Protesto quer mostrar que Fortaleza está apavorada

Foto: Luís Barbosa
Foto: Luís Barbosa

“Fortaleza apavorada” é um movimento civil, composto por cidadãos, cujo principal objetivo é exigir dos órgãos públicos medidas emergenciais para combater a violência. Segundo uma das idealizadoras e organizadoras do projeto, Mariana Posses, “nós queremos medidas emergenciais, pois a questão da violência como um todo, não se resolve somente com uma manifestação”.

O protesto acontecerá no dia 13 de junho, às 15 horas, em frente ao Palácio da Abolição. A data escolhida também foi estudada. “A data do evento foi escolhida a partir  das manifestações criadas na época do impeachment do Collor”, explica Mariana.

Nas redes sociais, é crescente o seu número de seguidores. Pode-se constar esse fato, pois, em apenas 29 dias de existência, o grupo já contava com mais de 10.000 membros. “O crescimento pode ser explicado devido às pessoas pegarem o projeto como delas, sendo uma iniciativa nossa, mas uma causa de todos”.

Outro fator citado pela organização do evento refere-se ao disfarce utilizado pelos governantes para atrair turistas na Copa das Confederações, enquanto não há uma maior preocupação com os próprios moradores da capital cearense. “É usado uma ‘maquiagem’ para receber os turistas, ao mesmo tempo em que ocorre um descaso com os fortalezenses”, conclui.

Texto: Thaís Barbosa

Todos iguais, mas uns mais iguais que os outros

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As manchetes policiais estampam as capas de jornais cearenses desde o princípio de suas tiragens. Os boletins policiais de nossas rádios despejam, há décadas, profusas e dantescas ocorrências geradas em nossa sociedade. Há 35 anos, diuturnamente nos televisores, os programas policiais alcançam alturas impossíveis nos picos de audiência, as custas de um discurso sensacionalista, onde mais se incita a violência e  a morte do que se acena para um debate amplo sobre as delicadas questões de segurança pública em nosso estado. A propósito, questões que “repórteres policiais” lidam diariamente, como o tráfico de drogas e o crime organizado.

Embora respaldadas pelos tantos anos de existência na mídia cearense, as matérias “de polícia”, na comunidade acadêmica, são tratadas a partir de uma ótica unitária, em que chavões consagrados e críticas ostensivas desse fazer jornalístico o põem na latrina do ofício. O que não se enxerga, porém, é um engajamento prático dos cursos de jornalismo, em busca de uma primazia que acarrete no devir da área.

O repórter e autor do livro “TeleVisões: violência, criminalidade e insegurança nos programas policiais do Ceará”, Raimundo Madeira, crê que as universidades precisam assumir uma parcela de responsabilidade pela qualidade dos profissionais e do conteúdo veiculado nos suplementos policiais. “Se os próprios cursos de jornalismo se preocupassem em travar discussões mais aprofundadas sobre o jornalismo policial, fomentar o exercício teórico e prático para um tratamento mais qualificado das notícias policiais e tratar os diversos segmentos do jornalismo com igual nível de importância e responsabilidade, as visões sobre ele seriam diferentes já a partir das universidades, com repercussões positivas sobre os futuros profissionais nesse tipo de cobertura, seja qual for o veículo – impressos, rádio, televisão e internet”, analisa.

Opinião complementar tem o professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), Alejandro Sepulveda, ao defender a extensão do debate sobre as recorrentes violações dos direitos humanos e desencontros de informações nas abordagens, a outras estâncias da sociedade. “Penso que uma alternativa seria envolver no debate acadêmico os profissionais da mídia que são responsáveis pela veiculação desses programas policias, além das autoridades relacionadas com a segurança pública e gente da OAB, Ministério Público”, indica.

A marginalização do jornalismo policial inicia-se antes mesmo do ingresso a academia. Para Sepulveda, apesar de haver elementos fundamentais com os quais a célula de polícia convive, a exemplo dos direitos e deveres dos cidadãos, esta negligencia-os, endoçando o repúdio de parte da sociedade. “Creio que o próprio jornalismo policial tem contribuído para isso (desprezo do público), quando sensacionaliza e espetaculariza os fatos, expõem a imagem de detentos, mostra cenas degradantes e explora a violência do cotidiano como caso de polícia”.

O estudante de jornalismo, Farley Brasil,  lança um olhar concentrado nos programas televisivos “pouco evoluídos” e questiona a função social do jornalismo praticado neles. “O motivo mais discutido é sobre que função essa atividade realmente exerce dentro de um contexto social. A forma, sensacionalista, como esse tipo de jornalismo passa as suas informações põe em cheque o entendimento para que realmente ele serve e principalmente a sua importância para a sociedade”, enfatiza.

Madeira ainda formula o que seria, para ele, um jornalismo policial de qualidade. “Mais do que engatar uma notícia atrás da outra sobre criminalidade e violência, os veículos de comunicação deveriam se constituir em espaços para o debate qualificado sobre segurança pública. Na veiculação das notícias policiais, os jornais, as revistas e as emissoras de rádio e televisão deveriam evitar prejulgamentos, zelar pela garantia de direitos ao contraditório e à defesa, assegurar a preservação da identidade e da imagem das pessoas, enfim, promover o respeito a vítimas, acusados, familiares e leitores, ouvintes e telespectadores”.

