Trabalho e estudo: é possível equilibrar?

Além dos estágios, monitorias e grupos de pesquisa encontrados na universidade, muitos estudantes entram para o mercado de trabalho ainda no período da graduação, quer seja por necessidade ou por escolha. Equilibrar estes dois mundos é um desafio e nem sempre é possível fazê-lo com sucesso.

empresa Buhamra & Romero.
Lorena Guerra palestrando em seu local de trabalho. Foto: Buhamra & Romero

A estudante de administração, Lorena Guerra, 26, ingressou na faculdade em 2007. Na mesma época, começou a trabalhar como assistente de vendas em uma loja. Lorena cresceu no trabalho, chegando ao cargo de gerente geral de uma marca de sapatos e bolsas. Hoje, ela é analista de marketing em uma empresa de consultoria e viaja o país inteiro a trabalho. Lorena teve de trancar várias disciplinas, chegando a abandonar a faculdade completamente por um semestre. Ela diz não se arrepender do atraso na faculdade. “Um déficit na faculdade pode ser recuperado, no trabalho, não. É difícil servir a dois senhores”, conta.

Maíra Suspiro. Foto: Arquivo pessoal
Maíra Suspiro. Foto: Arquivo pessoal

Já a estudante de publicidade Maíra Suspiro, 26, já entrou na faculdade trabalhando e tem que equilibrar emprego, faculdade e maternidade. Ela é atualmente a responsável pela parte de comunicação e eventos da livraria Saraiva. Por causa de viagens ou eventos do trabalho, Maíra já teve que trancar disciplinas e já reprovou por faltas por escolher dar ênfase ao trabalho, mas nunca chegou a abandonar a faculdade. “Acabava ficando tão cansada ou tão ocupada com minhas obrigações do trabalho, que deixava a faculdade de lado”, diz.

Beatriz Turri. Foto: Arquivo pessoal
Beatriz Turri. Foto: Arquivo pessoal

Beatriz Turri, 20, é outra estudante do curso de publicidade que começou a trabalhar já no primeiro semestre da faculdade. Beatriz começou como vendedora de uma loja de roupas e, segundo ela, deu sorte porque trabalhava apenas no turno da tarde e tinha tempo suficiente para ir à todas as aulas. Desde seu primeiro emprego, Beatriz trabalhou em outra loja e atualmente estagia em uma agência. Ela nunca precisou trancar nenhuma disciplina e vai conseguir terminar o curso no tempo certo.

Nos três casos, as estudantes buscam o equilíbrio entre a vida acadêmica e a profissional. “É importante não desistir e não se deixar abater porque os outros estão se formando antes de você”, diz Lorena. Maíra não vê a hora de terminar a faculdade e já planeja fazer pós-graduação “Depois que acabar a publicidade, já quero entrar pro MBA, acho que um bom profissional não deve jamais parar de estudar”, declara Maíra. Beatriz aconselha tirar um tempo para estudar e se manter em dia com o conteúdo da faculdade “Com um pouco de esforço, dá para fazer tudo”, acrescenta.

Texto: Patrícia Borges

Viajando pra fazer o bem

Em seu intercambio, Henrique Barbosa ensinou ingles para refugiados de guerra na Hungria. Foto: Acervo pessoal

A busca para vivenciar uma experiência no exterior com trabalhos solidários está sendo cada vez mais procurada por jovens e adultos. Além do aprendizado de um novo idioma, o intercâmbio social proporciona a chance de contribuir para um mundo melhor, seja ajudando pessoas carentes, zelando pela vida de animais ou até pela preservação do meio ambiente. Lucas Braga, responsável pela área de intercâmbio social pela Aiesec , conta que o mercado é bastante amplo e que o interesse das pessoas surgem naturalmente. “A procura tem sido relativamente grande, temos mais de mil pessoas interessadas por semestre, embora nem todas cheguem a efetivamente assinar contrato e viajar”, conclui.

