[Ensaio] Semana do Graffiti

Foto: Eduardo Cunha
Foto: Eduardo Cunha

O ensaio dessa semana foi baseado na Semana do Graffiti de Fortaleza, que começou dia 8 de abril e termina amanhã, dia 13, na Praia do Futuro. A semana teve eventos em vários pontos da cidade, como no Bairro Mondubim (CUCA V), Bairro São Cristóvão (CUCA VI), Praia do Futuro (Praça do Futuro) e na Vila das Artes. O objetivo do evento está sendo promover um debate entre os artistas e comunicadores sobre essas manifestações artísticas.

O aluno Eduardo Cunha, estudante do curso de Publicidade e Propaganda da Unifor, foi conferir de pertinho uma das programações e trouxe uns registros fotográficos para que possamos apreciar. Já Thiago Gadelha, também do mesmo curso, fez  fotos inspirado nesse tema. Ele fotografou alguns pontos da cidade que têm graffiti em seus muros e escadas.

Outro aspecto que vale destacar é que, além de super interessante e integrar os jovens, o evento é gratuito.

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Texto: Marina Duarte

Evento coloca a arte do grafite na pauta

Foto: Thiago Gadelha
Foto: Thiago Gadelha

Mensagens poéticas e desenhos multicoloridos começaram a estampar os prédios abandonados em Nova York a partir da década de 1970, e esse movimento despertou a atenção da imprensa americana. O que queriam dizer aqueles desenhos?

Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Com um pé no expressionismo (moderno, digamos assim), os artistas do grafite queriam chamar atenção para problemas de político-sociais de seus trabalhos ou do local que moravam.

A arte tomou cada vez mais espaço nos guetos americanos e espalhou-se pelo mundo inteiro: no muro de Berlim (após a queda em 1989), nas ruas da capital paulista com as fantásticas obras de Os Gêmeos (que também mostraram seu talento nos muros de Barcelona, Paris e Londres) e esta semana está presente mais do que nunca em Fortaleza, na I Semana do Graffiti, promovido pela Prefeitura de Fortaleza, por meio da Coordenadoria de Políticas Públicas de Juventude.

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Foto: Arquivo pessoal

O evento, que teve início na última segunda-feira, já está produzindo inúmeras intervenções nos arredores da cidade por meio de pintura coletiva e apresentação de DJ’s. O Bairro Ellery e a Praça do Ferreira estão mais coloridas e transbordando alegria, e a festa continua até sábado (13/04) quando ocorrerá o encerramento com um mutirão de pintura na Praia do Futuro.

Um papo com Davi Favela

Foto: Arquivo pessoal
Davi Viana

Um exemplo de que a arte pode integrar os jovens em situação de risco a sociedade é o que faz o grafiteiro e educador social, Davi Viana.

Por intermédio da Cufa (Central Única das Favelas), transformou sua habilidade como grafiteiro em ferramenta de educação e integração para jovens que vivem às margens da sociedade.

Com essa forma de disseminar a arte e a educação, o Blog do Labjor procurou Davi Viana para entender melhor esse universo.

Blog do Labjor : Como o grafite apareceu na sua vida ?

Davi Viana:  Sou Davi Viana ,conhecido como Davi Favela, grafiteiro da Cufa, educador social e coordenador do grupo Grafite Ce. Pichei dos 9 aos 19 . Com esse tempo na pichação adquiri a técnica da utilização da lata de spray. Sempre procurei ‘expressar’ na pichação frases de conscientização como “ deixe o baseado pra depois, legalize já o feijão com arroz”, entre outras frases. Já desenhava. E, de tanto pichar, comecei a misturar as cores . Dando formas e temas às expressões artísticas, usando como uma grande galeria as ruas das cidades, sempre com um cunho social e informativo.

Blog do Labjor :  De que forma o grafite pode ajudar na educação e/ou na reintegração de uma pessoa ?

