Palestra de Paulo Henrique Amorim tem tom político e contra Globo

Na palestra intitulada “Mídia: Regulação e Democracia”, o jornalista e sociólogo Paulo Henrique Amorim criticou a Rede Globo e a sua influência negativa na história do País. Comentou ainda a importância das mídias sociais, como Facebook e Twitter, mas alertou que só engajamento político é que faz revolução. O encontro ocorreu no auditório da Faculdade de Direito da UFC, nesta sexta (18).

Confira os principais tópicos da palestra nas palavras do próprio P.H. Amorim:

Projeto de marco regulatório

– Tem um projeto do ministro Franklin Martins que foi entregue ao ministro Paulo Bernardi. Os pontos principais do projeto são: criar uma Agência Nacional de Comunicação (ANC) que vai regular os meios de comunicação. Esse projeto não veiculou na mídia impressa. Não trata de censura, ele estabelece alguns mecanismos centrais.

O projeto estabelece: quem produz não distribui, quem distribui não produz. Isso significa que quem tem o canal tem que contratar gente, tem que comprar os nossos produtos. Outra importante novidade desse projeto proíbe a propriedade privada. Vou dá exemplo do Rio de Janeiro: a rede Globo tem a TV Globo, a rádio Globo, a revista Época, a editora de livro, a Internet, o portal, o jornal e a Globo News. Isso é propriedade privada. Nós (defensores da liberdade de expressão) temos um foco. Temos uma tarefa, a de construir no Brasil um marco regulatório. O marco existe nos Estados Unidos, no Canadá, na Inglaterra, na França, e em outros países.

Marco regulatório não tem nada a ver com censura. Como disse o Miro [Altamiro Borges] presidente do Barão de Itararé: “Uma coisa é liberdade de imprensa, outra coisa é liberdade de empresa”. Liberdade de imprensa é liberdade de imprimir, de expressão, de se defender, de reivindicar, de ser livre, e é isso que a imprensa brasileira não permite. Nosso objetivo como blogueiro, twiteiro, militantes políticos, religiosos e das comunicações sociais é de ajudar a construir o marco regulatório.

PIG (Partido da Imprensa Golpista)

– Eu me apropriei de uma expressão do deputado federal do PT de Pernambuco, Fernando Ferro quando se referiu a uma atividade nociva do diretor de jornalismo da Globo, o Ali Kamel. O deputado disse na Câmara que suas ações eram provenientes do PIG, Partido da Imprensa Golpista. Como sabem todos, pig, em inglês, é porco, e a imprensa do Brasil golpista é porca. É uma imprensa suja, desonesta, que trunca, que mente. Eu me refiro especificamente a Globo e as suas ramificações, a Folha [de São Paulo] e suas empresas e ao Estado de São Paulo. Não incluo neste grupo, como se poderia esperar, a revista Veja!, porque na minha humilde opinião a Veja! não é um órgão de comunicação, mas um detrito de maré baixa.

A “urubóloga” Miriam Leitão

Internet e revolução

– Eu acho que a Internet, o Twitter e o Facebook desempenharam e desempenham um papel renovador e revolucionário nesse movimento político que aconteceu no Oriente Médio. Mas não podemos perder a perspectiva. Internet, Twitter e Facebook não fazem revolução. Ajudam, articulam, facilitam a divulgação de ideias e de atividades, mas quem faz a revolução é a articulação política. Sem povo na rua não há mudança social.

Lula e Veja

– Recentemente fui a uma festa da Carta Capital em que ela oferece o prêmio das empresas mais admiradas do Brasil e o presidente Lula foi todo os anos. A certa altura ele disse o seguinte e eu vou reproduzir: “A revista da Cut [Central Única dos Trabalhadores] foi proibida de circular porque pois a Dilma na capa, enquanto isso a revista Veja! põe qualquer coisa na capa, em forma de acinte a democracia. Todo mundo sabe que essa discussão sobre a liberdade de imprensa é uma grande hipocrisia”. Lula disse pausadamente: hi-po-cri-sia. E abriu os braços para a plateia de empresários, que ficou sem piscar o olho, e disse: “Ninguém diz nada porque todo mundo aqui quer sair na capa da Veja!. Nesse País é só acusar. Acusa e não precisa provar nada. E quando o acusado cobra resposta saí uma notinha”.

Cinco pecados capitais da Globo

– O primeiro pecado capital é que a Globo nasceu como uma empresa estrangeira. Ela era do grupo Time Life americano. Fizeram uma CPI no Congresso para discutir a Time Life e tinha um senador do grupo do Assis Chateaubriand que queria descobrir como é que entrava dinheiro da Time Life na Globo. Aí, o então presidente Costa e Silva chamou o ministro da Fazenda, Antônio Delfim Neto e disse pra chamar o Roberto Marinho e acabar com essa história. O quê que o Roberto Marinho pediu pro Delfim? Anúncio. O Costa e Silva comprou tabela cheia [grade completa de publicidade de uma emissora] e o Roberto Marinho pagou os americanos e eles foram embora. Assim começou a Globo.

Depois, em 1982, a Globo entrou em uma conspirata com os militares para eleger governador do Rio o atual ministro Wellington Moreira Franco. Os militares montaram um sistema de fraudar a eleição no computador e através da empresa de tecnologia chamada Pró-Consult os votos que iam pro Brizola na zona oeste e na baixada fluminense se converteram em votos brancos e nulos. Assim, Moreira Franco ia ganhar a eleição na fraude com o apoio da Rede Globo! A Globo e o jornal O Globo diziam todo dia, no início da apuração, que o Moreira tava na frente ia ganhar a eleição. Mas o Brizola acabou ganhando a eleição com cinco pontos de vantagem.

Na campanha das Diretas, o primeiro comício foi em São Paulo, no dia da cidade de São Paulo, e a Globo entrou ao vivo no Jornal Nacional com uma matéria do Ernesto Paglia. O repórter dizia que aquela multidão estava lá na Praça da Sé para comemorar o aniversário de São Paulo.

Teve o quarto pecado capital, que foi em 1989, na ante-véspera da eleição Lula versus Collor. No dia anterior havia acontecido um debate e a Globo fez uma edição no Jornal Nacional completamente tendenciosa à favor do Collor. A ordem do Roberto Marinho foi: “Dê tudo de bom do Collor e tudo de mau do Lula.” Isto é depoimento gravado no Sindicato de Jornalistas do Rio de Janeiro, pelo editor que foi pra ilha [de edição] cortar o debate. Isso é um documento histórico, não é uma versão.

E finalmente, em 2006, a Globo levou a eleição para o segundo turno. Ela omitiu o desastre da Gol quando morreram 154 pessoas. Isso para não desmontar o Jornal Nacional que tinha uma matéria sobre os aloprados e a ausência do Lula na véspera do debate que houve na Rede Globo. Os dois pilotos americanos irresponsáveis foram protegidos pelo PIG. A Globo omitiu o desastre para levar a eleição para o segundo turno, e levou.

Foto: Leonardo Felter

Texto: Wolney Batista
Vídeo: Blog da Dilma


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