[Claquete] Um história de amor para fãs

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Paris-Manhattan, filme francês dirigido pela estreante Sophie Lellouche, homenageia um dos maiores atores, diretores e comediantes da história do cinema: Woody Allen. A trama gira em torno de Alice (Alice Taglioni), uma farmacêutica que teve seu primeiro contato com um filme de Allen aos 15 anos, e logo identificou-se com ele. A partir disso, Alice começou a nutrir uma relação de devoção: seu amor por Woody é tão grande que ela chega a conversar sobre diversos dilemas de sua vida, por meio de pensamentos, com um pôster dele.

A visão da protagonista sobre a sociedade em que vive geralmente apresenta tons de arrogância, o que pode ser entendido pela influência dos pensamentos críticos apresentados nas polêmicas obras do cineasta.

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Criticada pela problemática família, que preocupa-se com seu status a cerca de relacionamentos amorosos, Alice encontra resposta para praticamente tudo na extensa coleção de filmes do Allen que possui, e que surgem como “guias explicativos”, no intuito de evitar desilusões resultantes da contradição entre o mundo real e a fantasia romantizada que a personagem secretamente alimenta. Ela, inclusive, por acreditar na eficácia dos filmes, indica-os para clientes de sua farmácia.

A realidade de Alice entra em choque com a aparição de Victor (Patrick Bruel), instalador de alarmes que conheceu após uma festa, e que nunca assistiu a um filme do diretor que ela tanto admira. Em meio à desavenças e situações cômicas, a relação entre os dois se desenvolve, promovendo um amor nutrido por suas características opostas.

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Na tentativa de compor uma produção semelhante às daquele que o filme menciona, o roteiro levanta questionamentos sobre a moral, em cenas que apresentam a atmosfera caótica que entrelaça os seres humanos nas suas patologias sociais. Entretanto, a premissa não é bem desenvolvida no longa, que marca pouco os espectadores, e não proporciona maiores reflexões. Há também defeitos na construção e montagem das cenas: o ritmo rápido no qual decorrem propõe que algumas informações permaneçam subtendidas, dependendo, portanto, da capacidade de percepção público.

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A complexidade de Alice passa a ser compreendida melhor com a continuidade dos atos, que constroem-se esteticamente buscando a representação sentimental da protagonista. Isso fica evidente nas sequências finais, compostas de maneira a evidenciar o estado quase “fantasioso” da personagem, e que destacam-se pela participação inusitada do próprio Woody Allen na trama. Em complemento, a trilha surge como grande ponto positivo no filme; mescla canções que ilustram a sofisticação parisiense com clássicos da era de ouro da música nova-iorquina.

Uma proposta interessante é a análise que o filme realiza sobre o comportamento usual de indivíduos que são fãs de alguém: Alice admira tanto Woody que não admite críticas negativas direcionadas a ele.

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Sua paixão pelo cineasta restringe o relacionamento que ela possui com todos ao seu redor, sendo obrigada, em momentos posteriores, à abandonar seu jeito de agir e submeter-se aos limites e obrigações impostos pela sociedade. Em suma, “Paris-Manhattan” decepciona ao descumprir seu objetivo, mas torna-se suficiente para quem gosta de seu gênero, e, principalmente, para os fãs da grande personalidade que é Allen.

Texto: Gustavo Nery

Ficha Técnica

Título Original: Paris-Manhattan

Ano: 2012

Direção e Roteiro: Sophie Lellouche

Gênero: Comédia, Romance

Duração: 77 minutos

Origem: França