A visão e o olhar dentro do Teatro

Foto: Ravelle Gadelha
Foto: Ravelle Gadelha

Hemetério Segundo Pereira Araújo é ator, autor, pesquisador, produtor e diretor teatral profissional, além de ser membro titular do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Fortaleza desde 2010 e de ter dois livros renomados: “Criador e Cultura” e “Teatro – Conceito e Ciência”. Como produtor experiente, identifica os preceitos básicos do espectador e do artista, ao encenar uma peça diante de um grande público, e propõe informar a importância da subjetividade.

Partindo do preceito dos diversos olhares em um palco, Hemetério Araújo aponta o papel decisivo de incorporar a experiência vivida anteriormente em seus ensaios grupais. “Não existe Teatro, ou arte, sem um olhar subjetivo. O olhar varia de acordo com a tua percepção e das tuas experiências. Para uma plateia que já está acostumada a ver Teatro, ela olha mais facilmente a subjetividade e os ícones, os signos e os símbolos que a gente implanta no espetáculo. Para uma plateia que não tem costume de ver peças teatrais, costuma ser mais difícil olhar algo a mais. Não adianta saber apenas ver; é preciso tratar a visão para que se tenha novos olhares”, afirma.

Rayanna Uchoa,Thyago Câmara, Ravelle Gadelha e Hemetério Araújo
Rayanna Uchoa,Thyago Câmara, Ravelle Gadelha e Hemetério Araújo

Segundo o estudioso, existe um atrito entre o ator e a plateia que estabelecem uma espécie de relação mútua de necessidade que, sem o outro, o primeiro não existe e vice-versa. A análise profunda do espectador pode interpretar o que vê de diversas perspectivas chegando, até mesmo, a distorcer o que os produtores quiseram transmitir anteriormente. Todo o cuidado de criar uma mensagem clara reflete, diretamente, na qualidade da obra. “A verdade está no olho de quem vê. Quando você faz a sua obra de arte, você quer dizer alguma coisa, mas o espectador pode nem entender como você pensou e, sim, algo totalmente diferente. E isso são formas de olhar”, opina. O próprio artista pode enxergar sua obra na totalidade, mas, não necessariamente, aplica o mesmo olhar quando efetua seu ofício.

As chamadas “travas no olhar” podem impedir o verdadeiro discernimento de uma obra de arte e inibir as possibilidades do futuro pessoal de cada um: “Quando a gente vê, percebemos e localizamos. Quando a gente olha, nos aproximamos e nos apropriamos. O olhar é uma apropriação da visão”, diz o produtor teatral. A libertação do olhar sobre objetos iguais, pode assumir uma visão crítica ao analisar o desconhecido.

Texto: Ravelle Gadelha