Jornalismo na Era da Tecnologia da Informação

Foto: Luis Barbosa

O Ciberdebates discutiu esta manhã, no teatro Celina Queiroz, sobre jornalismo em base de dados, a investigação na tela do computador. Discorrendo sobre a importância da informática como fonte de apuração e armazenamento jornalístico, sentaram-se à mesa do debate os palestrantes Emerson Rodrigues, repórter especial do Diário do Nordeste, Pablo Ximenes, especialista em segurança da informação e Diego Lage, chefe de reportagem especial da TV Jangadeiro.

Produzidos pelos alunos da turma de Oficina em Jornalismo, comandada pela professora Adriana Santiago, o Ciberdebates – Jornalismo em base de dados foi o segundo do semestre. Aos presentes, foram apresentadas principalmente as funções que as ferramentas informáticas têm para o jornalista no processo de busca de informação, algumas dicas de como usá-las e a importância de saber aliar o trabalho das reportagens com auxílio de computador (RAC) ao bom desempenho do jornalista em campo.

Abrindo a palestra, Emerson Rodrigues lamentou o pouco uso desse tipo de fonte de pesquisa. “No Brasil, o uso de base de dados na construção de reportagens é pouco usado. No Ceará, menos ainda. Apesar de ter tido uma melhoria nos últimos anos, esta foi muito pequena”. Para o repórter, esse tipo de investigação exige um conhecimento mais aprofundado do jornalista em relação à ferramenta, de modo que dificulta sua utilização. Uma solução seria as empresas e as universidades dedicarem tempo e investimento para o preparo e a formação do jornalista nessa área cibernética. Conhecimento que é cada vez mais exigido no mercado de trabalho.

Emerson ressaltou a validade do domínio sobre pesquisa na internet. “O Governo dispõe, em seus sites, uma fonte rica de informações. Algumas delas fáceis, outras mais complicadas de entender. Jornalista tem que saber buscar, ver, entender e traduzir as informações divulgadas”, exemplifica. A isso, soma-se a importância do auxílio do computador no armazenamento de dados. Citando José Roberto Toledo, o repórter afirma que “A memória é uma vaga lembrança. Se você confiar na sua memória, é o primeiro passo para erramos”.

Com o foco na apresentação das ferramentas de pesquisa, o racker Pablo Ximenes fez uma breve demonstração de buscas no Google. Apresentando o Google racking, desmistificou a idéia de dificuldade na apuração de dados na internet, exibindo, na hora, como descobrir facilmente dados como logins, senhas, telefones, endereços, CPFs, etc. Defendeu o uso de ferramentas do computador que otimizam o tempo de pesquisa, facilitando a apuração para que se obtenha mais rapidamente o que se deseja. Enfatizou a procura de tecnólogos da informação para ajudar o trabalho jornalístico.

“Quando a gente pensa em pesquisa em base de dados e em trabalhar com isso, a gente tende a se acomodar”, fala que abriu a apresentação de Diego Lage. Optando por não usar slides de computador na exibição, o chefe de reportagem especial da TV jangadeiro alerta para a displicência de muitos jornalistas que se acomodam diante a tela do computador. “Lugar de jornalista é na rua, no campo. O auxílio da informática vai ajudar, mas é importante cruzar os dados obtidos com fotos, imagens, opiniões e todo o contexto da reportagem”, lembra.

Assim como Emerson, Diego defende a validade dos sites governamentais como fontes de pesquisa. Mas sempre lembrando que a diferença de uma boa matéria é a apuração completa. O bom manuseio das técnicas informáticas não será suficiente para que se torne uma grande reportagem. Isso vai da competência do repórter em todo o processo de apuração. “É comum acontecer erros por preguiça ou falta de cuidado na hora de checar a informação”, declara, alertando mais uma vez a importância do jornalista ir à rua e não permanecer apenas em frente à tela do computador.

Texto: Luana Benício

“Lá sou amigo do rei”: Quando a vida de repórter vira pauta

Foto: Fabiane de Paula – Diário

Depois de enfrentar ditaduras, no Brasil e na Argentina; ser embaixador da Unesco; trabalhar em grandes jornais; produzir filmes; compor músicas; e conviver com personalidades históricas, como João Paulo II, Khrisnamurti, Yasser Arafat, Salvador Dali, Dilma Roussef, entre outras; o repórter Carlos Marques percebeu que sua história não era das mais comuns e resolveu transformá-la em livro. Uma síntese dessa vida cheia de aventuras foi apresentada na noite de ontem, quinta feira, 27, no auditório da Biblioteca da Unifor. O lançamento da autobiografia,”Lá sou amigo do rei”,  reuniu jornalistas, professores, estudantes e comunidade acadêmica.

A apresentação do livro e do autor foi feita pela diretora do Centro de Ciência Humanas, Erotilde Honório. “Esse cara não existe! Sua escrita é simples, irritantemente simples e completamente envolvente”. A diretora  emocionou o autor, que afirmou: “Só posso dizer muito obrigado”, e completou que sua apresentação, seu discurso, era dispensável, depois da fala de Erotilde Honório. A estudante de Jornalismo Clara Magalhães, que esteve no lançamento e adiquiriu o livro, contou que começou a leitura logo após o evento. “O livro é muito bom, principalmente para nós, jornalistas. É Bem humorado, divertido, bem ilustrado. Estou gostando muito.”

O lançamento também contou com a apresentação do músico Nonato Luiz, que interpretou algumas músicas compostas por Carlos Marques, entre canções de Luiz Gonzaga, Ari Barroso e Barden Powell. “Fiquei impressionada. Não é qualquer um que consegue fazer um som daqueles, juntando duas cordas do violão”, comentou Gisele Peixoto, aluna de Publicidade e Propaganda.

Texto: Lorena Cardoso