Texto: Jefferson Passos

[Série] (In) segurança nos estádios

Matéria produzida pelos alunos da oficina de jornalismo 2012.1

Os comentários sobre a clássica disputa do Fortaleza contra o Ceará nos campos foram deixados de escanteio na final do Campeonato Cearense de Futebol 2012. A rivalidade entre jogadores foi distoada pela confusão na torcida, que deixou muito a desejar em comportamento no estádio Presidente Vargas (PV). Xingamentos e gritarias entre torcedores que vestiam a mesma camisa e de times diferentes foi o mínimo que aconteceu após declarado o título do Ceará Sporting Club. Diante desse infeliz fato, vem a questão: como será o plano de segurança dentro e nos arredoros do estádio?

As cadeiras foram os principais alvos dos torcedores que deram um show de vandalismo, destruindo, ao todo, 72. Dentre estas, 57 sofreram a fúria dos adversários, nem o lado vencedor ficou ileso de tais atos, tendo 15 destruídas em seu setor. Foram arrancadas, quebradas ou, então, deslocadas de sua estrutura, causando um prejuízo, segundo a Secretaria de Esportes e Lazer do Município (Secel), de R$ 18.360,00, já que cada uma custa em torno de R$ 250,00.

Dessa vez, a conta vai para o time. Mas, em período de Copa, quem paga pelos danos? Segundo a assessoria da Secretaria Especial da Copa (Secopa), a FIFA é responsável pelo o que ocorre dentro do estádio. “Porém, no caso de haver algo que cause dano ou prejuízo, quem irá arcar é o país-sede. O país entra com todas as condições necessárias para que haja organização e segurança durante o evento, mas quem planeja, articula e controla as ações dentro do estádio é a FIFA”, reforça.

Dentro e fora

No Clássico-Rei, o entorno não destoou da situação ocorrida dentro do estádio, o que mudaram apenas foram os objetos depredados. Os carros particulares foram os maiores alvos. Segundo a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), 30 ficaram danificados, com uma despesa de R$ 17.430,00. De acordo com o Juizado Especial do Torcedor, no total, foram 15 Boletins de Ocorrência (BO) e quatro Termos Circuntancial de Ocorrência (TCO).

Para o Mundial, há planos para uma maior proteção ao redor do Castelão. Será, em média, uma área de de 500 a 2.000 com reforço policial requisitado também pela Fifa. De acordo com a Secopa, está previsto um investimento total de R$ 248,7 milhões para garantir a segurança durante os jogos.

“Dentro desse plano, alguns projetos já estão sendo executados, como o recém-inaugurado Circuito Fechado de TV (CFTV), que possui 86 câmeras de segurança instaladas em pontos estratégicos da Capital e a Central de Monitoramento das Imagens. Nessa lista, também estão em andamento a expansão e o redimensionamento da Perícia Forense (PEFOCE); a reforma e construção de delegacias da Capital e Região Metropolitana; a construção da nova sede da Delegacia do Turismo e a implantação da Divisão de Narcóticos”. [Secopa]

Além desses itens já encaminhados, há outros quesitos por serem postos em prática, como as ações aliadas a investimentos da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), como:

  • Criação da Divisão de Homicídios;
  • Realização de concurso para delegados e escrivães e inspetores de Polícia Civil, soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, oficiais da PM e peritos e auxiliares de Perícia da PEFOCE;
  • Implantação do Programa Ronda do Quarteirão e sua ampliação para mais 42 municípios do Estado;
  • Realização da Academia Estadual de Segurança Pública.

Até 2014, a lista de projetos voltados para a Copa ainda inclui a melhoria da estrutura de alguns órgãos de segurança. ”Serão implementados a reforma da Coordenadoria da Tecnologia da Informação e da Comunicação da SSPDS; a construção de sala de situação (coordenação) e reforma das demais dependências”, lembra a assessoria. Fora isso, haverá também a implantação de uma unidade especializada em acidente com produtos perigosos, a construção das novas sedes da Companhia de Eventos e Companhia de Motos (RAIO) e da Companhia Policial Militar de Turismo.

Pelo visto, a segurança está na pauta da FIFA e do Secretário Especial da Copa 2014. Afinal, o Governo do Estado também vai investir na aquisição de outros mais equipamentos para reforçar a segurança do Ceará. Está na relação:

  • Dois helicópteros para o Ciopaer, sendo um deles para o Serviço de Resgate;
  • 20 viaturas de combate a incêndio e 30 do tipo resgate;
  • Quatro unidades móveis especial de perícia criminal em local de crime;
  • Veículo anti-tumulto e um especial anti-bomba para controle de atentados.
  • Mais 100 câmeras para o sistema de videomonitoramento da SSPDS, já autorizado pelo governador Cid Gomes.

Hora do teste

Próximo ano, o Castelão será estreado e tornará-se o provável palco do Campeonato Cearense 2013. Diante das colocações quanto os atos de vandalismo realidade da última edição, será que o novo estádio vai resistir às torcidas organizadas? Se houver algum dano, quem arcará com as despesas?

“De acordo com a Parceria Público-Privada estabelecida entre o Governo e a iniciativa privada, é garantido que até o ano de 2018, a responsabilidade de qualquer evento é da Arena Castelão, empresa formada pelos integrantes do Consórcio vencedor da licitação (Galvão Engenharia S/A, Serveng Civilsan S/A e BWA Tecnologia de Informação LTDA). Naturalmente, as questões de segurança durante os jogos serão de responsabilidade da Federação de Futebol e do Governo do Estado”. [Secopa]

Então, dessa forma, se algo acontecer, a conta vai direto para o endereço da Arena Castelão, empresa formada pelos integrantes do Consórcio vencedor da licitação (Galvão Engenharia S/A, Serveng Civilsan S/A e BWA Tecnologia de Informação LTDA) e que é responsável por todo o planejamento de ações referentes a operação do estádio nesse período está em fase de formulação.

Texto: Camila Marcelo
Orientação: Profa. Adriana Santiago