Benefícios:

  • Vivência em um ambiente internacional e multicultural;
  • Desenvolvimento de competências de liderança, empreendedorismo,                                                                       responsabilidade social e compreensão do outro;
  • Oportunidade de ser um agente de impacto positivo.

Com duração em média de 6 a 12 semanas, os intercambistas têm como escolha de destino países como, Polônia, Hungria, Ucrânia,Turquia, Colômbia, México, Rússia, Índia, China,Nigéria, Indonésia, e entre outros. Segundo Lucas, há duas vertentes nesse tipo de intercâmbio, a de benefício pessoal e a social, “muitas empresas hoje estão buscando pessoas que tenham tido experiência de voluntariado e de intercâmbio. Sem contar que é uma experiência em países mais exóticos e mais diferentes da realidade do Brasil, o que agrega muito mais na experiência de vida de qualquer pessoa”, argumenta.

Henrique Barbosa com Mustafa, uma das crianças que o estudante ensinou em Bicske.

Henrique Barbosa, estudante de Relações Internacionais pela Universidade de Brasília, participou do intercâmbio social em 2010, trabalhando para um centro de recepção de refugiados na cidade de Bicske (40 km da capital Budapeste), Hungria. “Quando eu cheguei lá, me disseram que o que os refugiados mais pediam eram aulas de inglês, então, fui atrás de livros e métodos pra poder viabilizar isso. Além disso eu ajudava também em outros trabalhos como distribuição de suprimentos”, explica. “As relações que eu travei com gente que tinha passado por terríveis problemas fugindo da guerra, perdido famílias e sofrendo angústia diariamente pela situação em que se encontravam, só tornou a experiência ainda mais forte”, relembra. Para ele, foi uma das experiências mais poderosas da sua vida, e que gostaria de ter ajudado mais, mas o seu desconhecimento pela língua húngara foi um obstáculo.

Patrícia Borges está se preparando para o intercâmbio na Republica Tcheca.

Já Patrícia Borges, estudante de jornalismo, ainda está na espera de viver essa nova experiência. Em um período de 45 dias na República Tcheca, Patrícia trabalhará em um projeto chamado Crazy Christmas, que tem como atividade, dar palestras em escolas sobre os costumes natalinos dos países de origem de cada voluntário.”Espero aprender muito sobre a cultura Tcheca e sobre as culturas dos outros intercambistas. Acho que uma experiência dessas pode mudar tudo. Viajar e aprender sobre outras culturas nunca é demais, né?”, acredita.

Texto: Marina Freire

Mais atividade física para os funcionários melhora trabalho das empresas

Foto ilustrativa. Marina Duarte

Preocupadas com a qualidade de vida dos funcionários, que reflete diretamente em seu trabalho, algumas empresas propõem atividades físicas e laborais para seus funcionários. A Universidade de Fortaleza (Unifor) tem um programa de condicionamento físico chamado Movimente-se. O projeto pensado pelo Recursos Humanos tem como objetivo fazer com que seus funcionários tenham uma melhoria de vida também no trabalho.

Regina Morais, do Serviço Social, comenta que depois que a instituição começou a desenvolver esse projeto com a parceria com o Centro de Ciências da Saúde (CCS), os funcionários se sentem mais motivados a cuidar da saúde. Como é o caso de Stenio Lawuence, analista de Relações Humanas, que após ingressar nesse projeto, fazendo cooper, participou da última corrida promovida pelo Pão de Açúcar.

Segundo o educador físico, Francisco André, existe dois tipos de exercícios que uma empresa pode oferecer a seus funcionários, os Laborais, que são exercícios que visam melhorar circulação e a postura. E os exercícios físicos que um dos seus objetivos é sair só sedentarismo além de ajudar a circulação. Ele ainda ressalta que essas duas atividades são importantes, mas explica que geralmente as atividades laborais são escolhidas por empresas em que seus funcionários ficam muito tempo parados.

