montenegro.

Unifor

Hoje foi possível notar um maior movimento de alunos no campus, mesmo que as aulas tenham começado uma semana antes do feriado. O trânsito, com a ajuda da chuva, ficou ainda pior esta manhã por causa do fluxo intenso de carros. Alguns alunos queixaram-se do tráfego e a demora para chegar em seus destinos. “Sem dúvida o fluxo aumentou, alguns amigos meus disseram que só deixaram pra ir pra aula essa semana”, comenta o estudante de arquitetura, Vinícius Macêdo.

Usando do bom humor e da liberdade que as redes sociais hoje proporcionam, foi possível encontrar pessoas desejando “feliz ano novo” em pleno mês de fevereiro, como você pode conferir nas imagens.

Foto: Reprodução do Facebook
Foto: Reprodução do Facebook
Foto: Reprodução do Facebook
Foto: Reprodução do Facebook
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Foto: Reprodução do Twitter

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Texto: Iara Sá

Redes Sociais: viciados e entediados

Foto: Photo NIC

Um dos princípios de ser humano é viver em sociedade e comunicar, seja com aqueles que convivemos, quanto com quem mora longe. Desde a criação dos telégrafos e telefones as distâncias vêm diminuindo cada vez mais. Nos últimos 20 anos o advento da internet promoveu a circulação da informação mais rápido ainda.

As pessoas sentiram a necessidade de publicar o que acontece em sua vida e aí surgiram blogs, fotologs, redes sociais. O primeiro a fazer um grande sucesso foi o Orkut, cada pessoa poderia ter seu perfil, adicionar fotos e aderir a comunidades mostrando seus gostos e personalidade. Em quatro anos o Orkut entrou em desuso e, atualmente, o mais utilizado é o Facebook.

Teóricos da comunicação, como Pierre Levy, afirmam que a utilização de redes sociais primeiro juntou todos, independente de seus interesses, e agora está querendo segregar diferentes gostos. Há atualmente redes sociais como o Pinterest em que as pessoas compartilham referências de visuais, o Filmow que cada perfil tem os filmes que a pessoa viu, as notas dadas para esses filmes e quais filmes gostaria de ver, etc.

Carlos Sawaki adora procurar novas redes sociais de acordo com seus interesses ele afirma que “Como profissional da comunicação preciso estar sempre ligado no que esta acontecendo no mundo digital, além de gostar de conhecer coisas novas.”, além de apontar suas novas descobertas da rede “ Uma mais recente é a Foodspotting, uma rede com foco em comidas e restaurantes, que veio com a mania das pessoas de tirar a foto de tudo que come. Nessa rede você posta a foto do prato e indica pra outras pessoas que visitem determinados estabelecimentos cadastrados. Eu costumava usar o Pinterest o problema é que muitas vezes eu quis manter privadas minhas imagens e não pude, eles não disponibilizam essa opção. Foi então que descobri o Gimme Bar, que é menos conhecido mas que possibilita esconder o que você deseja. É muito bom para arquivar referências de trabalho dentre outras coisas menos formais, como tatuagem bacanas etc.”

Aline Montenegro adora redes sociais a ver com fotografia como o Instagram “Eu gosto do Instagram, adoro rede social de fotografia. Além de ele ter ‘essa coisa’ da espontaneidade, apesar de muitos não utilizarem a rede dessa formam e eu gosto do Pinterest, e passo o dia “pinando”… adoro colecionar imagens bonitas, sigo uma galera que posta coisas incríveis.E o Face [Facebook], né? Quem não curte?”.

Não só as pessoas envolvidas com comunicação estão sempre ligadas nas redes. Igor Aguiar, estudante de Farmácia, afirma: “Tenho smartphone e não consigo ficar offline, é um vício, preciso saber que sou acessível a quem precisar de falar comigo, e saber o que meus amigos estão fazendo”

Uma rede que entrou em desuso, para muitas pessoas, como Elaine Quinderé, foi o Twitter, o microblog que virou febre no Brasil. Segundo Elaine, ele perdeu a força, perdeu a influência que tinha. Ela que trabalha como social media comenta que “o Facebook engloba tudo, por enquanto, ele é a rede social mais perfeita e completa o Facebook é completo no sentido comunicação, principalmente empresarial”.

E do mesmo jeito que existem pessoas, como os citados a cima, que adoram procurar novas redes sociais que lhe interessem, há pessoas como o Luis Paiva, que usava apenas o Facebook e recentemente deixou de usá-lo. Ele explica sua atual falta de interesse pelas redes: “o fato da nossa geração estar mal-acostumada com a tecnologia da internet, algo que a pouco tempo atrás não existia. Sendo assim, as pessoas aos poucos estão desaprendendo a se relacionar com os outros da velha maneira, caracterizada por um relacionamento mais próximo e pessoal. As pessoas deixaram de ser um mistério e podem ter suas informações, na maioria das vezes, facilmente encontradas na rede. Se alguém quer saber algo de alguém, no lugar de ir atrás da pessoa para conhece-la, eles podem simplesmente ir nas redes sociais e sanar suas dúvidas, e na grande maioria das vezes, fica por isso mesmo”. E Luis completa: “Nada contra internet e redes sociais, um dia provavelmente voltarei à elas, mas por enquanto quero experimentar um pouco à moda antiga.”

Texto: Bárbara Guerra