A cultura da renda

 Os historiadores não têm uma conclusão a cerca da origem da renda. Acredita-se que o berço dessa arte foram França, Itália e Egito. O que se sabe ao certo é que é uma arte muito antiga.

A nossa renda de bilros chegou ao Brasil através dos portugueses. Foram as mulheres açorianas que disseminaram essa arte por todo país, especialmente no litoral nordestino. As rendas estão presentes na moda feminina até os dias atuais. Sejam em estações mais quentes ou frias, elas sempre dão o ar da graça, mostrando sua beleza e charme retrô.  Desde sofisticados aos mais populares, a renda consegue atender a todos os estilos. A delicadeza desse trabalho que incorpora parte de nossa história colonial mantém-se presente até os dias de hoje em nossa forma de se expressar por meio da moda.

Fotos: Arquivo pessoal de Márcia Pessoa

A designer de moda Ana Lúcia Pierre falou sobre a identidade brasileira e nordestina que a renda carrega. O trabalho antes feito somente de forma artesanal, hoje é fabricado em grande escala industrial Brasil a fora, o que fez da renda algo popularmente mais acessível. Além disso, Ana Lúcia mostrou a versatilidade do material que, hoje, pode ser usado de variadas formas e em qualquer estação.

MÁRCIA PESSOA: É verdade que a renda nunca sai de moda independente da estação?
ANA LÚCIA: Sim. A renda carrega em si a atemporalidade, sendo, em cada estação, adaptada, modernizada, pesquisada, para que haja sempre uma releitura da mesma, que acompanhe as tendências e as demandas do mercado e agrade ao consumidor final.

M.P.: A renda carrega que identidade?
A.L.: Quando mencionamos renda, normalmente remetemos às rendeiras nordestinas que trabalham há décadas na confecção artesanal de uma diversidade imensa de peças. Nos dias de hoje, a renda passou a ser muito industrializada, mas a sua verdadeira essência sempre será do primoroso trabalho manual das mulheres rendeiras do agreste.

M.P.: Quem são os estilistas mais conhecidos por trabalhar com renda?
A.L.: Gosto muito do trabalho da estilista alagoana Martha Medeiros. Ela costuma trabalhar suas luxuosas peças com formas artesanais, porém sempre muito requintadas. O resultado são peças ricas em detalhes ultra românticos, atemporais e com matéria-prima de altíssima qualidade.

M.P.: Existe alguma estilista cearense que se destaca no mercado fazendo uso desse material?
A.L.: A marca cearense “Lenita Negrão” tem em seu grupo de estilo as designers de moda Paula Couto e Maria Lúcia Negrão, que também têm trabalhado de forma surpreendente com vários estilos de renda. As duas trabalham misturando esse material com tecidos de várias texturas e estampas. O resultado têm sido peças belíssimas, delicadas e chiques. As duas têm se destacado na moda local, sendo cada vez mais reconhecidas pelo excelente trabalho.

M.P.: Em sua opinião existe algum designer de moda internacional que se destaca por seu trabalho com a renda?
A.L.: No âmbito internacional “Dior” trabalha sua alta costura beirando a perfeição, e por que não dizer perfeita? Misturando tipos de rendas a suas peças de forma extraordinária, enche os olhos de mulheres de todas as classes sociais.

M.P.: Você gosta de usar a renda para compor seus looks?
A.L.: Gosto muito de usar um estilo de renda que transmite delicadeza, romantismo, leveza. Entretanto, dependendo do estilo, forma e cartela de cores, ela também poderá ser traduzida de forma ousada, rock, sexy, grunge e outras diversidades de estilos que atendem a demanda em todos os segmentos de moda. Pessoalmente, acho mais apropriado para o clima do nosso estado a proposta da leveza e sobriedade que a renda carrega, deixando qualquer look chique, feminino e atemporal. Nos dias de hoje é essencial pensarmos no custo-benefício das peças nas quais investimos. Por isso aderir à renda é uma forma de adquirir peças que poderão ser usadas sem restrições nem medo em todas as estações do ano.

Texto: Márcia Pessoa
Orientação: Profas. Adriana Santiago e Joana Dutra 

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