Quando perguntamos a Regina sobre os benefícios que esse tipo de projeto pode causar a uma empresa, sua resposta é “ essas atividades acabam integrando funcionários e traz um vínculo maior com a empresa”. Stenio, ainda, diz que essas atividades o ajudaram a ter um postura melhor no trabalho e a sair do ócio. “Agora tenho mais agilidade física e mental para resolver problemas que possam aparecer no trabalho”, conclui o analista de RH.

Preocupação antiga

Essa preocupação das empresas não é algo recente, vem desde o século XIX, especificamente de um período conhecido por segunda Revolução Industrial. Foi Frederick Winslow Taylor, empresário dessa época, que percebeu a importância de tratar bem seus funcionários para que eles produzissem mais e melhor. Essa ideia ganhou adeptos ao longo dos anos, e hoje é comum as empresas proporcionarem momentos de atividades ou darem premiações aos seus servidores.

Texto: Thais Moreira
Orientação: Profa. Adriana Santiago

Quer ser um jovem voluntário? Então vem!

Foto: Acervo Pessoal

Ser voluntário é uma oportunidade para aqueles que possuem vontade de doar o seu amor, carinho e parte do seu tempo para promover atividades em prol da comunidade, contribuindo assim para a humanização do atendimento de quem necessita. É uma oportunidade de fazer amigos, viver novas experiências e conhecer diversas realidades. Mas é um trabalho como qualquer outro, que deve ser realizado com consciência, responsabilidade e comprometimento.

A estudante Thais Holanda sabe bem disso. Ela conta que já fez alguns trabalhos voluntários com crianças e, recentemente, quis trabalhar com idosos, no Instituto do Câncer. “O legal de trabalhar com os idosos é porque você conversa mais, joga bastante, ouve várias histórias interessantíssimas, além de ainda aprender a fazer várias coisas, no meu caso, aprendi a fazer crochê”.

Ajudar de forma lúdica, com calma e paciência são características fundamentais para um voluntário. Lidiane Almeida quis ser voluntária porque sempre teve interesse em colaborar. “Sempre achei bonito quem dedica um tempinho da sua vida para cuidar do outro. No Nami, estagiei com crianças, onde me diverti bastante. A minha sensação era de felicidade, porque eles são muito fofinhos e se apegam rapidamente a você”.

Dica para quem quer ajudar

A Unifor também tem o seu programa de ajuda, o Projeto Jovem Voluntário. O projeto, que é realizado pela Vice-Reitoria de Extensão e Comunidade Acadêmica, beneficia crianças, adolescentes e idosos que se encontram internados em instituições como o Núcleo de Atenção Médica Integrada (Nami), o Instituto do Câncer do Ceará (ICC), a Associação Peter Pan, os hospitais São José e Albert Sabin e o Lar Torres de Melo. Dessa vez, o estudante Otelino Filho decidiu se inscrever, porque percebeu a importância do programa. “Eu acho muito importante que o aluno tenha um contato mais próximo com aqueles que necessitam, poque assim ele obterá um aprendizado social fora da sala de aula”.

SERVIÇO

Projeto Jovem Voluntário
Inscrições: 1º a 24 de agosto
Local: Sala do Projeto Jovem Voluntário (em frente ao Ginásio Poliesportivo)
Prova de seleção: 25 de agosto
Mais informações: 3477-3301

Texto: Ahynssa Thamir
Orientação: Profa. Adriana Santiago

O trabalho define o cidadão que você é

Hoje todo mundo que trabalha, está de parabéns. Poucos sabem o motivo, mas o Dia do Trabalhador é comemorado mundialmente em memória a um grupo de operárias mortas durante a repressão às manifestações e à greve no dia primeiro de maio de 1886. Devido à sua importância, e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, a data acabou servindo de exemplo para o mundo celebrar as conquistas dos trabalhadores ao longo da história. Esta data serve ainda de marco para repensar coletivamente a relação do cidadão e o seu trabalho, para reivindicar melhorias trabalhistas, e repensar as rotinas.