Davi Viana:  O grafite é uma arte de ótima aceitação pela juventude de cunho social que chama a atenção pelo motivo das técnicas, cores e as mensagens. Sou de um grupo ou uma crew chamada p2k (crew Paridos pelo Caos), a gente relata, por meio de nossos grafites, o caos da sociedade como drogas, violência e descaso social. Também mostramos como se pode resolver esses problemas da sociedade, fazemos isso nos nossos trabalhos, oficinas e palestras. Hoje, nas nossas oficinas, capacitamos crianças, jovens e adultos na área do grafite social e também no grafite profissional, com pintura de camisas, painéis, telas etc . Hoje estamos capacitando 74 internos do Instituto Penal Paulo Olavo Oliveira 2, o IPPOO 2, já encaminhamos vários para o mercado de trabalho e damos assistência na área do grafite.

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Foto: Arquivo pessoal

Blog do Labjor: Na semana do grafite,que barreira(s) você ainda vê que poderia ser quebrada para facilitar a disseminação do grafite como arte ?

Davi Viana:  Em relação à semana do grafite, tem muitas barreiras a serem vencidas. A principal é o preconceito, por ser feito por jovens de comunidades pobres e por ser feito com a lata de spray, que é muito associado à pichação. Outras barreiras tem que ser vencidas como oportunidades de transformação de jovens que apenas querem uma oportunidade e um exemplo para desenvolver suas ações. Acredito que eventos não vão resolver o problema que a juventude tem hoje, em relação às drogas e à violência. E, sim, trabalhos contantes e fixos, mais mobilização e mais participação nas politicas de juventude. Infelizmente o grafite está perdendo de ‘100 x 0’ para o crack, então, não há argumento para pequenos investimentos nessa área. Acho que a semana do grafite é um pontapé inicial. Tem muitas coisas ainda.

 

Serviço

Confira as próximas atividades:

11/04: 9h às 17h – Ação de Pintura na capela ao lado do CUCA V (Mondubim)

12/04: 9h às 17h – Pintura coletiva no CUCA IV (São Cristóvão)

13/04: 9h às 17h – Mutirão na Praça do Futuro com pintura de mural coletivo e festa de encerramento.

Coordenadoria Especial de Políticas Públicas de Juventude

Fone: (85) 3452.5371

Texto: Bruno Andrade e Érika Neves

Prefeitura de Fortaleza promoverá debates sobre a Semana do Graffiti

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Tendo como iniciativa da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas de Juventude, a Prefeitura de Fortaleza vai realizar, entre os dias 8 e 13 de abril, a 1ª Semana do Graffiti.  Essa iniciativa contará com uma Audiência Pública que terá como tema o Grafite, Muralismo e Pichação. A audiência vai acontecer nesta quarta-feira, 27, no auditório da Câmara Municipal de Fortaleza, às 14h30.

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Foto: Renata Monte

O objetivo do evento é levantar discussões sobre a cidade enquanto ambiente propício para a comunicação visual. Durante a sessão, será discutido o significado da arte urbana e como a juventude lida com esses códigos instalados em diversos pontos da cidade, sendo, muitas vezes, indecifráveis por muitos deles.

Além disso, serão levantadas, ainda, pautas acerca das condições sociais dos artistas urbanos de Fortaleza e o que eles representam para a sociedade atual.

Uma breve história

Renata Monte
Foto: Renata Monte

A arte do grafite é uma forma de manifestação artística em espaços públicos. A definição mais popular diz que o grafite é um tipo de inscrição feita em paredes. Existem relatos e vestígios dessa arte desde o Império Romano.

Seu aparecimento na Idade Contemporânea se deu na década de 1970, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Alguns jovens começaram a deixar suas marcas nas paredes da cidade e, algum tempo depois, essas marcas evoluíram com técnicas e desenhos.

Uma maneira de se manifestar

O grafite está ligado diretamente a vários movimentos, em especial ao Hip Hop. Para esse movimento, o grafite é a forma de expressar toda a opressão que a humanidade vive, principalmente os menos favorecidos, refletindo essa realidade das ruas.

Serviço
Audiência Pública sobre Grafite, Muralismo e Pichação
Dia: 27 de março
Hora: 14h30
Local: auditório da Câmara Municipal de Fortaleza (Rua Thompson Bulcão, 830 – Patriolino Ribeiro)

Texto: Priscila Baima