O Blog do Labjor colheu depoimentos de alguns funcionários da Universidade de Fortaleza (Unifor) ou que trabalham pelos campus na perspectiva de reflexão sobre a prática profissional, onde perguntamos o que mudou na vida de cada um, sobre as experiências adquiridas nos seus respectivos trabalhos e também o que esse dia significa para o seu dia-a-dia e sua vida enquanto ser humano e cidadão.

A partir dos depoimentos, podemos notar o quanto o trabalhado faz a diferença na construção da dignidade humana. Ele engloba uma diversidade de experiências, fazendo com que o homem seja valorizado em todos os sentidos. Isso é basicamente o ponto de partida para que qualquer pessoa se torne um cidadão de bem, contribuindo sempre para um mundo melhor e mais democrático.

“A história do Primeiro de Maio mostra, portanto, que se trata de um dia de luto e de luta, mas não só pela redução da jornada de trabalho, mais também pela conquista de todas as outras reivindicações de quem produz a riqueza da sociedade.”, como enfatizou o jornalista Perseu Abramo.

Robson Sérgio, funcionário do estúdio de rádio

Foto: Tircianny Araújo

Com o trabalho minha vida melhorou com certeza, melhorou meu crescimento, tanto financeiro como pessoal. Consegui independência financeira. O trabalho traz, de alguma forma, uma identidade para o ser humano, define o que você é.

Karine Capistrano, professora da Unifor

Foto: Tircianny Araújo

Com o trabalho, a minha experiência foi ampliada, mas as cobranças também aumentaram. Cobranças essas não somente exteriores, como as das instituições, mas também as que eu faço a mim mesma. Busco constantemente pelo meu aperfeiçoamento e crescimento profissional. O Dia do Trabalho passa tão rápido para mim que eu não consigo nem sentir. Por exemplo, amanhã mesmo eu passarei o dia trabalhando. Mas, de fato, essa é uma data para refletir, não é à toa que nesse dia muitas pessoas aproveitam para fazer manifestações e reivindicações pelos seus direitos.

Edvanda Nascimento, vendedora da Sorveteria Mandarina

Foto: Tircianny Araújo

Antes eu morava de aluguel e agora tenho casa própria, ou seja, o trabalho favoreceu e muito o meu aprendizado. Subi de cargo com a experiência que tenho, consegui um cargo melhor, antes trabalhava na cozinha, hoje sou caixa. Minha tendência é aprender mais e mais. Esse dia do trabalhador é importante para a gente fazer uma reflexão sobre o que podemos fazer de melhor na nossa vida. É um dia especial para todos os trabalhadores.

Amilton Gadelha, trabalhador autônomo

Foto: Tircianny Araújo

O trabalho melhorou minha vida em termos financeiros. Esse dia significa o melhor dia, comemoramos a responsabilidade, a luta pela vida e a dignidade. Um dia especial para quem trabalha.

Jerônimo do Carmo, funcionário terceirizado da limpeza

Foto: Tircianny Araújo

Quando começamos a trabalhar, nossa visão muda. Com certeza minha vida melhorou, porque o trabalho engrandece o homem. Passei a ser mais independente, tive mais atitude. Esse dia significa mais do que um dia de folga, dia de descanso. A limpeza é importante porque mantém o ambiente de trabalho higienizado, mais organizado, e por isso o meu trabalho é importante.

Felipe Martins, proprietário da xérox da Comunicação Social

O trabalho é essencial na vida de cada um de nós. Não dá para viver sem trabalho, temos que ter uma obrigação. O dia do trabalhador é um dia que os grandes empresários deveriam respeitar, pois ainda assim o trabalhador é explorado.

Gleiciana Sampaio, vendedora da Livraria Smile

O trabalho é a necessidade de buscar um desenvolvimento, um crescimento, amadurecimento, um pensar diferente. Eu acho que o trabalho em si é reconhecido todos os dias, cada um depende de cada um. Acho importante ser favorecida pelo reconhecimento do trabalho.

Texto: Ahynssa Thamir e Otelino Filho
Orientação: Profa. Adriana Santiago